O grande combate global contra a COVID-19 é travada, com fechamento de fronteiras pelo mundo, quarentenas nacionais, reforço do sistema de saúde, mas o demolidor em chefe, mesmo com a doença fazendo os seus primeiros e perversos estragos no Brasil, acha que é só uma “gripezinha” e o filho ainda arruma problemas com o nosso maior aliado.

Enquanto isso se projeta grandes impactos no sistema de saúde no Brasil e no mundo a perda de milhões de empregos, fazendo o povo se levantar, ainda que apenas de suas varandas por conta da quarentena, contra o presidente que faz tudo, menos liderar. E para você, empresário de setor não-essencial que ainda não liberou home office ou deu folga para seus empregados, quantas pessoas precisam morrer para você se tocar da seriedade da situação? Paulo Guedes, você conseguiria viver e pagar as contas (porque corte de luz e água ainda não foram suspensos) só com 200 reais? Vocês não tem vergonha de fazer uma coisa dessas com o pobre? Pobre para vocês é copo descartável que vocês usam e jogam fora?

Nesta semana a COVID-19 começou sua obra destrutiva no Brasil, com o registro da primeira morte na terça-feira (17), porém o mais significativo da perversidade social desta pandemia é a história da segunda morte ocorrida no mesmo dia. Uma mulher de 63 anos, segundo reportagem do UOL, que apesar da idade, de ser hipertensa e diabética (que está no grupo de risco da COVID-19) continuava trabalhando como empregada doméstica, já que não tinha tempo de contribuição suficiente.

A patroa então retorna de uma viagem a Itália, e apesar de se manter reclusa em casa não dá folga para a empregada, que continua trabalhando normalmente. Então no dia 16, a empregada passou mal no trabalho e a patroa liga para os parentes dela a buscá-la no trabalho. Passou em casa e logo em seguida foi ao hospital, onde inicialmente se suspeitava se infecção urinária. Um pouco depois a patroa liga para a família da vítima comunicando que têm COVID-19. No dia seguinte a empregada teve uma súbita dificuldade respiratória, que mesmo se realizando os procedimentos padrões para este caso a mulher não resistiu e morreu no mesmo dia.

O MPT (Ministério Público do Trabalho), segundo reportagem da BBC Brasil, abriu uma investigação para apurar possíveis responsabilidades da patroa na morte da segunda vítima de COVID-19 no nosso país, um retrato do quão perigosa e perversa pode ser esta doença no nosso país. O que vocês, elite retrógrada, estão esperando para dar folga ou home office para seus empregados em funções não-essenciais? Pobre para vocês é vida descartável?

Outra pessoa que não está nem um pouco preocupado com a COVID-19 é o demolidor em chefe, Jair Bolsonaro, pestilência por si só, ele compareceu às manifestações, segundo a peste em pessoa “espontâneas” (tão espontâneas quanto um flash mob no shopping), contrariando recomendações do ministério da saúde e um pedido feito na semana passada em rede nacional de rádio e TV para que não ocorressem. 

Mesmo assim, o irresponsável que tinha acabado de voltar de uma viagem aos EUA, onde naquele momento tinham 6 pessoas da comitiva confirmadas com COVID-19, hoje tem 23 confirmados, cumprimentou as pessoas, tirou fotos, pegou em celulares.  Questionado em entrevista na estreia da CNN Brasil (o mais novo passa pano da república) declarou que os questionamentos era porque “os outros políticos tem medo do povo na rua”. Porém, a fala mais criminosa do demolidor em chefe foi a entrevista na segunda-feira (16) ao Datena na rádio Bandeirantes, onde ele declarou que “há uma histeria em torno do assunto, criada pela grande mídia.”

Mas quando o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno, (com 72 anos, portanto no grupo de risco) e o ministro de mina e energia Bento Albuquerque contraíram COVID-19 e descobriram na quarta-feira (18) as atitudes do demolidor mudou, não necessariamente para melhor. Numa coletiva de imprensa atrapalhada, o desnorteado demolidor da república, que mal conseguia colocar a máscara, atacou a imprensa, anunciou um pacote ridículo de ajuda aos informais que tiveram que parar por conta da quarentena, basicamente uma ajuda (que o governo chamou de voucher, cheque) de 200 reais.

Mas a atitude mais escatologica desta coletiva de imprensa foi convocar um panelaço a favor do governo para contra o panelaço do fora Bolsonaro, que praticamente virou um esporte popular no período da quarentena. O povo se cansou das irresponsabilidades do governo, enquanto países como a Argentina, Peru, EUA, China e o bloco europeu decretaram quarentena e o povo está seguindo. Na Coreia do Sul e em Singapura não há fechamento do país, mas há teste em cada esquina, drive-thru de testes, isolamento dos doentes, um sistema de saúde que funciona preventivamente, onde o objetivo é achar a pessoa contaminada antes da manifestação da doença.

Por conta do mundo não ter um sistema de saúde tão efetivo quanto o destes países, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) estima que a crise econômica que vem com a guerra contra a COVID-19 pode acabar com até 25 milhões de empregos. Como adiantado pela nossa humilde página, as consequências políticas-económicas da doença serão gigantescas e o mundo não será o mesmo depois desta pandemia.

E mesmo com estas perspectivas ruins sobre o mundo, Eduardo Bolsonaro (para os mais íntimos, Dudu Bananinha), atacou de forma contundente a China ao acusar pelo Twitter o país de ser o responsável pela pandemia, num discurso alinhado com Donald Trump, seu mestre. A embaixada da China no Brasil respondeu pelo Twitter também dizendo que as palavras de Eduardo Bolsonaro soam familiar e que trouxe de Miami o “vírus mental”. O embaixador da China, Yang Wanming, em seu perfil pessoal repudiou as declarações do filho de Bolsonaro e pediu que ele se desculpasse com o povo chinês.

Mas longe de se desculpar com a China, a familícia continuou a atacar a China e o ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo, exigiu que a China peça desculpas ao Brasil. Para vocês terem noção do tamanho da burrada da familícia, a China é o maior comprador do Brasil e o maior responsável pelo crescimento brasileiro, agredir dessa forma a China é como se um vendedor xingasse o seu maior comprador e logo no momento de maior necessidade para todos, podendo até mesmo ter retaliação da China contra o Brasil.
A situação é crítica e superá-la não será fácil, a nossa única saída hoje é o SUS, que infelizmente se encontra mal equipada e já sobrecarregada, mas ainda sim, uma grande conquista civilizacional. Segundo o governo federal nesta sexta (20), o sistema pode entrar em colapso até abril. Por isso, mais do que nunca, foi tão importante defendê-lo, e isso se faz seguindo as orientações e ficando em quarentena (que não é férias, é isolamento), pedindo o fora Bolsonaro, ainda que da janela, e mais do que nunca, apoiando o aumento de verbas para a saúde pública, pois ela é a nossa única salvação.

Recomendações do Ministério da Saúde (leia mais sobre a doença em https://coronavirus.saude.gov.br/ )

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