Esta foi uma semana em que a pizza e o bondage dominou a política na volta ao trabalho dos que ganham muito mas pouco fazem, tendo no cenário nacional abertura dos trabalhos do congresso e do judiciário, Bolsonaro desafiando governadores a acabar com o ICMS sobre combustíveis e governadores perguntando “quem vai nos livrar da lei de responsabilidade fiscal”, demolidor em chefe retuitando fala ofensiva sobre os brasileiros do ex-porta voz do ex-ditador Figueiredo, o leiloeiro Guedes chamando os funcionários públicos de “parasitas” sendo que ganha 30 mil por mês dos cofres públicos, o index proibitorum de volta, ao menos em Roraima e a liberdade de expressão ameaçada apesar da vitória no caso Glenn.

No campo internacional, hostilidades a mil no discurso do estado da nação nos EUA, a troca de farpas no discurso de Trump foi enorme,, a bagunça das primárias dos Democratas, o impeachment terminou em pizza nos EUA e bolsonarismo, 50 tons de cinza é um livro erótico, não um guia eleitoral, “tá ok”?

Nesta semana começou os trabalhos no congresso e no judiciário. A demolidora está em potência máxima e Bolsonaro já começou a semana com uma jogada em relação aos combustíveis, na qual ele quer desviar o foco da destruição da maior empresa brasileira e colocar o problema direto no colo dos governadores, ao dizer que, por causa da forma da tributação do ICMS que a redução do preço dos combustíveis não é repassado para as bombas. Os governadores não deixaram por menos e fizeram um abaixo assinado contra o anúncio e Bolsonaro num ato de blefe total desafiou os governadores “se zerar os impostos estaduais eu zero os impostos federais sobre os combustíveis”.

De fato os combustíveis têm uma taxa bem alta, de 44%, que encarece muito o preço final na bomba. Porém o preço do combustível só alcançou o atual patamar por conta da política de preços da Petrobras, que desde outubro de 2016 segue a cotação internacional em dólar do petróleo. Nesse período o preço do petróleo saltou 13,8% de outubro de 2016 para cá, com pico na casa dos 80 dólares, uma diferença de 65% em relação ao preço da época da implantação da política, e o preço do dólar saltou 35% com o pico nominal sendo alcançado nesta sexta (07). Mas tem certos detalhes que a demolidora prefere esconder, tudo para permanecer com o seu trabalho de demolição do país.

Falando em esconder o trabalho de demolição, o demolidor em chefe, Jair Bolsonaro compartilhou no Twitter um vídeo de um trecho de uma palestra do jornalista e ex-porta voz do ditador militar João Figueiredo, Alexandre Garcia, na qual fala que se substituíssem a população brasileira pelos japoneses que o Brasil iria se tornar a maior potência mundial em 10 anos.  O demolidor fez sua carreira com um discurso supostamente “patriótico”, mas não é a primeira vez que ele dá sinais de que não gosta do povo brasileiro, em 2017 e em 2019 bateu continência a bandeira dos EUA, além de ser um grande puxa-saco do Trump. 

Bolsonaro coloca a culpa no povo justamente porque ele faz um governo de demolição nacional, que destrói o estado, o povo e as liberdades democráticas, é um governo que está aí para destruir tudo que vê pela frente, e para tirar o corpo fora, coloca a culpa num povo que já fez muito, que trabalha duro e é pouco recompensado, e que foi responsável por uma das maiores expansões do capitalismo no século XX. O Brasil só está estagnado numa grande maré de violência desde os anos 1970, por causa de pessoas como o Bolsonaro e os ditadores militares defendidos por essa corja.

Falando em demolidores que odeiam o povo, o leiloeiro máximo do país Paulo Guedes, numa palestra nesta sexta-feira (07) ao defender a reforma administrativa (que ainda não tem nada pronta, mas promete ser mais uma frente de demolição) comparou o funcionalismo público a parasitas. Segundo ele “O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático” e continua; “”Nos Estados Unidos ficam quatro, cinco anos sem dar reajuste e quando dá todo mundo fica ‘oh, muito obrigado’. Aqui o cara é obrigado a dar porque está carimbado e ainda leva xingamento, ovo, não pode andar de avião”.

