Uma semana agitada, de grande surrealismo político, com idas e vindas de demissão de substituto de ministro, a namoradinha disse sim ao cargo de demolidora da cultura, Weintraub se enrolando ainda mais e levando a educação junto para o fundo do poço, que a propósito, recebeu cortes monstruosos enquanto os militares ficaram de boa ano passado e explosão da informalidade no lado nacional da semana.

No lado internacional, a imposição se passando de acordo, Trump se safando do processo de impeachment, porque segundo o senado, de maioria republicana, condicionar ajuda externa a investigação de adversário político não é nada demais, o adeus do Reino Unido a União Europeia saiu (quem diria), recuo do fascismo no Peru e uma semana bem surreal, até o momento (talvez morda a língua).

A demolidora Bolsonaro avançou com tudo nessa semana, pois quando pensamos que a educação estava no fundo do poço descobrimos que era apenas uma saliência de um poço mais profundo. Abraham Weintraub, o demolidor da educação, segundo funcionários do MEC a Folha de São Paulo falando em condição de anonimato, Inep apenas refez a correção das provas dos estudantes afetados, mas não calculou a proficiência das questões da prova com base nas correções efetuadas.

Ou seja, numa prova onde a pontuação é dada conforme a dificuldade média da prova, que por sua vez é calculada com base na média de acertos dela, qualquer revisão da correção das provas acaba impactando a nota de todos, ainda que seja de meio ponto. Quem já encarou vestibular na vida sabe que meio ponto pode ser a diferença entre começar o ano na faculdade ou não. É o Enem sendo jogado no fundo do poço, que parece não ter um fundo.

Ainda na esteira da demolição da educação, o tesouro nacional publicou que a educação teve corte nos gastos discricionários (investimentos e funcionamento das atividades da pasta) de 16% (já descontando a inflação), enquanto os gastos com defesa se ampliaram em 22,1% no mesmo período. Mas isso não é nenhuma novidade, visto que o demolidor do Brasil gosta mais de armas e destruição e odeia conhecimento e debate público, se fosse o contrário Weintraub jamais pisaria em um ministério, quanto mais o da educação.

Outra coisa que sempre esteve na mira da demolidora Bolsonaro são os direitos trabalhistas, que são um pouco de alento num país cujo o salário mínimo é um dos menores do mundo – tanto que seu valor para atender o que manda a lei precisava ser 4 vezes maior que o atual – estão caindo, ainda que não pela carteira verde e amarela que ainda precisa ser votada, mas sim pelo aumento da informalidade, que em 2019 alcançou a cifra recorde de 41% da população economicamente ativa, segundo o IBGE. 

Para o órgão se você trabalha, ainda que de maneira informal no adoeceu, não poupou, se ferrou, você deixa de ser considerado “desempregado” e passa a ser considerado trabalhador informal, assim você transforma 52% (11% de desempregados mais 41% de trabalhadores informais) de pessoas sem garantias sobre seu futuro em apenas 11% de desempregados. A eufemização da desgraça.

E por falar em demolições, essa é uma demolidora que por mais que esteja destruindo tudo, mas a fachada o demolidor chefe insiste em manter, mesmo que a maior parte das pessoas saibam que não é bem assim. Nessa semana o demolidor em chefe viajou para a Índia, onde fechou vários acordos com o país, se aproximou politicamente do primeiro ministro Narendra Modi, um cara que fez uma lei permitindo que refugiados que sofreram perseguições religiosas possam pedir cidadania, menos se ele o sujeito for muçulmano. Laicidade do estado indiano? ninguém sabe onde se encontra.

Mas a tempestade estourou mesmo na volta, quando Bolsonaro demitiu o número dois da pasta da casa civil, Vicente Santini, que havia usado avião da FAB para voar de Davos, onde ocorria a feirinha dos ricos… ops, Fórum Econômico Mundial, para a Índia, e segundo informações da Folha de São Paulo de hoje (01), ele ainda pegou o avião para dar uma passadinha na Sicília, onde ficou sabendo a primeira demissão.

