Começou hoje (22) assembleia geral das Nações Unidas, um evento anual na qual um misto de inutilidade e mentira se misturam para formar um caldeirão de boas intenções que não levam ninguém a lugar algum. Este ano é especial para a ONU, pois ela completa 75 anos de existência, recheada de erros a começar pela  forma da sua própria criação cuja sede foi colocada em um país que de neutro não tem nada (os EUA), Um órgão máximo que é apenas um clubinho de países tem poder de veto sobre absolutamente tudo sem que, ao menos, alguém tenha eleito eles para terem esse poder, e ajudou a criar um gigantesco problema insolúvel no Oriente Médio que é questão Palestina.

Críticas à parte em relação a ONU, o Brasil se destacou nesta assembleia geral, não pelo seu protagonismo internacional, ou por algum feito notável, mas sim pela quantidade de mentiras contadas em um único discurso por Bolsonaro. Suas mentiras se estenderam da primeira frase ao ponto final  do discurso, mentiu sobre a preservação ambiental, mentiu sobre as queimadas na Amazônia e no Pantanal, mentiu sobre a extensão do auxílio emergencial, mentiu sobre o porquê da regulamentação do mercado de carbono não ter dado certo na COP 25, enfim, um mar de mentiras descaradas para o mundo, jogando o nome do Brasil na lama. Vejamos abaixo a verdade sobre os pontos mentirosos levantados por Bolsonaro:

Bolsonaro desde a campanha em 2018 vem com um discurso de acabar com as políticas de preservação ambiental com a desregulamentação, do que até então era uma das políticas de preservação mais robustas do mundo. É verdade que este desmonte já vinha desde o governo Temer, com propostas de liberação para a exploração econômica de áreas protegidas, principalmente no Amapá, mas que devido a pressão nacional e internacional e a rápida deterioração do governo golpista o projeto não foi adiante.

Mas Bolsonaro adotou uma estratégia diferente, já que desfazer estas políticas pelas vias convencionais gerariam uma grande pressão política contra ele o seu ministro do meio ambiente, Ricardo Sales – condenado por improbidade administrativa enquanto era secretário do meio ambiente do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckminentão optou por desmontar os órgãos que zelam pela preservação ambiental, diminuindo as verbas, exonerando funcionários de carreira e substituindo-os por militares maquiadores de números (como fizeram no ministério da saúde).

Como se isso não bastasse, também intervieram em outros órgãos que, apesar de não serem subordinados ao ministério do meio ambiente, tem como uma de suas atribuições a observação do desmatamento para fiscalizar a eficácia das ações ambientais. O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) responsável pelo desenvolvimento de pesquisas espaciais (juntamente com a Agência Espacial Brasileira, AEB), também tem como uma de suas atribuições a mensuração do desmatamento no país por meio de vigilância via satélite e tem que prestar contas publicamente de seu trabalho de tempos em tempos, mas quando saiu os primeiros números do governo Bolsonaro saíram mostrando uma disparada do desmatamento, isso foi o suficiente para Bolsonaro falar que o diretor-geral do órgão tinha “falta de patriotismo”  (a forma de Bolsonaro chorar como uma criança mimada e birrenta quando não consegue algo), intervindo no órgão no final.

Como isso não fosse suficiente, Bolsonaro em seu criminoso discurso na ONU joga a culpa das queimadas na Amazônia e no pantanal nas costas daqueles que mais sofrem com isso, que são justamente a população indígena e ribeirinha. Longe de ter sido eles, os verdadeiros responsáveis, segundo denúncias e investigações da Polícia Federal, subordinada a união, são grupos de latifundiários e garimpeiros que vem colocando fogo para exploração econômica posterior. 

Mas não foi só sobre meio ambiente que Bolsonaro mentiu descaradamente, também mentiu sobre a amplitude do auxílio emergencial ao falar que deu próximo de 1000 dólares para cada cidadão. Porém, pelo câmbio atual (US$ 1,00 = R$ 5,48) o valor de 600 reais ao mês (que é o valor que a grande maioria dos beneficiários recebem) dão algo próximo de 104 dólares, que mesmo contando todas as parcelas não dão 1000 dólares. Tudo bem, podemos dar alguma colher de chá, já que algumas pessoas receberam o dobro (208 dólares) estas sim, receberam mais de mil dólares, mas é uma minoria dentro do programa.

Outra mentira contada por Bolsonaro foi em relação ao fracasso das negociações no mercado de carbono na COP 25 em Madrid, que segundo ele só não aconteceu por conta do “protecionismo”. O grande responsável pelo fracasso da regulamentação do mercado de carbono foi o próprio Ricardo Salles, que tentou emplacar uma fórmula na qual o carbono vendido pelo país que preserva para o país que poluí entra na conta tanto do país que vendeu quanto do país que comprou, possibilitando assim uma contabilidade “criativa” (quase quântica) do mercado de carbono. 

Bolsonaro também mostrou sua subserviência quase sadomasoquista a Trump a falar em seu discurso especificamente sobre o tal “Plano de Paz e Prosperidade” lançado pelo mandatário estadunidense, já mostrada por nossa humilde página como a Vergonha do Século, pois é um acordo que simplesmente aumenta ainda mais fragmentação do territorio palestino, além de segrega-los da principal fonte de agua da região que é Rio Jordão. Mas Bolsonaro não apenas falou do plano, falou dele em tom de elogio a Donald Trump, quase como um cabo eleitoral do republicano.

Bolsonaro conseguiu um feito notável, falar em apenas 15 minutos uma quantidade gigantesca de mentiras, meias verdades e ainda por cima intervir indiretamente nas eleições de um outro país, quase como cabo eleitoral de um dos candidatos (falam que Bolsonaro é pé frio, quase um Mick Jagger da política). O Brasil já foi um grande país respeitado pelo mundo, já houve um tempo em que minimamente tivemos um grande protagonismo global, com uma política externa inspirada pelo grande Barão do Rio Branco, hoje, o Brasil conseguiu ser jogado na lama em uma organização que não anda bem das pernas, graças às políticas de Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo.

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