Esta foi uma semana agitada do começo ao final, mesmo com a pandemia correndo solta, a máquina de crises de Bolsonaro está levando a demolidora cada vez mais para a lona. Do ato que pedia intervenção militar e volta às ruas mesmo com UTIs já lotadas até o racha foi um pulo que a demolidora Bolsonaro deu rumo ao precipício.

Na cena internacional o petróleo em liquidação, leve um barril e ganhe 37 dólares, uma grande amostra da crise na qual o mundo só está no começo. O salto do desemprego nos EUA, que apesar de ter caído o número de novos pedidos do seguro-desemprego, porém a quantidade de beneficiários é a maior da história, mas pensam que isso segura a gana expansionista dos EUA? Nada, tanto que ameaçou afundar qualquer navio iraniano “que chegue perto” dos navios estadunidenses, os iranianos prometeram retalhar caso ocorra. Essa tal “nova política” não sossega em gerar crises nem no meio de uma pandemia.

Esta semana foi uma das mais importantes da história do Brasil, não pelos motivos certos, a ruptura de Sérgio Moro com Bolsonaro é a pá de cal na demolidora Bolsonaro, colocando-a muito próximo do ponto de não-retorno da falência. Mas por que Bolsonaro parece ter rompido com Moro de forma tão abrupta? Por que fez isso agora, no meio de uma pandemia, ainda no começo do que parece ser a pior crise em 100 anos?

Tudo tem um contexto, já antes havia este mal estar entre Moro e Bolsonaro que disputavam protagonismo entre eles, com Bolsonaro tentando fritar Moro, jogando-o em situações limítrofes para pedir a demissão, mas Moro sempre dava evasivas, tudo isso enquanto aparelhava os meios repressivos que tinha sob seu controle no ministério da justiça, pois como revelado pelo Intercept no ano passado, Moro tem ambições pelo poder.

Mas então por que ele simplesmente não se candidatou a presidência? Por que ele precisava ser ministro de Bolsonaro e jogar a fama de “justiceiro imparcial” no ralo?


Simples, porque ele não quer ser um presidente democrático, ele precisava ser ministro da justiça com o aparato de segurança publica sob seu guarda-chuva para aparelha-lo, ter o controle de todo o aparato repressivo, até de suas entranhas mais obscuras. Como diz Maquiavel em sua grande obra “O príncipe”:

“Nasce daí uma questão: se é melhor ser amado que temido ou o contrário. A resposta é de que seria necessário ser uma coisa e outra; mas, como é difícil reuni-las, em tendo que faltar uma das duas é muito mais seguro ser temido do que amado.  Isso porque dos homens pode-se dizer, geralmente, que são ingratos, volúveis, simuladores, tementes do perigo, ambiciosos de ganho; e, enquanto lhes fizeres bem, são todos teus, oferecem-te o próprio sangue, os bens, a vida, os filhos, desde que, como se disse acima, a necessidade esteja longe de ti; quando esta se avizinha, porém, revoltam-se.

(…)Deve o príncipe, não obstante, fazer-se temer de forma que, se não conquistar o amor, fuja ao ódio, mesmo porque podem muito bem coexistir o ser temido e o não ser odiado” (O príncipe. MACHIAVELLI, Nicoló. extraído de http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000052.pdf)

Qual melhor forma de ser temido que tendo sob seu guarda-chuva uma força policial fiel a suas ordens? Qual a melhor forma de ser amado do que tendo sob sua influência uma mídia que quase toda está alinhada ao seus caprichos?

Moro reúne sob seu controle todas essas forças e ele está usando essas forças para a sua ascensão ao poder. Moro não é um democrata, não se importa com a constituição, como a operação Lava-Jato deixou bem claro. Ainda com toda essa “guerra civil” dentro do governo, Moro é a pessoa que reúne as melhores condições para ser um ditador. Bolsonaro sabe disso e os eventos dessa semana levaram ele a tentar neutralizar esta ameaça.

Para sair do isolamento político que Bolsonaro entrou depois de atender a pedidos dos necroempresarios que o sustentam, que fazem uma insistente campanha para o retorno às ruas em meio a uma pandemia mortal, as forças que o apoiam convocaram ato no domingo (19) pedindo além da volta às ruas, com o fim do distanciamento social (já violando-o), golpe militar, com o fechamento do congresso e do STF. Neste ato, Bolsonaro discursou para o grupo de apoiadores em Brasília onde falou que não ia negociar com ninguém.

Mas as reações ao atos foram extremamente negativas, inclusive foi aberto inquérito pelo STF a pedido da Procuradoria-Geral da República (até então agia como um engavetador geral) para investigar os organizadores dos atos, ainda que o escopo da investigação não envolvesse o presidente. Então Bolsonaro se movimenta para construir uma base política no congresso para escapar de um processo de impeachment, que já naquela ocasião se observava no horizonte pós-pandemico.

