Como qualquer um que acompanha política antes de 2010 sabe, pior que está, sim, fica. Quando Tiririca usou o slogan de campanha “pior que está não fica, vote no Tiririca” o Brasil crescia 7,5%, o desemprego estava em forte queda e se encaminhava para a mínima histórica de 4,3% que iria ocorrer em 2014, enquanto o resto do mundo estava ainda imerso na fase aguda da crise de 2008. Hoje, mesmo antes da pandemia, o Brasil ainda estava imerso no rescaldo da insolúvel crise de 2015, com um governo inepto, gerador de crises e que não pode reclamar da oposição, que neste tempo todo estava calada.

Na educação não foi diferente, o primeiro ministro da educação que foi colocado por Bolsonaro, Ricardo Vélez Rodríguez, não tinha traquejo político ou força para fazer qualquer coisa dentro da pasta, conseguindo o logro de desorganizar a terceira maior pasta do governo federal. Em seu lugar foi colocado Abraham Weintraub, alguém que apesar de ter mais força para organizar minimamente a pasta, mas, devido a ser, como Vélez, membro da ala psiquiátrica do governo, cometeu diversos erros gravíssimos, inaceitáveis, como o erro na correção das provas do Enem. Longe de ter sido demitido por causa de seus absurdos, a demissão de Weintraub só aconteceu porque ele chamou atenção demais, por conta disso o substituto a ser escolhido não será melhor, ou será que fica na média? vejamos abaixo os fatores que podem influenciar a escolha do novo destruidor da educação:

O bolsonarismo tem sua constituição ideológica baseada nas teorias da conspiração importadas pelo astrólogo e chefe de seita, Olavo de Carvalho. Segundo o chefe de seita, o mundo é divido entre 3 bloco distintos que buscam a hegemonia global, o globalismo ocidental (segundo o chefe de seita, de inspiração fabiana), o bloco Eurasiático, composto pela antiga burocracia do bloco socialista, e o bloco islâmico. Segundo o chefe de seita, estes blocos tem ações em diferentes ramos da vida mundial, como o globalismo ocidental, que tem o controle econômico do mundo ou o bloco Eurasiático que tem largas reservas e equipamentos militares.

Segundo o pornofilosofo, supostamente estes grupos estão disputando a hegemonia do estado brasileiro, não através das armas ou de ações diretas, como os revolucionários do passado, mas sim por meio do domínio das instituições culturais e educacionais, para conseguir o domínio das mentalidades na sociedade brasileira, e assim conseguir implantar os seus programas sem necessariamente disputar o jogo político. Uma teoria que encontra problemas na realidade, já que o que seria o bloco Eurasiático, apesar de agir com uma certa sincronia, mas o objetivo principal da aliança Rússia-China, é a mútua sobrevivência a pressão dos EUA sobre eles, pressão elogiada por Olavo, que não reconhece nos EUA uma ação hegemonista sobre o resto do mundo.

Mas por que estes dois parágrafos acima são importantes para o debate sobre quem será o novo ministro da educação? Simples, segundo o chefe de seita, a luta política em si é inócua, já que o debate está sendo, supostamente, manipulado pela atuação dos grupos hegemonistas nos meios culturais e educacionais, de tal forma a ditar o debate político, para assim conduzir o jogo político até o cenário desejado. Por tanto, para acabar com a “ação globalista sobre o Brasil”, é necessária uma “guerra cultural” para eliminar os elementos globalistas da educação e da cultura, para então “voltar a existir a ordem”.

Sendo assim, fica implícito que qualquer apoio que o olavismo dê a qualquer governo é condicionado a um controle total das pastas da educação, da cultura, das comunicações e das relações exteriores. Qualquer atitude que deixe o olavismo em segundo plano em alguma destas áreas é motivo para pedir a cabeça do secretário, do ministro, ou até mesmo do presidente, já que, qualquer ação que ignore esta suposta “guerra cultural”, para o olavismo é inútil.

Por tanto, um olavista no MEC sempre será uma pré condição para o apoio de Olavo a qualquer governo que assim o queira. O Olavo, como demonstrou o episódio recente da chantagem pública feita por ele após começar a ser cobrada dele uma multa milionária num processo movido contra a chefe de seita pelo cantor Caetano Veloso, é uma peça considerada indispensável pelo bolsonarismo, isso porque seus alunos controlam nada menos que o aparato de propaganda do bolsonarismo, sendo o maior deles, Allan dos Santos, investigado no inquérito das fake news no STF.

Isso torna a vida de qualquer pessoa fora do olavismo difícil no MEC, com incessantes pedidos de demissão caso ocorra. Mas um fator novo está colocado em cena, o pedido de impeachment que Bolsonaro poderá encarar. Para escapar dele, Bolsonaro necessita, no mínimo, um pouco mais de 170 votos, mas hoje ele não tem qualquer base fixa de apoio, e para isso é necessário lotear cargos no executivo federal. Sendo o MEC a terceira maior pasta do orçamento federal, ele se torna uma peça importante para a distribuição de dinheiro para o centrão, algo que se choca diretamente com o olavismo.

Não se conseguirá uma base mínima de 200 deputados para barrar um impeachment se não houver distribuição de cargos para estas pessoas honradas de longuíssimas fichas corridas, mas se isso for feito de qualquer jeito a ala psiquiátrica rompe com o governo e a máquina propagandística rompe junto, o que levaria a um impeachment da mesma forma. O candidato ideal do governo seria um olavista que aceite uma negociata, qualquer pessoa fora deste perfil não se aguenta muito tempo no cargo, o que pode levar a uma piora ainda maior da educação no Brasil.

O governo de destruição nacional está com a vaga de demolidor da educação aberta, mas os pré requisitos para o cargo são grandes demais para ter alguém que dure por algum tempo. Por causa destas contradições políticas no seio do bolsonarismo, o MEC permanecerá à deriva jogando o futuro de milhões de crianças e adolescentes direto na obscuridade da incerteza, o que acarretará num futuro ainda pior para um Brasil inserido num mundo onde a educação, a ciência e a tecnologia são domínios fundamentais para a sobrevivência econômica de uma nação.

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