Essa foi uma semana quente, nem sequer chegou o carnaval, mas já está fervendo, dando um indicativo de como será este ano que começa. Nessa semana a namoradinha foi indicada para ser a demolidora da cultura, destruição das liberdades democráticas na justiça e nas ruas, as brigas pelo poder dentro do ninho do governo, o imposto do pecado, a colocação de culpa nos pobres pelo desmatamento na amazônia, “o melhor Enem de todos os tempos” se afundando em problemas e o grande.

No mundo tivemos um Maduro aberto a negociações, tanto com os EUA quanto com a oposição, os números da desigualdade global anunciados na véspera de uma nova feirinha dos ricos… ops, Fórum Econômico de Davos, o príncipe saudita espionando a segunda pessoa mais rica do mundo para obter informações sobre dissidentes políticos e a Argentina recusando as condições do FMI na difícil negociação da dívida pública local, e a questão da semana, até quando vamos ficar parados enquanto o Brasil se afunda no abismo ditatorial?

Começamos com as novas da demolidora Bolsonaro, que após o cosplay de Goebbels o secretário da cultura Roberto Alvim “rodou” , não por ser um nazista, mas por não ser discreto, Bolsonaro busca alguém para ocupar sua vaga, e quem ele resolveu colocar na secretária? ela a “namoradinha do Brasil”, que tremeu de medo de ver o PT subir ao poder em 2002, Regina Duarte, até se cogita dar a secretária de cultura status de ministério. E ela já vem alinhada com a linha da demolidora Bolsonaro para a cultura, porque nesse governo, ou você destrói ou entra no óleo fervente.

Mas o alvo da vez na demolidora Bolsonaro e Cia. são as liberdades democráticas, que em uma flagrante violação da constituição e de uma liminar do STF concedida por Gilmar Mendes no ano passado, Glenn Greenwald , foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ter, no caso do vazamento de conversas do ex-juiz Sérgio Moro segundo o MPF, orientado um dos denunciados, Luiz Henrique Molição. Pelo transcrição do áudio usado como base da denúncia contra Greenwald, Molição disse que iria apagar as conversas com Greenwald depois de publicado o artigo e a orientação que Glenn deu foi “faça o que quiser”. Super orientação, o líder! (ironic mode: on)

O promotor que denunciou Glenn foi o mesmo que denunciou Felipe Santa Cruz, presidente da OAB por uma declaração dada contra Sérgio Moro numa entrevista da folha quando se referia aos desmandos na Polícia Federal naquela época. Muitas coincidências, que mostram o poder Sérgio Moro dentro do judiciário, pronto para usá-lo contra obstáculos ao seu caminho quando quiser.

E mais uma vez o direito a manifestação também está indo pelo ralo. O MPL realizou no dia 23, nova manifestação contra o aumento da tarifa e também contra a violência policial. Dessa vez puderam sair da concentração no terminal Parque Dom Pedro II e seguiram pelas ruas do centro de São Paulo, passando na frente da Secretaria dos Transportes e da Secretaria de Segurança Pública. 

No final do ato houve a já tradicional queima da catraca simbólica na praça da Liberdade, quando a PM reprimiu a manifestação com truculência, prendeu um pessoa de forma arbitrária e numa cena surreal isolou a área onde a catraca simbólica foi queimada. 

“área de crime”

Questionado sobre o porquê isolaram as cinzas da catraca simbólica responderam simplesmente que era “área de crime”. Só a catraca simbólica que não sobreviveu, as de verdade continuam girando e bloqueando, para desespero de nosso suado dinheirinho. E as liberdades democráticas? Essa está na UTI, respirando com ajuda de aparelhos, mas por quanto tempo vai aguentar tanto ataque? só dependente de nós sairmos do imobilismo que estamos.

Enquanto isso a temperatura esquenta na praça dos três poderes. Bolsonaro após reunião com secretários estaduais de segurança pública, declarou no dia 23 que estava cogitando a recriação do ministério de segurança pública, sem Sérgio Moro no comando. A proposta havia recebido apoio do presidente da câmara, Rodrigo Maia. 

A reação gerada pela declaração foi tamanha, que na índia, Bolsonaro disse que não iria recriar o ministério. Mas o estranhamento entre os dois mostrou que Moro tem bala na agulha para derrubar Bolsonaro, possuindo popularidade, o judiciário, as forças repressivas e parte da elite que o veem como alguém mais sóbrio que o Bolsonaro, Moro mostrou ser um grande erro de Bolsonaro e alguém que pode não parar no STF, mas na cadeira de presidente, ou até, presidente vitalício. Os últimos acontecimento já mostraram que Moro não tem muito apreço pela democracia.

Já no ministério da Educação, a demolidora Bolsonaro está a todo o vapor, a vítima da vez é o Enem, cujo o anúncio das notas, que era para ser só um evento rotineiro com o ministro Abraham Weintraub se regozijando de que fez “o melhor Enem de todos os tempos, mas a realidade veio para dar um banho de água fria no ministro. No dia seguinte ao anúncio das notas, que a média tinha registrado uma grande queda em relação a 2018, o governo anunciou erro na correção de algumas provas, chegou-se a cogitar 30 mil.

Mesmo com os problemas corrigidos, segundo o governo, muita gente se sentiu lesada pelo ocorrido e recorreram à justiça em busca de respostas, para finalmente confiarem no resultado anunciado. Por causa disso a justiça determinou na noite de sexta (24) a suspensão da publicação dos resultados finais do SISU até que o ministério da educação prove que o problema de fato foi corrigido. A demolição do Brasil anda a passos largos, mesmo quando a máquina pública está de férias.

