No dia em que o número de mortos pela pandemia superou a marcas dos 10 mil mortos (11/05), o demolidor em chefe, Jair Bolsonaro, que havia marcado um churrasco que depois foi a público dizer que era fake, saiu em um passeio de moto aquática que ficará marcado como um dos mais infames de todos os tempos. Neste passeio, Bolsonaro se encontrou no lago Paranoá com um grupo de pessoas que estavam fazendo um churrasco e se identificaram como sendo trabalhadores do setor aéreo, então Bolsonaro solta na conversa com eles que isso não passa de uma “neurose”.

Num ato de total menosprezo àqueles que falecem de uma doença traiçoeira, que enche hospitais e destrói a economia por onde passa, já que é uma doença cara, que se não for tratada com equipamentos adequados (e caros) mata o paciente, Bolsonaro fala também que a doença vai atingir 70% da população. Com uma taxa de mortalidade entre 0,5% e 8% (dependendo da capacidade do sistema de saúde), daria 700 mil mortos na hipótese da mortalidade de 0,5% (vamos fingir que o sistema vai aguentar a pressão, o que não é verdade).

70% de 200 milhões de habitantes são 140 milhões de pessoas contaminada com este vírus, sendo que 20% delas vão ser sintomáticas, ou 28 milhões de pessoas, e metade vai necessitar de leitos de UTI, que já são 14 milhões de pessoas, com duração da internação de 3 semanas em média. Dados obtidos pela Folha antes da pandemia mostravam que o Brasil só tinha 50 mil leitos de UTI, com metade deles na rede pública (que atende 70% da população) e a outra metade na rede privada (que atende 30% da população). Atualmente já se fala em criar uma fila única para utilização de UTI, na prática seria uma conversão dos leitos privados de UTI para uso público, aparado pelo artigo 5°, inciso XXV da constituição federal que diz:

“Artigo 5° – …

(…)XXV – no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;”  

Esse fala mostra mais que uma insensibilidade do demolidor em chefe, ela mostra o quão genocida é este governo, que não só pouco se importa pelo sofrimento do povo, mas que de certa forma torce pela sua morte. 700 mil mortos na história brasileira seria o maior morticínio de brasileiros desde a Guerra do Paraguai, ou 10 anos de violência urbana, tudo de uma única vez. 

O guru do presidente, charlatão e chefe de seita, Olavo de Carvalho, havia dito que esta pandemia não existia, que era uma invenção. Um cara que usou do morticínio da violência urbana no último período e que agora é o pensador de um genocídio pela doença. Essa é a direita hipócrita, que reclama da violência, mas empreende um genocídio maior que qualquer surto de violência urbana. É uma necessidade urgente o impeachment de Bolsonaro e de toda a camarilha que toca esta política.

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