A começar, Paulo Guedes é ministro e recebe um salário de 30 mil reais (38 mil em dezembro de 2019 segundo o portal da transparência, link aqui), acho que para honrar a sua fala você deveria no mínimo abrir mão de supersalário (que só 1% da população brasileira deve saber a sensação de ganhá-lo), ou até mesmo renunciar, voltar a ser parasita do mercado financeiro como sempre foi.

folha de pagamento de Paulo Guedes

Enquanto isso em Roraima governado pelo Bolsonarista Antonio Denarium, a secretaria estadual da educação publicou uma lista de livros que deveriam ser retirados de escolas por, segundo eles, conterem “conteúdo inadequado para crianças e adolescentes”. os livros dessa lista envolviam clássicos como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de um dos maiores escritores brasileiros, Machado de Assis, além de Macunaíma de Mário de Andrade e livros de Ferreira Gullar, Carlos Heitor Cony, Aurélio Buarque de Holanda (o mesmo criador do dicionário Aurélio), Nelson Rodrigues, Franz Kafka, Edgar Allan Poe, com a observação para recolher todos os livros de Rubem Alves.

Quando o caso ganhou maior repercussão o governo de Roraima voltou atrás na determinação, mas fica como lição para todos que o bolsonarismo é uma força de destruição geral, e nessa onda destrutiva a cultura e o pensamento livre são os seus principais alvos, porque ameaçam o sucesso da missão de destruição do país e de seu povo.

Falando em destruição do pensamento livre, tivemos nesta semana uma vitória importante, mas da forma que foi constituída a questão da destruição das liberdades democráticas ainda fica em aberto, que foi a rejeição da denúncia contra Glenn Greenwald, editor chefe da pagina The Intercept. A acusação do MPF era de que Glenn havia orientado umas das pessoas acusadas de invadir o celular de autoridades envolvidos na operação Lava-Jato, Luiz Henrique Molição, a apagar as mensagens com Glenn, mesmo que na transcrição das conversas, Glenn tenha dito simplesmente um “faça o que você quiser” depois de Molição ter comunicado que iria apagar as mensagens.

No despacho, o Juiz Ricardo Augusto Soares Leite da 10ª vara da justiça federal de Brasília, rejeitou a denúncia simplesmente por causa da liminar de agosto de 2019 concedida por Gilmar Mendes proibindo investigações contra o jornalista por causa da reportagem baseada no material pego durante a invasão dos dispositivos. O juiz deixou claro também que se não fosse pela liminar do STF que este seria um caso para a decretação de prisão temporária de Glenn. Uma vitória para Glenn, mas que deixa claro que as liberdades democráticas estão em risco e que devemos estar atentos em relação a elas.

No campo internacional essa foi uma semana de vitórias para Trump. A começar pelas primárias em Iowa, onde o partido democrata teve problemas na apuração do caucus local, e ele aproveitou para alfinetar os democratas. As primárias em Iowa indicam um empate entre o Pete Buttigieg e Bernie Sanders, um deslocamento à esquerda do eleitorado democrata que em 2016 havia escolhido como candidata Hillary Clinton.

Mas a apoteose do espetáculo da política estadunidense foi o discurso do estado da união feita na terça-feira (04), na qual a definição de circo político foi levado às últimas consequências, com a clara hostilidade entre Trump e Nancy Pelosi, presidente da câmara dos deputados e líder do partido Democrata na casa. A maior mostra desta hostilidade foi o momento que Pelosi rasgou o discurso de Trump ao término dele. Pelosi havia sido a principal patrocinadora do processo de impeachment contra Trump.

No mesmo discurso, Trump chamou de presidente “legítimo” da Venezuela o ex-presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que estava na plateia em Washington D.C. durante o discurso. A Venezuela reagiu ao discurso de Trump, que havia dito que iria “derrubar a ditadura de Maduro”. O ministro das relações exteriores da Venezuela Jorge Arreaza, classificou o discurso de Trump como “um agonizante esforço  para reviver a já frustrada estratégia de mudança de governo pela força, apegada a um roteiro pré-fabricado, no meio de um espetáculo eleitoral circense”.

E o impeachment de Trump deu em pizza. Em julgamento no senado na quarta-feira (05) Trump foi absolvido pela maioria Republicana na casa por 52 a 48, da acusação de ter usado mecanismos diplomáticos para fins pessoais, ao chantagear o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski a investigar o filho do adversário político Joe Biden em troca de ajuda ao país. Trump permanece no cargo e candidato à reeleição pelo partido Republicano.

Esta foi uma semana didática na qual muita gente mostrou sua verdadeira cara, um presidente que acha que o problema do país que governa é seu povo, um ministro da economia que chama os funcionários públicos de “parasitas” e um juiz que se não fosse por uma liminar já teria prendido um repórter pelo exercício da sua profissão. As mascaras caíram, só falta esfregar os olhos e ver a verdadeira face da direita.

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