Segundo Reportagem do jornal britânico The Guardian publicado nesta terça (21), Jeff Bezos, fundador da Amazon e dono do jornal The Washington Post, teve o celular espionado por um malware enviado pelo príncipe saudita Mohammed Bin Salman (MBS), desde maio de 2018, depois de uma reunião com o príncipe saudita.

Nessa reunião, o príncipe e Jeff Bezos discutiram vários acordos comerciais, como por exemplo, a instalação de um data center no país árabe. Após esta reunião, o príncipe e o empresário trocaram mensagens sendo uma delas um vídeo enviado por MBS para Bezos pelo qual o príncipe instalou o malware.

O objetivo da espionagem, segundo o jornal britânico, era obter mais informações sobre o jornalista e dissidente político Jamal Khashoggi, morto e esquartejado em outubro de 2018 na embaixada saudita na Turquia, quando ia pegar documentos para seu casamento.

A espionagem também obteve informações pessoais de Bezos que foram vazadas pelo jornal pró-Trump National Enquirer, que dizia que Bezos tinha um caso extraconjugal. Bezos na época havia dito que o jornal estava tentando extorqui-lo com as informações íntimas. O mesmo jornal que vazou as informações de Bezos, também havia escrito uma reportagem em que elogiava o príncipe saudita quando este visitou os EUA em 2017, aproximando o dono do jornal com a monarquia absolutista árabe, segundo o Guardian.

Segundo o jornal britânico, outros dissidentes políticos também foram espionados com o uso do malware pelo governo saudita, sendo que alguns desses dissidentes estão asilados no Reino Unido.

O Software usado na espionagem de Bezos foi o spyware Pegasus-3, da empresa israelense NSO Group. Em Julho de 2019, a revista Época publicou uma reportagem sobre a aquisição desse malware pelo governo brasileiro. Brasil e Israel mantém estreita parceria estratégica na área de segurança para troca de tecnologias, com Israel oferecendo diversos softwares de espionagem, veículos blindados e drones para vigilância.

O caso Khashoggi é uma amostra do que uma ditadura pode fazer contra seu povo e aqueles que discordam dela. MBS não conhece limites para a sua repressão, chegando a espionar cidadãos de outros países só para obter informações que serão usadas depois para assassinatos. 

A ditadura saudita é uma das mais cruéis do mundo, apoiada e financiada pelos EUA, tenta colocar sua monarquia absolutista retrógrada como uma “tradição local”. Infelizmente as mesmas ferramentas utilizadas por MBS para espionar Bezos, Khashoggi e outros, também está em mãos do governo brasileiro que vem atacando sistematicamente as liberdades democráticas, não podemos deixar que as liberdades democráticas virem coisa do passado, se não o destino de Khashoggi pode ser o mesmo de muita gente no Brasil.

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