Nessa semana ocorreu o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, onde bilionários de diversas estirpes, ministros e chefes de estados diversos se reúnem para tomar um chocolate quente, comer um fondue aos pés dos alpes suíços enquanto discutem formas de ferrar com o povo fingindo que é caridade. Para esse evento o Presidente Bolsonaro não foi, talvez não tenha gostado dos alpes. Em seu lugar mandou o alpinista social, ministro da economia Paulo Guedes que foi para leiloar o Bra… ops, para atrair dinheiro para o Brasil.

Para lograr êxito na missão precisou limpar a barra de seu chefe, que ficou com fama no resto do mundo de Bolsonero, que taca fogo na amazônia para transformar em estacionamento, pasto e garimpo. Para isso, Paulo Guedes declarou que os culpados pela destruição da floresta são pobres, porque segundo o guia supremo da economia de Bolsonaro, os pobres derrubam a floresta para ganharem o seu sustento, mesmo que quem faça grilagem de terras, garimpo ilegal, criação extensiva de gado, exploração ilegal de madeira sejam os grandes latifundiários e multinacionais, mas para esse governo realidade é coisa de comunista, e é um governo anticomunista.

Também no Fórum de Davos, o leiloeiro Paulo Guedes anunciou que para equilibrar o orçamento público vai instituir um novo imposto, dessa vez sobre bebidas alcoólicas, cigarros e sobre o açúcar, que o próprio ministro apelidou de “imposto do pecado”. Desmentido por Bolsonaro e ironizado por Mourão, o novo imposto dito por Paulo Guedes pode não nascer, mas novas facadas estão sendo planejados para o nosso bolso.

O Fórum em si teve a hipocrisia ambiental de sempre, Soros anunciando 1 bilhão de dólares para uma rede de universidades para “combater atuais e futuros ditadores”, e f***-se as especificidades locais e as soberanias nacionais, isso vindo de alguém que lucrou bilhões com o ataque especulativo que acabou com as chances do Reino Unido entrar na zona do Euro, e que mais tarde foi um dos facilitadores do Brexit (não que essa pessoa que vos escreve seja contra o Brexit, mas Soros é bem hipócrita nesse sentido). Além disso tivemos Greta Tumberg decepcionada e a publicação na véspera do encontro das estatísticas da desigualdade global da Oxfam mostrando que 1% da população tem o dobro da riqueza do que 98,9% dela (ou 6,9 bilhões de pessoas) e que os 22 homens mais ricos têm mais riqueza que todas as mulheres na África.

Na Venezuela, Maduro sinaliza que quer chegar a um acordo, tanto com os EUA, disse numa entrevista para o The Washington Post, para distensionar as relações diplomáticas, quanto com a oposição encabeçada pelo presidente da Assembleia Nacional, Luiz Parra, para se chegar a uma normalização institucional antes das eleições legislativas deste ano.

Na Argentina, o ministro da economia Martín Guzmán, anunciou que não aceitará as condições do FMI para a renegociação do contrato da dívida que o governo possui desde 2018. Essa dívida é resultado da miracula solução que o governo neoliberal de Mauricio Macri tentou implantar na Argentina, sem êxito. Agora a Argentina encara uma inflação de quase 40%, desemprego oficial de 10% e índice de pobreza de 35%, sendo essa a pior crise que o país enfrenta desde 2001.

Já no mundo rico, se descobriu nesta semana que o bilionário, dono da Amazon e do jornal The Washington Post, Jeff Bezos, foi espionado por um malware enviado pelo príncipe da saudita Mohammed Bin Salman (MBS). Isso foi feito com o propósito de pegar informações sobre dissidentes políticos, principalmente de Jamal Khashoggi, colunista do The Washington Post, morto e esquartejado na embaixada da Arábia Saudita na Turquia. Informações íntimas coletadas de Bezos foram passadas para um jornal norte americano simpatizante da monarquia absolutista e fora usada por eles para chantagear o bilionário. O malware usado para isso foi desenvolvido por uma empresa israelense, que também fornece o spyware para o governo brasileiro.

Isso deve ser encarado como um sinal de alerta, para que não aceitemos que as liberdades democráticas sejam destruídas por esse governo demolidor, pois nem fora do país estamos a salvo de assassinos sanguinários bem equipados, como mostra o caso Bezos. 

Ao mesmo tempo, não podemos cair no canto da sereia de Soros e embarcar na sua aventura de “espalhar democracia pelo mundo”, pois os únicos que podem manter as liberdades democráticas vivas somos nós mesmos, já que nenhum bilionário pensa de fato no bem do povo, principalmente de um país longínquo cuja a cultura é incompreensível para ele. O que pessoas como Soros querem com esse tipo de iniciativa é a destruição das soberanias nacionais em troca da maximização de seus lucros, substituindo o ditador do concorrente, pelo ditador capanga de seus negócios.

Não podemos ficar parados enquanto o Brasil se afunda no abismo civilizacional. só nós podemos salvar o país do atoleiro em que estamos, mas pensando os problemas de forma local e resolvendo-os por nossas próprias mãos. Para a construção de um novo país que essa pagina nasceu a pouco tempo, menos de 1 mês, mas já estamos com mais de 400 curtidas no Facebook, muito obrigado, e ajudem a espalhar o conteúdo para que a discussão possa chegar a mais pessoas e o imobilismo mortal que estamos passando possa ser revertido.

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