Erdogan e Putin

Nesta Quinta-feira (05) o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, se encontrou em Moscou com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, para tratar da recente escalada das tensões entre a Turquia e o Governo sírio por combates na província síria de Idlib, o último bastião de grupos terroristas na guerra civil síria.

O acordo de cessar-fogo logrado em Moscou e que entra em vigor à 0h entre quinta e sexta-feira prevê ainda um corredor de segurança de 6km de cada lado da rodovia M4, que atravessa o norte da Síria, onde haverá patrulhas conjuntas.

As intenções turcas na Síria são bem claras e se resume principalmente em acabar com as organizações armadas curdas, que até o ano passado contava com apoio dos EUA, mas que desde o abandono de Trump é protegida pelo Exército Árabe Sírio com apoio da Rússia. Mas a partir de meados de fevereiro, a Turquia começou a ameaçar que faria uma operação militar contra o governo sírio em Idlib, até que em 27 de fevereiro militares do governo sírio, numa operação contra o grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (antiga Frente Al Nusra, ligada à Al Qaeda) dentro de Idlib, atingiu também tropas turcas no local, matando 34 militares turcos.

Este acordo é um primeiro passo para se encontrar um entendimento sobre a situação do último bastião do terrorismo jihadista wahhabista na Síria, que tem apoio, ainda que indireto, do governo turco, que quer com eles acabar com as milícias curdas que buscam a criação de um estado curdo independente. 

A Síria é um grande campo de batalha de diferentes conflitos, que apesar de terem raízes no estouro das contradições locais durante a primavera árabe em 2011, acabou congregando dentro de si jogos de interesses que nada tem haver com as aspirações do povo sírio, que graças ao grande e legalista Exército Árabe Sírio, comandado por Bashar Al Assad, o jihadismo wahhabista está sob controle, mas os eventos recentes mostram que esta nação de um grande povo milenar só voltará a ter paz mesmo com a vitória das forças legalistas de Assad e o retorno da soberania plena do país.

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