O demolidor em chefe, Jair Bolsonaro, publicou nesta segunda-feira (11), um decreto na qual ele inclui como atividades “essenciais”, salões de beleza e academias de ginástica pegando o ministro da saúde de surpresa na coletiva de imprensa. Ao mesmo tempo, em são paulo, o prefeito Bruno Covas está implementando na cidade uma versão mais dura do rodízio veicular para, segundo ele, “dissuadir” as pessoas de saírem às ruas e manterem o distanciamento social.

Porém, o que a realidade mostra (e o bolsonarismo parece que entendeu), é que por mais que você tente dificultar o ir e vir das pessoas, mas se o patrão está autorizado a abrir as portas e permanecer funcionando ou não há uma fiscalização mais rígida para cima dele, pode transformar o metrô em ‘corona fest’ e congestionar a cidade toda, mas ainda sim o distanciamento social não será cumprido. o que Bruno Covas não entendeu (ou finge não entender) é que se você quer que o distanciamento social seja respeitado, você tem que endurecer as penas para os patrões que insistem em quebrar o distanciamento social, não o empregado.

A política pouco inteligente (isso para não usar um termo que pode ser interpretada como ofensiva) de Bruno Covas não considera que as pessoas têm, mesmo no meio dessa pandemia, que pagar as contas, manterem suas famílias e necessitam de uma fonte de renda. 

Os informais e MEIs estão recebendo alguma ajuda do governo federal, ainda que pouca já que não é nem o salário mínimo, mas os trabalhadores formais ainda estão sujeitos aos caprichos de patrões que nem sempre tem a consciência (ou não querem ter) da gravidade da situação e colocam seus trabalhadores em risco ao invés de investir em alguma forma de teletrabalho ou de manutenção do distanciamento social.

A situação não é fácil e alguns modelos de negócios dependem de atendimento presencial, e a atual situação causa imensos prejuízos aos mesmos, mas ainda sim a saúde da população deve vir em primeiro lugar e a grande maioria das pessoas tem contato com terceiras pessoas, que um desrespeito ao distanciamento social não apenas coloca em risco a vida do empregado que se arrisca a ir ao trabalho, mas todas as pessoas ao redor dele. 

O elo mais frágil do sistema não é o patrão, CNPJs não respiram, não comem, não são pessoas reais e o patrão responsável por ele normalmente pode fazer o distanciamento social mantendo o trabalho. Já o trabalhador normalmente não tem plano de saúde (70% da população depende do SUS), não tem reserva financeira, depende exclusivamente do emprego e tem uma família que depende de seu trabalho.

O Brasil segundo levantamento feito pela Folha antes da pandemia tinha cerca de 50 mil leitos (hoje este número já é maior, mas não muito maior do que os números anteriores), mas só metade estava na rede pública, que atende 70% da população, a outra metade estava na rede particular, que só atende 30% da população. Por tanto, é fundamental defender o trabalhador nesta situação de pandemia, ele será a parte mais afetada pela pandemia e o que tem menos recursos para conseguir socorro em caso de necessidade.

Abrandar a política de distanciamento social agora, num momento que o número de mortes já alcança os 12 mil e o número de casos só fazem crescer é uma política assassina que põe em risco a vida de milhares de pessoas, mas fazer uma política de distanciamento social que ignora a questão econômica incutida neste problema, que não é severa com os patrões mas que dificulta o deslocamento do trabalhador expondo-o a risco é uma hipocrisia igualmente assassina, não passando de uma mera demagogia com traços ditatoriais.

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