Essa semana terminada no dia 18 foi uma semana com muitos altos e baixos, onde ela demonstrou a ideologia nazista e autoritária do governo Bolsonaro e do estado após o golpe, que desvalorizou a indicação ao Oscar do documentário Democracia em Vertigem, que narra o golpe de estado de 2016, reprimiu de forma violenta e arbitrária uma manifestação contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo e no final dela teve o secretário da cultura mostrando a verdadeira cara desse sombrio governo que se apossou do Brasil.

A nível internacional teve a repercussão gerada pela revelação de que o Irã derrubou acidentalmente o avião da empresa ucraniana Ukraine International Airlines com 176 pessoas a bordo, revelações de dinheiro norte-americano sendo entregue para a oposição venezuelana, a mesma que andou fazendo um tour pelas “boates” da Colômbia com dinheiro público desviado pelas sanções de Washington, uma das principais causas do aprofundamento da crise na Venezuela, Trump assinando a trégua com os chineses para evitar o estouro de uma crise bem nas eleições, franceses barrando a reforma da previdencia de Macron e a pergunta que fica, estamos em 1934, 1964 ou é de fato 2020?

A semana que passou foi uma semana de fortes emoções, mas não foram de alegria, romance, conquistas ou de orgulho, mas sim de vergonha mesmo, com certo tom de raiva, com notas de tristeza e um gostinho de fora bolsonaro, que já está extrapolando a esfera da pauta política (que infelizmente a oposição abandonou de covardia mesmo) para entrar no panteão dos sentimentos humanos.

Esse sentimento, apesar de não ser visível ao olhar, mas é algo que está dentro de cada pessoa que não é apenas leitor de manchetes curtas de Facebook, mas que tenha lido ao menos um livro na vida. Digo isso porque os sentimentos causados pela destruição do estado brasileiro, pela xepa promovida pelo ministro dos leil… ops, da economia Paulo Guedes com o patrimônio que demorou mais de 70 anos para ser construído por nossa nação, vinda da visão de um pessoa tão complexa quanto inteligente, o nosso querido presidente Getulio, sem o qual talvez hoje estivesse em pauta pela direita a flexibilização da lei áurea em um Brasil onde nunca teria existido CLT.

Mas a demolidora Bolsonaro também está recheada de gente que parece ter vinda do hospício a começar pelo chefe, seu Jair, que nessa semana comandou uma campanha de ataques contra um documentário nacional indicado pelo Oscar, Democracia em Vertigem, que narra a história do golpe de 2016. Doc café com leite, meio aguado, comedido, mas vale muito apena assisti-lo. Vai ver ele estava demolindo algum prédio público um pouco mais alto quando sentiu uma vertigem aí para continuar a demolição decidiu que a cura dela ia ser justamente a desmoralização de um filme com vertigem no nome, deve ser isso talvez né?

A demolidora não para por ai, no espírito dos bons filmes de máfia norte-americanos tem que ter os favorecimentos, os negócios dúbios, as histórias mal contadas. No dia 15, a Folha publicou uma matéria denunciando que uma empresa do chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) Fabio Wajngarten,  responsável por contar-nos histórias pra boi dorm… ops, responsável pela propaganda institucional do governo de receber dinheiro por meio de uma empresa da qual é sócio, de emissoras de TV, agências de publicidade a serviço da própria secretaria e de ministérios e estatais, configurando conflito de interesse e seu Jair, demolidor em chefe da nação respondeu aos jornalistas com a pérola “você está falando da tua mãe?”

Porém demolição sem pompa e circunstância é sem graça, quase melancólico. E para fazer o estardalhaço perfeito para lembrar a todos que nada é tão ruim que não possa piorar, o secretário da cultura, Roberto Alvim, parafraseia o ministro da propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels, no anuncio de um premio nacional das artes. 

Como se não bastasse parafrasear o ministro nazista, o vídeo tem fundo sonoro do prelúdio da ópera Lohengrin, de Richard Wagner, compositor do século XIX cujas as músicas Adolf Hitler era um grande fã, estética da propaganda nazista, penteado do Goebbels e uma cruz de caravaca (frequentemente confundida com a cruz de lorena) para se apresentar como defensor da cristianização da cultura (nunca é demais lembrar que o estado brasileiro é laico).

O secretário nazista foi demitido, não pela mensagem que passou, que isso fique bem claro, mas pela repercussão negativa, principalmente entre o movimento sionista, que Bolsonaro apoia, mas que rechaça com veemência o nazismo e o holocausto, já que as lembranças dos horrores do nefasto império nazista são usados como uma das formas de legitimação da existência do estado de Israel, que se vende como um lugar para os judeus se abrigarem em segurança.