Mas Bolsonaro foi procurar se alinhar justamente com pessoas mais “limpinhas” da república, os caciques do Centrão. Pessoas de reputação “ilibada” e apelido de Odebrecht junto com pessoas envolvidas no mensalão como Valdemar da Costa Neto, Roberto Jefferson, Baleia Rossi, Gilberto Kassab entre outros “limpinhos” da república, começaram a se reunir e aparecer ao lado de Bolsonaro. 

Não há nada oficial sobre isso, mas ao que tudo indica, uma das condições colocadas para o apoio dessas pessoas “limpinha” para Bolsonaro deve ter sido a cabeça de Moro, tanto que dois dias depois de Bolsonaro começar a se encontrar com esses “ilibados” homens de ficha quilométrica foi a troca do Diretor-Geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, passando por cima de Moro.

Diante disso a situação de Moro ficou insustentável e ele pediu para sair, mas não antes de jogar tudo no Ventilador. Falsidade ideológica, crimes de responsabilidade, improbidade administrativa e se vacilar corrupção ativa, Moro caiu, mas não antes de tentar pegar na perna de Bolsonaro e levá-lo a lona junto. Em sua réplica, Bolsonaro tergiversou sobre muitas coisas mas assumiu que a luta era para controlar a Polícia Federal e ter acesso a informações de investigações em curso, o que é ilegal.

Agora a luta (com consequências ainda em andamento) é entre as diferentes facções que surgiram desse racha.

A disputa pela narrativa está forte e ambos os lados se movimentam, preparando-se para um processo de impeachment, que ainda não se sabe que ele se dará por ritos convencionais após a pandemia ou se será a moda paraguaia (conhecido como impeachment miojo) por alguma manobra parlamentar ainda no meio da pandemia para evitar o desgaste político no meio da crise sanitária.Infelizmente enquanto a demolidora está preocupada apenas com o poder, as UTIs já se encontram lotadas e as mortes pela doença já está na faixa dos 400 por dia.

Enquanto isso no mundo a crise econômica ganha contornos cada vez mais dramáticos com eventos surreais. O acontecimento mais insólito foi a liquidação relâmpago de petróleo ocorrido na segunda-feira (20), onde os contratos WTI (índice de preço do petróleo no mercado interno estadunidense) chegou a ser cotado em -37 dólares. Seria como se vendedor te desse o barril e mais 37 dólares para levar para casa, surreal.

Esse é um dos sinais mais fortes de que a economia está entrando em um período de forte recessão, onde as consequências da pandemia em combinação com uma crise econômica que já se desenhava no horizonte pode ser o início de uma grande depressão econômica com grandes consequências para todos. 

O preço do barril de petróleo já tinha sofrido um colapso no começo de março com uma combinação das primeiras medidas de combate a pandemia na Europa, mais a falta de acordo entre os membros da OPEP+ para reduzir a produção de petróleo, o que acarretou uma histórica queda de 30% dos preços naquele dia.

Essa queda, que tem tudo para se mostrar uma queda prolongada, jogará países do Oriente Médio, África e a Venezuela para a beira do abismo, isso se não entrarem em colapso. Outras commodities podem ainda sofrer fortes quedas, o que pode afetar de forma frontal a economia brasileira, já muito fragilizada pela histórica queda registrada no crescimento da China, nosso maior parceiro comercial.

Na quinta-feira foi anunciado o número de novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA na última quinzena e apesar de ter caído o número de pedidos de 6 para 4 milhões, mas o acumulado de pessoas que estão recebendo o benefício já é de 26 milhões de pessoas, o que representa 16% da população economicamente ativa dos EUA, a maior taxa de desemprego desde a grande depressão de 1930.

Mas ainda sim os EUA não sossegam em querer impor sua política expansionista no mundo e na quarta-feira (22) Donald Trump pelo Twitter ameaçou afundar qualquer navio iraniano que se aproximar dos navios dos EUA. Mesmo os navios iranianos estando próximos da costa do país persa, os EUA em sua política de “máxima pressão” faz sucessivas provocações contra eles, para que caiam na armadilha da guerra. Não é a primeira vez nesta pandemia que os EUA provocam o Irã, no mês passado já haviam implementado novas sanções contra o país (que estava no meio do pico da pandemia), além de fazer exercícios militares em sua base nos Emirados Árabes Unidos, já com a pandemia em alta nos EUA.

Mesmo com toda esta pandemia o Brasil e o mundo estão em uma grande ebulição política. A doença está jogando luz sobre todos os problemas e fragilidades que já existiam de uma forma brutal e cruenta. É um problema sério que exigem uma ação contundente para combatê-lo. As pessoas que estão (ou estarão) caindo neste período, o fazem por puro despreparo próprios, infelizmente nesse pega pra capar todo que está acontecendo os mais prejudicados são os mais pobres, aqueles que mais dependem destes governantes ignóbeis que estão no comando, e acabam pagando da pior forma possível, com a vida.

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