Na noite do dia 16, o secretário especial da cultura, Roberto Alvim, para divulgar o Prêmio Nacional das Artes divulgou um vídeo na qual ele parafraseia o ministro da propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, como denunciado pelo site de mídia alternativa, Jornalistas Livres

“A arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo – ou então não será nada.” declarou o ministro em seu pronunciamento com trilha sonora de Richard Wagner, compositor preferido de Hitler.

A frase original de Goebbels:

“A arte alemã da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada.”

Claramente no vídeo se denota uma estética fascista, no mesmo tom empregado na Europa dos anos 1930, passando uma ideia impositiva e unilateral de cultura na qual se considera que a atual cultura brasileira é destrutiva e inferior. Também tem em sua mesa uma cruz de caravaca (frequentemente confundida com a cruz de lorena) passando uma mensagem de que ele trabalha de certa forma para uma “cristianização da cultura”.

Depois de ser levada a luz a paráfrase feita de Goebbels, diversos setores da sociedade se manifestaram contra a referência ao discurso do ministro nazista feita por Alvim. Esse episódio também indispôs o governo com as representações do movimento sionista no Brasil a qual o presidente Bolsonaro já manifestou apoio em diversas oportunidade. 

O holocausto cometido pela ditadura nazista contra as populações judias, ciganas, polonesas e eslavas, além dos opositores políticos cuja a quantidade de mortos ao todo é estimada entre 11 e 15 milhões de vítimas sendo 6 milhões só de judeus, é um dos pilares de sustentação da legitimação da existência do estado de Israel, pois a propaganda sionista vende Israel como um lar seguro para onde pode se “refugiar o povo judeu”.

Após a repercussão do caso, principalmente entre a comunidade judaica e o movimento sionista, o presidente Bolsonaro demitiu Roberto Alvim no começo da tarde de sexta-feira (17).

Não nos enganemos em relação a demissão de Roberto Alvim, ele foi demitido não pela fala em si, mas pela repercussão que ela teve. Se a referência que fora feita tivesse passado em brancas nuvens Roberto Alvim ainda estaria com o cargo de secretário especial da cultura. 

A face nazista demonstrada por Alvim é a verdadeira face do governo reacionário de Bolsonaro, inimigo da cultura que caminha cada vez mais na construção de um estado fascista, incentivando com seu silêncio atentados terroristas contra humoristas opositores, além de existir diversos projetos de cunho fascista e repressivo colocados em pauta pelos deputados da base bolsonarista. Esse é um sinal de alerta para que se combata o fascismo antes dele concluir a tomada total do governo.

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