O estado tem como função primária em todas as sociedades de manter o bom funcionamento do sistema socioeconômico vigente, seja ele qual for, mesmo que para isso tenha que aparar certas arestas dele, limitar certos aspectos e atitudes autodestrutivas que estão no âmago de todos os sistemas socioeconômicos que existem ou já existiram. A onda neofascista que varreu o mundo, apesar de ter sido algo extremamente desejado pelas elites, já que o sistema capitalista está em uma insolúvel crise já a bastante tempo, mas está se voltando cada vez mais destrutiva até mesmo para o gosto dessas elites.

A prisão de Steve Bannon hoje (20) por conta de denúncias de fraude fiscal na campanha “We Build the Wall” (Nós Construiremos o Muro), é mais um capítulo, não para acabar com a onda fascista que assola os EUA e o mundo, mas apenas para deixá-la dentro de certos limites. Nesse sentido, apesar de Bennon não fazer mais parte da equipe do governo Trump desde agosto de 2017, mas a sua prisão pode ter o peso equivalente para Trump da prisão do Fabricio Queiroz para Bolsonaro, uma forma da ala majoritária da elite de controlar Trump e seu comportamento destrutivo para o sistema ou “deixar Trump na linha” em um momento que os EUA está no início da campanha eleitoral para a presidência. Porém, a prisão de Bennon também pode impactos em outras partes do mundo como o Brasil.

A prisão de Steve Bennon deixa em aberto o destino da organização internacional criada por ele chamada “The Movement” (O movimento), que na América Latina é liderada justamente por Eduardo Bolsonaro, que é uma espécie de “internacional neofascista”, e que é uma articulação desses movimentos fascista em vários países. Estes movimentos tem como modus operandi comum entre eles a geração de falsas narrativas baseadas em notícias falsas para mobilizar o público para o seu programa antidemocrático, sempre carregado com um forte moralismo, dá ênfase no combate ao chamado “marxismo cultural” e as pautas identitárias e do combate aos direitos da população.

No mundo, há uma campanha mundial que se aproveita desse modus operandi dos movimentos incentivados por Bennon para aumentar a censura na internet e sufocar os pequenos meios de informação, em detrimentos dos grandes conglomerados de mídia. Tudo isso é uma das formas que a ala majoritária da elite imperialista tem para aumentar o seu poder, ao mesmo tempo, é um dos lados da estratégia de pinça que vem empregando para colocar certos limites institucionais ao lado mais destrutivo destas forças. 

O fascismo, ao mesmo tempo que não tem pudor em implementar medidas antipopulares junto com medidas de força para diminuir a ebulição das massas e a ruptura do sistema, mas também ele se alimenta de uma sensação de urgência, de um instinto de paranoia, onde inimigos visíveis e imaginários estão agindo para derrubar o governo e os valores morais e que para combater estas ameaças são necessárias cada vez mais medidas de força contra os inimigos internos, tanto os reais quanto imaginários. 

Esse tipo de pensamento além de servir, a depender da situação, de combustível para tensões sociais, ainda por cima pode se voltar contra determinados setores tradicionais da elite, que de mandatárias podem se tornar reféns, já que esse tipo de governo costuma conspirar ativamente para se livrar de qualquer tipo de amarra a seus impulsos, sejam elas do povo, ou as que um estado tradicionalmente impõe ao próprio sistema que o sustenta para evitar que se auto destrua.

A prisão de Bennon é mais um capítulo na luta interna da elite imperialista mundial para colocar um controle no crescente fascismo, não para combatê-lo ou preservar qualquer direito democrático, mas sim para evitar que ele alimente ainda mais comportamentos auto destrutivos dentro do sistema. No próximo período, como adiantado por nossa humilde página, terá no mundo inteiro após a crise da pandemia, uma crise da dívida pública, que para ser resolvida será necessária uma devastação sem precedentes de direitos, mas para fazer será necessária a implementação de um regime de força.

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