Prova disso é que circula que a demissão de Ricardo Alvim só foi decidida após a ligação do presidente do senado, David Alcolumbre, de origem judaica, para Bolsonaro expressando sua indignação diante de tal fato.

Para encerrar as questões nacionais, mais uma vez o povo foi às ruas contra o aumento da tarifa de transporte público em São Paulo na noite do dia 16, mas a polícia impediu de todas as formas que a manifestação tivesse algum êxito, bloqueios, truculência, prisões arbitrárias, agressões a jornalistas e apenas 500 metros a manifestação pode prosseguir pelas ruas de São Paulo antes das bombas, cassetetes e balas de borracha terminar de vez com a manifestação. O estado brasileiro está cada vez mais envenenado pelo fascismo e nessa semana ele deu as caras no Brasil.

Já no mundo, o imperialismo mostra sua verdadeira face sangrenta. No dia 11 o Irã assume que abateu por engano o avião da Ukraine International Airlines com 176 pessoas a bordo, mas mal havia assumido a responsabilidade perante a tragédia, os países imperialistas se aproveitaram da situação para incitar protestos pela derrubada do governo iraniano

No meio de um deles, na frente da Universidade Amir Kabir, o embaixador britânico no Irã, Rob Macaire, foi preso enquanto discursava, fazendo agitação política contra o governo de Teerã. Uma interferência indevida de um aliado militar do país que matou o comandante militar da principal força armada do país, mesmo após um erro trágico como o cometido pelo governo iraniano.

Veio também a tona que diversos perfis que mostraram apoio ao comandante assassinado por um drone norte-americano, Qasem Soleimani, estão sendo censurados pelo Instagram, Facebook e Twitter, que alegam estarem cumprindo as sanções impostas ao país persa, mas que todos sabemos é só a polícia do pensamento do imperialismo agindo por meio desses monopólios.

Não sendo por menos o Irã anunciou que está enriquecendo urânio acima do nível da época da assinatura do tratado em 2015. A violação ocorre por conta do retorno das sanções econômicas impostas ao Irã pelos EUA (um ex-signatário) e do assassinato do comandante Soleimani.

O governo Trump, já em ritmo de reeleição, assinou uma trégua com a China na guerra comercial travada desde 2018, uma promessa de campanha de Trump. Pelo acordo desenhado o que se vê não é um acordo permanente, ainda tem muitos buracos a serem preenchidos e só está sendo assinado porque se desenha no horizonte uma crise econômica que poderia estourar justamente por causa da guerra comercial e ninguém se reelege em meio a crise economia, nem síndico de prédio, por isso essa trégua foi assinada.

Na França, a maior onda de greves e manifestações desde maio de 1968, contra a reforma da previdência proposta por Macron dá seus primeiro resultados. Macron começa a desistir de pontos chave da reforma, como o aumento da idade mínima de aposentadoria de 62 para 64. Apesar de ainda não ter cedido integralmente, chamou a mesa para um rodada de negociações com os sindicatos possíveis caminhos para a reforma da previdência, que pela temperatura dos protestos dificilmente passará, mostrando mais uma vez que com o povo na rua, ataque a direitos não tem vez.

Por último, o obvio. USAID, órgão vinculado ao governo dos EUA, assume ter entregue 467 milhões de dólares para a oposição venezuelana “promover a democracia”. Essa entregas eram feitas através de empresas que repassavam a verba para a oposição, mas ao fim, o dinheiro foi usado com prostitutas, boates, hotéis de luxo, enquanto as sanções assassinas a economia venezuelana causam sofrimento ao povo venezuelano. A oposição nem chegou perto do poder, mas já está desviando verba pública por conta.

Essa semana mais faces se mostraram como são, foi um cair de máscaras que mais uma vez deveria despertar-nos para a ação. Enquanto o nosso país é destruído e o fascismo toma conta, a esquerda está em ritmo de férias, pouco se pronuncia, agir menos ainda, mobilizar alguns tentam, mas são recebidos a cacetada, porém somente a mobilização das massas é que pode trazer algum resultado como a França nesta semana mostrou. Cada vez mais estou convencido da necessidade de continuar o trabalho com a página, da sua missão e de como é necessário se alcançar a todos levando informação e conhecimento para retirar o Brasil do atoleiro em que foi colocado. Somente nós podemos tirá-lo dessa triste situação.

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