Como está escrito no Manifesto de Fundação do Diário da Política, um dos motivos que me levaram a fundar a página foi justamente a judicialização do debate público feita por pessoas de ambos os lados da arena política para censurar o adversário, pois como escrevi em meu manifesto “só com o conhecimento que se combate o obscurantismo, só com a verdade se combate a mentira”. Há algum tempo atrás, antes de 2015, antes desse turbilhão todo, uma parte da direita chamou que usava o expediente que mencionei acima de “geração mimimi”, segundo eles “porque não deixam mais fazer graça com nada”.

Porém, assim que os políticos críticos a tal “geração mimimi”, cujo a pessoa que se posicionava como maior representante era Jair Bolsonaro, subiram ao poder, longe de aceitar as críticas recebem e rebate-las no campo das ideias, recorreram a meios ainda mais repressivos contra os críticos. Longe de serem críticas diretas a pessoa em si, apesar de não ter nada de errado em criticar a pessoa em si, eram críticas diretas ao governo e a seus atos hediondos, como a charge que o ministro da justiça, André Mendonça, quer censurar com base na lei de segurança nacional.

A charge em questão, feita pelo chargista Aroeira mostra um Bolsonaro pichando numa cruz vermelha (símbolo indicativo de pronto-socorro hospitalar), de tal forma a transformá-la em uma suástica, simbolizando a campanha caluniosa que Bolsonaro empreende contra os profissionais de saúde, que ganhou uma proporção ainda maior com a live de quinta (11), na qual Bolsonaro instiga seus seguidores a “dar um jeito” de entrar nos hospitais e filmar o interior deles, pois segundo o mandatário estão gastando verba excessivamente com leitos hospitalares. Nem é preciso dizer que hospital lotado não é símbolo de dinheiro bem gasto, mas justamente o oposto, que é símbolo de que a situação sanitária está péssima.

O ex-ministro da justiça, Sérgio Moro, já tinha tentado anteriormente processar o ex-presidente Lula por uma declaração onde chama Bolsonaro de miliciano, na época, o processo contra Lula não vingou. Agora não satisfeito com a derrota de seu antecessor, André Mendonça tenta de novo processar o chargista Aroeira e o jornalista Ricardo Noblat que havia publicado a charge em sua conta pessoal no Twitter com base na infame lei de segurança nacional por causa das críticas feitas ao governo.

Desde o momento que este governo subiu, diversos atentados às liberdades democráticas vêm sendo feitas, tanto por parte de apoiadores do governo, quanto por parte do próprio governo, com direito a um atentado terrorista contra a produtora do grupo humorístico Porta dos Fundos, perpetrado por um grupo integralista cujo o líder ainda está solto, sendo que a obra produzida pelo Porta dos Fundos e que motivou o ataque terrorista foi censurada pela justiça (ainda que por algumas horas). Por tanto, enquanto o bolsonarismo continuar com o controle da máquina estatal, as liberdades democráticas ainda estão em risco, diferentemente do que se falava alguns anos atrás, não por causa da tal “geração mimimi”, mas estão ameaçadas pelas mãos do que antes eram seus maiores críticos.

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