Na política, assim como na vida, as coisa que fazemos, boas ou ruins, geram consequências que acabam retornando para nós algum modo, se não de forma proporcional, mas o caráter do retorno é o mesmo do que foi “plantado” anteriormente. Agora o Bolsonarismo encara essa “lei do retorno” de perto e três correntes estão se conjurando, de fontes distintas mas de forma simultânea, para colocar a prova o governo de destruição nacional de Bolsonaro.

A primeira delas é o passo para trás na tentativa do governo de esconder os números de infectados e mortos pela doença pandêmica, onde o governo desistiu de esconder os números, mas agora os apresenta de forma distorcida. A segunda corrente é o ataque que Olavo de Carvalho empreendeu a Bolsonaro e a alguns apoiadores, que segundo ele não age contra aqueles que desmascara e processa o astrólogo e chefe de seita, dando a entender que tem coisas a falar sobre o governo Bolsonaro. 

A terceira, e muito importante, são as manifestações contra o governo Bolsonaro, contra o Fascismo e o racismo que ocorreram em várias cidades no Brasil, ainda que em tempos de pandemia e desaconselhadas, foram muito maiores que todas as manifestações bolsonarismo anteriores, o que mostra a insatisfação popular contra o governo de destruição nacional, que pode evoluir para um processo de impeachment ou mesmo de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.

“Pedalada Sanitária”

O governo Bolsonaro nesta semana tentou uma ofensiva para esconder o máximo possível os dados da pandemia no Brasil. Primeiramente começou a atrasar a publicação dos dados, que antes eram feitos às 19h e passou para as 22h sem prévio aviso. Ao ser questionado sobre as mudanças, Bolsonaro disse “acabou matéria no Jornal Nacional”, dando a entender que era proposital o atraso. Como resultado, a TV Globo passou a dar os números em plantão assim que publicados, justo na hora do programa mais visto da emissora, a novela das 9. 

Como resultado disso o site do ministério da saúde ficou fora do ar no sábado (06), e os números totais, tanto de contaminados quanto de mortos, foram ocultados, só mostrando, quando o site retornou ao ar, com os números de novos casos e novas mortes. Carlos Wizard, dono da escola de inglês de mesmo sobrenome e que estava sendo cotado para assumir uma secretaria do ministério da saúde, soltou uma declaração numa entrevista que os números totais iam ser revistos porque, segundo ele, os governadores “estavam inflando artificialmente os números para conseguir mais verba”. Após repercussão negativa da declaração, Wizard desistiu de assumir a secretaria.

Agora o governo está publicando o número de casos mas alterou a metodologia de publicação, agora publica o número de mortos de acordo com a data do óbito e não mais a partir da data de confirmação como é feita no resto do mundo, o que obriga os jornalistas a reverem os balanços todos os dias desde o início da série histórica para  saber o número real de novos casos e novas mortes confirmadas, como é no resto do mundo.

Guru pidão

Também no fim de semana, o guru e chefe de seita, Olavo de Carvalho, falou em aula de seu interminável e pretenso “curso de filosofia” uma série de críticas a seus apoiadores, a Luciano Hang, quem chamou de “palhaço vestido de Zé Carioca, mas suas maiores críticas foram dirigidas a Jair Bolsonaro. Segundo o chefe de seita, o presidente não está ajudando em nada, que apesar de estar sendo “perseguido por todos os lados” por um “gabinete do ódio da esquerda” e que Bolsonaro não age para defendê-lo.

Juntamente a estas críticas, Olavo declarou que poderia até mesmo derrubar o próprio presidente caso não fosse feito nada para ajudá-lo “nem que seja com dinheiro ou advogados”, insinuando que tem algum trunfo que pode ser usado caso não faça nada para defendê-lo. Isso aconteceu porque o chefe de seita está sofrendo diversos processos por calúnia e difamação, além de estar sendo cobrado judicialmente a pagar uma multa multimilionária no caso que publicou insinuações que relacionam o cantor Caetano Veloso a pedofilia.

Após o vídeo ser publicado, Luciano Hang então começou a se mexer e começou uma vaquinha entre empresários para pagar as despesas judiciais de Olavo de Carvalho e o chefe de seita voltou a apoiar o governo de novo.

Não é a primeira vez que Olavo de Carvalho pede dinheiro para custear supostas emergências que o acometem. Em 2018, Olavo teve que fazer um tratamento de saúde após sofrer com problemas pulmonares em decorrência de seu famoso tabagismo “militante”, como os EUA não tem um sistema de saúde gratuito como o SUS, Olavo se enrolou com impostos e começou uma campanha para arrecadar dinheiro para o pagamento dos impostos ao leão estadunidense.

Os atos democráticos de Domingo

Mas aquilo que mais está balançando o governo de demolição nacional são as manifestações democráticas de domingo (07), que mesmo estando sob diversas restrições por causa da pandemia, ainda sim foram grandes. As manifestações contra o fascismo, o racismo, pela democracia e pelo Fora Bolsonaro foram bem maiores que todos os atos fascistas, desde 15 de março juntos.

A quase totalidade dos atos ocorreram de forma pacífica, mesmo em São Paulo, a repressão ocorreu após o fim do ato, quando um grupo de manifestantes queriam terminar o ato na Avenida Paulista, o que levou a confrontos com a PMESP, que abusou da autoridade quando bateu em um grupo de manifestantes já rendidos pela polícia.

Um governo estremecido

A reação de Bolsonaro a todos estes eventos foi de afastamento, está ensaiando um recuo estratégico para tentar fazer o papel de “vítima da esquerda”, por isso agora é a hora de colocar o governo na lona. Não é mais possível o Brasil aguentar um governo que esconde dados de uma pandemia, queimando a imagem do Brasil, internamente e externamente. Nenhum país irá abrir as fronteiras para os brasileiros se eles não confiarem nos dados que pelo ministério da saúde são apresentados, já que na dúvida perante o risco de um segundo surto de uma doença séria, vão preferir fechar as fronteiras.

Além disso, Olavo de Carvalho, mesmo silenciado por agora, mostrou que pode ser o homem bomba do governo, já que além de saber podres sobre ele, ainda por cima tem sob controle dos seguidores de sua seita as páginas desinformativas que são usadas para propagar as notícias falsas. Qualquer racha que Olavo venha a ter com o bolsonarismo pode ser a morte do governo Bolsonaro, já que ele perderias os meios de mobilização de seu rebanho.

Todos estes fatores, apesar de terem origens em diferentes áreas, mas são respostas a atitudes antidemocráticas do governo de destruição nacional, que longe de fazer algo para combater a pandemia, só esconde dados e planta discórdia, agora colhe tempestade. Temos que seguir firmes para derrubar este governo antes que ele derrube o Brasil.

Leia Também:

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.