O mundo continua na luta contra a pandemia, com a crise já mostrando que será gigantesca na Argentina, nos EUA além da crise econômica, a maior desde a grande depressão de 1930, o número de mortos de um dia para o outro já é o maior do mundo e já abrem valas comuns para enterrar os mortos.

Enquanto isso no Brasil, quase o ministro da saúde foi demitido mas os militares em conjunto com os líderes do Congresso Nacional falaram mais alto e o ministro fica (por enquanto) transformando o demolidor em chefe, Jair Bolsonaro, em uma grande e incomoda samambaia de luxo, mas tenta entrar novamente no jogo atropelando a ciência e alardeando ao dizer que a doença tem cura (mesmo não tendo pesquisas conclusivas sobre a eficácia do medicamento em questão). A luta contra a doença no Brasil continua, mas a constituição de 1988 está respirando com ajuda de aparelhos, já desenganada por quem está atento a situação atual.

A luta contra a pandemia continua em todo o mundo e os efeitos colaterais das medidas de combate a doença já são sentidos na economia. Na segunda-feira (06) a Argentina decretou o adiamento do pagamento da dívida pública, devido às necessidades orçamentárias para combater a pestilência, que no país (em 10/04) registrou 1795 casos confirmados e 67 mortes segundo relatório da OMS.

Nos EUA, que segundo o mesmo relatório da OMS, registrou mais de 400 mil casos, com 1925 mortes registradas de um dia para o outro, o que qualifica o país como o país onde mais morrem pessoas pela doença, com os números totais de mortes já em 14665 a situação é caótica.

Com a falta de um sistema de saúde pública gratuita e a negligência inicial do presidente dos EUA, Donald Trump, que chamava a doença de “vírus chinês” e menosprezava o perigo, agora revertido em táticas questionáveis para a aquisição desesperada de equipamentos e suprimentos médicos, ganha contornos ainda mais desesperadores com a abertura de valas comuns em Nova York.

A negligência inicial que se reverteu nesta catástrofe na qual os EUA estão neste momento se refletiu nos pedidos de seguro desemprego, que apesar de ter caído em relação à semana anterior, ainda é a segunda semana com mais pedidos de seguro desemprego da história dos EUA (perdendo apenas para a semana passada), já acumulando desde o começo da crise 16 milhões de desempregados a mais.

Toda esta situação dramática nos EUA mostra que a doença é extremamente grave, ainda que não no índice de letalidade, mas a sua rápida propagação destrói o sistema de saúde e a economia. Por causa disso devemos agir rapidamente contra ela, mas aqui no Brasil, o demolidor em chefe, Jair Bolsonaro, que ainda continua negando sua gravidade perdeu quase todo o seu poder.

Na sexta-feira passada (03), foi adiantado pela nossa humilde página que ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi jogado na frigideira para a sua fritura e demissão, porém, os militares sob comando do Gen. Braga Neto, em acordo com os presidentes da Câmara e do Senado, barraram a demissão do ministro pelo demolidor em chefe, Jair Bolsonaro. A notícia boa é que o combate a pandemia continua, ainda que não mantenha o mesmo ritmo de antes.

O lado perverso desta intervenção militar para frear a demolidora na destruição da saúde pública e da ciência é a conclusão da morte da frágil nova república iniciada em 1988. Daqui para frente nada será como antes, a constituição de 1988 está morta, só falta enterrar. Qualquer governo que venha daqui adiante será um governo da alta cúpula do exército, tiremos de vez o cavalinho da chuva, a ideia da esquerda eleitoreira de que em 2022 iremos retornar ao poder pelas eleições foi por água abaixo (como se já não fosse ridículo antes).

Agora, está se desenhando no horizonte uma nova ditadura militar, com o centrão servindo de fachada para os desmandos dos generais. Mandetta depois deste episódio, e caso o número de mortos não seja tão grande quanto se desenha, será a figura de proa deste centrão coligado com os militares.

E não nos enganemos, será uma ditadura militar impiedosa contra o povo, já que a crise que virá logo em seguida, deixará os ânimos exaltados e já se prevê a necessidade, por parte da cúpula militar, de estrangular as liberdades democráticas. Bolsonaro conseguiu conjurar uma ditadura militar, mas o monstro se volta contra ele, e hoje, apesar de ainda se manter no cargo, mas já não manda mais em nada e pode ser retirado a qualquer momento.

Mas o demolidor ainda não desistiu de tentar recuperar o seu poder e colocou toda a trupe para fazer campanha, ao dizer que não é necessária nenhuma quarentena pois já temos a cura da doença que é produzida no Brasil. De fato a substância em questão é produzida no Brasil, mas não há nenhuma pesquisa conclusiva sobre a eficácia dela no combate a pandemia, sendo ainda uma droga experimental com graves efeitos colaterais como perda da visão e da audição, o que fez hospitais da Suécia suspender o uso do medicamento.

Ao fazer esta campanha pela substância em questão, o demolidor em chefe à custa da destruição da ciência no Brasil e da vida de milhares de pessoas, voltar a ser o protagonista do jogo político nacional, sobrepujando os militares e o próprio ministro que se tornou “indemitivel” e que hoje, na prática, ditam as regras do jogo no país. Porém, é perigoso fazer tal polarização sobre um medicamento ainda em pesquisa.

A ciência necessita de tempo para descobrir os pontos fracos da pestilência pandêmica, podem ter efeitos colaterais ainda desconhecidos, ou os efeitos colaterais não compensarem seu uso. Só há uma ferramenta que temos em mãos que pode vencer a praga, esta ferramenta se chama ciência, necessita de tempo e reconhece que o ser humano erra. Esta ferramenta não pode ser apressada, sob o risco de não trazer resultados, por isso, parem de polarizar sobre um assunto que não é da alçada da política, deixem a ciência trabalhar!

Para que possamos ter condições de trabalho, o demolidor em chefe (que agora manda tanto no país quanto uma samambaia) tem que sair, mas não devemos nos esquecer que não é só ele que tem que sair, não podemos cair no conto do “militar democrático” ou do “militar do bem”, se eles assumirem em definitivo o poder no Brasil, haverá uma sangrenta ditadura militar, uma repetição, ainda que lustrada e disfarçada, da sangrenta ditadura de 1964. Uma oposição de verdade é uma oposição a todo o governo, incluindo estes setores do exército que devem ser colocados em seu devido lugar, alguns de volta para o quartel e outros para a cadeia mesmo (por crimes cometidos em outros carnavais). 

Se o exército fosse constitucionalista ele calaria a boca e obedeceria as lideranças eleitas, já que sua função não é tutelar a política nacional, mas sim de nos defender de ameaças externas, algo que como já vimos, ele quer se tornar uma dessas ameaças ao planejar junto com os EUA um grande ataque à Venezuela. Por isso o fora Bolsonaro deve vir junto com a rejeição a uma nova ditadura militar. Lugar de militar é no quartel e não fazendo politicagem.

Recomendações do Ministério da Saúde (leia mais sobre a doença em https://coronavirus.saude.gov.br/ )
Recomendações do Ministério da Saúde (leia mais sobre a doença em https://coronavirus.saude.gov.br/ )

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