Nos EUA assim como no Brasil, o racismo é uma prática generalizada e uma prática enraizada também na geração de políticas públicas e no aparato repressivo, assim como no Brasil. No dia 25, George Floyd, de 40 anos, foi abordado pela polícia de Minneapolis, segundo a versão corrente, ele havia sido confundido com uma pessoa acusada de tentar usar uma nota de 20 dólares falsa numa loja. Ao ser abordado não ofereceu resistência, mas isso não impediu que um policial branco colocasse o joelho no pescoço de George, asfixiando-o. George foi levado inconsciente um pouco depois para o hospital onde morreu.

A abordagem que matou George foi filmada (link aqui. as imagens são fortes, recomenda-se cautela)  pelas pessoas que passavam no momento da abordagem e foi publicado na internet no dia seguinte, o que gerou indignação e protestos, que primeiro varreram a cidade de Minneapolis e agora já se espalham pelo terceiro dia seguido pelos EUA. Mesmo diante da pandemia, os protestos ganharam grandes proporções, com a repressão sendo dura em cima dos manifestantes (com relatos até mesmo de uso de munição real e prisão de jornalista durante os confrontos) de um lado, enquanto o prédio da delegacia onde trabalhava os policiais que mataram George foi incendiada pelos manifestantes.

A indignação aumentou ainda mais com o anúncio de que os policiais envolvidos não seriam processados criminalmente pela justiça, mas que apenas seriam despedidos da corporação. (ATUALIZAÇÃO 18H: O policial que matou George Floyd acaba de ser preso por conta do crime e foi indiciado por homicídio culposo [quando não há intenção de matar])

Esta não é a primeira vez que policiais brancos matam negros durante abordagem policial, a diferença agora é que cada vez mais estes abusos estão sendo denunciados pela população, que nos EUA, reage com cada vez mais indignação contra o racismo institucionalizado e o abuso de autoridade policial. Cada vez mais, as reações estão sendo mais e mais enfáticas contra essas práticas deletérias da tal “democracia americana”, que só é uma democrática para uma parcela branca da população nos EUA, enquanto negros e latinos sofrem com uma ditadura cada vez mais brutal.

A pandemia, que nos EUA, teve o maior número de vítimas (até o presente momento) aflorou ainda mais as desigualdades existentes, com a explosão no número de desempregados, que neste momento já o maior desde a grande depressão da década de 1930, sendo que as maiores vítimas, tanto da doença quanto do desemprego em massa são justamente os negros e latinos, que vivem em situação já precária. Além disso, por conta dos EUA não possuírem um sistema de saúde pública universal gratuita, como no Brasil, o único tratamento que se pode conseguir para qualquer problema de saúde que se tem é particular, na qual se cobram preços abusivos para tratamento, que os tornam inacessíveis para os mais pobres.

Em um cenário que devido a pandemia já é complexo e tenso, soma-se a ele mais um assassinato de um homem negro durante uma abordagem abusiva de policiais brancos, gerando uma grande explosão de raiva da população negra e pobre contra o abuso estatal. Os EUA, longe de serem o paraíso retratado pelo bolsonarismo e a direita, é uma sociedade que antes da pandemia já estava muito fragilizada e que agora está a beira do colapso econômico e social, com grandes consequências para o resto do mundo, inclusive para o Brasil.

Leia Também:

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.