Bolsonaro tem um grande obstáculo para as eleições de 2022, esse obstáculo é Sérgio Moro. Após anunciar ontem (23) a recriação do ministério de segurança pública, recuou da ideia por conta da forte reação negativa, não apenas de seu próprio eleitorado, mas do próprio Moro que declarou a interlocutores que se fosse desmembrado o ministério da justiça, que iria sair do governo.

A colocação de Moro no ministério da justiça foi uma manobra feita por Bolsonaro que, vendo a grande popularidade de Moro entre a sua base, resolveu dar grandes poderes a ele, concedeu órgãos como o COAF, que antes estava subordinado ao antigo ministério da fazenda (hoje ministério da economia), e fundir o ministério da justiça com o até então recém criado ministério da segurança pública.

 Além disso o ministério do trabalho, criado por Getúlio Vargas para ser um interlocutor entre os trabalhadores e o patronato, fora desmembrado por Bolsonaro tendo vários órgãos, como o órgão responsável pelos registros sindicais colocados nas mãos de Moro.

Durante o ano de 2019, Bolsonaro começou a ter grandes atritos com Sergio Moro, que passou de ser um ministro com carta branca para fazer o que quisesse, a um mero subordinado de Bolsonaro houve um longo caminho de desgaste na relação dos dois.

O primeiro desgaste dos dois foi logo no começo do mandato, em fevereiro, quando Moro teve que recuar da indicação de Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, após pressão vinda das redes sociais bolsonarismo que não aceitavam Szabó por considerá-la “esquerdista demais”, ainda que fosse apenas para um órgão consultivo sem poderes de fato.

Mas o caso mais emblemático foi em agosto, quando Bolsonaro decidiu remanejar o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro alegando “produtividade”. Isso gerou um grande atrito entre Moro e Bolsonaro, que deixou bem claro que o ministro era apenas um subordinado. A substituição soou como uma manobra para abafar as investigações do caso queiroz, que naquela época estavam a todo o vapor com operações e vazamentos de informação para a imprensa. No final de agosto o superintendente foi exonerado.

Sérgio Moro em diversas pesquisas sempre aparece com a popularidade maior que a do presidente. Visto por alguns setores da elite como uma alternativa viável e mais sóbria que Bolsonaro, não se afasta da linha dura repressiva e do neoliberalismo destrutivo de Bolsonaro, mas com tentáculos nos meios de repressão, ele poderia se utilizar da estrutura para impor uma ditadura com maior efetividade que Bolsonaro.

Se cogita o nome de Moro para o STF, mas ele sabe que com a popularidade que tem pode facilmente se tornar presidente, até mesmo vencendo Bolsonaro. Suas atitudes durante a lava-jato, uma parte na ocasião e outra parte revelada pelos vazamentos do site The Intercept demonstram sua ambição em ocupar a presidência, mas não nos enganemos, ele não quer ocupar como um presidente democrático, mas como um ditador, e é a rede de sustentação dessa ditadura que planeja, está sendo tecida como ministro da justiça. Moro é a pessoa mais bem posicionada no momento para se tornar ditador, e sua ascensão deve ser contida, juntamente com a presidência de Bolsonaro. A ignorância de Bolsonaro e o imobilismo da esquerda estão cobrando o seu preço.

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