Hoje o clima político no Brasil é de refluxo das mobilizações, existe um clima de desânimo, pois grandes ataques aos direitos da população como a reforma trabalhista de Temer e a reforma da previdência do Bolsonaro passaram sem grandes entraves, e junto com isso um desânimo geral com os sindicatos e as mobilizações organizadas por eles. Mas na França a reforma da previdência anunciada por Macron está há um passo de cair de vez.

Justamente quando se considerava que a esquerda havia perdido a mão e a mobilização dos coletes amarelos estava enfraquecida, após 8 meses consecutivos de manifestações, no dia 5 de dezembro uma grande greve geral paralisou a França contra o anúncio da reforma da previdência, ainda sem um projeto definido naquele momento.

A mobilização gerada pela greve geral continuou por todo dezembro com uma grande greve do setor dos transportes no país, a maior greve desde as mobilizações de 1968, inflamadas pela proposta de uma idade mínima que ia de 62 para 64 anos. A greve além de paralisar todo o país deu um novo fôlego ao movimento dos coletes amarelos e o “fora Macron” (Macron demission), que voltaram a fazer grandes mobilizações aos sábados por todo o país.

Com a nação em ebulição, o governo de Macron não teve outra saída a não ser começar a ceder em alguns pontos, como o aumento da idade mínima de 62 para 64 anos. Ainda não desistiu de toda a reforma da previdência, mas o primeiro-ministro Édouard Philippe, já anunciou uma rodada de negociações com os sindicatos para definir que medidas serão adotadas para diminuir os custos previdenciários.

O andamento dessas negociações dependerá da manutenção da força das manifestações e greves pelo país. A dependender dela, talvez nenhuma reforma passe, ficando uma grande lição para o Brasil, que apesar de estar num momento de refluxo, mas a falta de coragem das lideranças políticas em mobilizar o povo contra os desmandos do governo anti-povo de Bolsonaro é prejudicial a ele.

Esse medo da mobilização, de que ela seja usada como desculpa para a implantação de medidas autoritárias, mas só as mobilizações pequenas, frágeis e sem pauta concreta é que estão predispostas a isso. Manifestações organizadas, com pauta e política definida, que não vacila diante da repressão é manifestação vitoriosa, vide o caso chileno, que um herdeiro político do pinochetismo teve que convocar plebiscito para uma constituinte a fim de acabar com a carta magna escrita pelo próprio Pinochet.

A mobilização das massas não deve ser temida, pelo contrário, deve ser incentivada, pois os ataques contra o povo e a soberania nacional irão continuar de forma incessante justamente pela falta do controle popular sobre os destinos do país. Político controlado a rédea curta pelo povo não se cria ditador.

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