Porém a dupla moral do demolidor em chefe ficou claro quando ele reconduziu no dia seguinte o Santini, dessa vez para um cargo de 3° escalão na casa civil com salário pouca coisa menor. Mas após uma grande gritaria contra a recondução, Bolsonaro voltou atrás só 12 horas depois. Viu oposição em período sabático, não precisa ficar se escondendo, é só apertar um pouco o demolidor que ele peida. Um pouco de gritaria e manifestação  e o sujeito volta atrás.

E a namoradinha do Brasil disse sim ao cargo de demolidora da cultura, onde postou um vídeo “combatendo o marxismo cultural” (quem usa esse termo para descrever o que ocorreu no Brasil desde os anos 1980 definitivamente nunca leu o barbudo alemão na vida), mas ela não quer que o atual presidente da Funarte, Dante Mantovani, que associou o Rock ao Satanismo no melhor estilo Quadrilha de Drummond de Andrade permaneça no cargo. A demolição da cultura ganha uma fachada soft para a demolição total dela, após a demissão do cosplay de Goebbels.

Falando em cosplay de Goebbels, Trump resolveu fazer um “acordo de paz” entre israelenses e palestinos para dar fim a um dos mais longos e complexos conflitos do Oriente Médio, mas sem os palestinos. É o acordo proposto pelo leão para a zebra, na qual o leão propõe comer a zebra em troca dela deixar virar comida. 

No caso concreto, os palestinos receberam um território muito menor que o reconhecido internacionalmente, com pouquíssimos recursos hídricos disponíveis, perdendo de vez o acesso ao rio Jordão (principal fonte de água na região) em troca os refugiados palestinos não poderiam mais retornar para os territórios anteriormente tomados por Israel. Obviamente os palestinos recusaram a oferta e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) rompeu hoje relações diplomáticas com os EUA e Israel.

Todo esse alarde para um “acordo” sem o outro lado era por causa do processo de impeachment do Trump, que na sexta (31) o senado (com quem está a batata quente) anunciou que não vai ouvir nenhuma testemunha e talvez na sexta feira (7) aconteça a votação do impeachment, terminando a novela em pizza. Trump estava sendo acusado de condicionar ajuda militar para a Ucrânia (em guerra civil desde 2014) a investigação dos negócios da família Biden, vice presidente no governo Obama, no país.

Mas não é apenas de passadinha de mão na cabeça de fascista que a semana foi feita, nas eleições legislativas extraordinárias do Peru no dia 26, o Fujimorismo perdeu a condição de maior partido opositor no parlamento peruano e se tornou apenas a sexta força na casa. Para quem não sabe, um dos países mais afetados pela Lava-Jato de Moro, fora o Brasil, foi o Peru, onde todos os ex-presidentes do país após a ditadura de Alberto Fujimori, ou foram presos, ou se mataram, como no caso de Alan Garcia. Por causa disso, o Fujimorismo, liderado pela filha de Alberto, Keiko Fujimori, ganhou um grande impulso na urnas, o que levou o país a crise política que resultou na dissolução do congresso e a convocação de novas eleições parlamentares.

Mas sim, se considerava que esse dia nunca chegaria, mas chegou, o Reino Unido saiu finalmente da União Europeia. Após 3 adiamentos e um grande crise política que tornou o país ingovernável, ela aconteceu ontem (31) após a derrota histórica dos Trabalhistas para os conservadores. Corbin, que antes tinha um discurso bem a esquerda do partido, se rendeu a chantagem da direita e passou a defender abertamente a permanência do Reino Unido na União Europeia, que apesar do discurso xenófobo da direita britânica, não é uma organização que pensa no bem estar do povo, ou não teria jogado o povo grego na fome só para sustentar banqueiro.

É uma semana surreal, com diversos desfechos e começos, na qual não podemos simplesmente nos levar pela loucura de nossos tempos, mas manter a cabeça firme no lugar para encontrar soluções para os nossos problemas. Como o caso Santini e o Brexit ensina, a melhor politica não é ficar a reboque da direita ou esperar a tempestade passar, mas sim pressionar, se mobilizar e ter em conta as necessidades dos mais pobres. O Brasil tem 52% de pessoas que não tem a menor ideia de como será o dia de amanhã para elas, e a única forma da esquerda ganhar força de novo é lutar para que esse enorme contingente possa um dia colocar a cabeça no travesseiro sabendo que o seu futuro está garantido.

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