Nesta quarta-feira (14), a polícia militar do Ceará começou um motim para conseguir aumento do salário, bloqueando quartéis e batalhões de todo o estado. Porém o senador licenciado Cid Gomes, irmão do ex-candidato a presidência e ex-governador Ciro Gomes, tentou desmontar uma dessas barricadas na cidade de Sobral onde tem a família tem sua base eleitoral.

Mas o senador licenciado tentou acabar com uma dessas barreiras com uma retroescavadeira com o qual tentou derrubar o portão de um quartel com policiais e suas famílias fazendo um cordão humano. Como praticamente anunciado pela circunstância os policiais amotinados então abriram fogo contra Cid atingindo-o no peito esquerdo, não chegando a atingir o coração. 

O Ceará mergulhado no dia do errado, com o povo acuado por uma polícia amotinada, com os políticos locais reagindo a esta situação seríssima da pior maneira possível, literalmente, passando o trator por cima dos policiais.

É uma greve ilegal, que contraria a constituição no artigo 142, parágrafo 3° inciso IV, e confirmada por decisão do STF de 5 de abril de 2017. Logicamente o salário dos policiais, assim como o do restantes dos servidores públicos está defasado não só no Ceará, mas na maioria dos estados brasileiros, o que leva a uma questão importante, mas que a direita colocou um manto ruim sobre ela, que é a constituição de uma polícia cidadã e democrática no lugar das atuais corporações militarizadas.

Numa democracia, todos devem ter o direito de ter sua voz ouvida, inclusive os militares. O que deixa a questão complexa, entretanto, é o fato de ser uma categoria armada e militarizada, sendo treinada não para serem construtores da paz, mas para ser a retaguarda do exército em tempos de guerra. 

Esta situação torna a PM uma instituição que gera tensão tanto fora dos quartéis quanto dentro, pois não foi constituída para ser uma instituição democrática que trate o cidadão comum como cidadão, mas, como uma instituição autoritária que impõe terror tanto dentro quanto fora dos quartéis, contribuído cada vez mais para aprofundar o caos da segurança pública no país.

Uma polícia cidadã teria seus comandantes locais escolhidos por voto popular, como acontece até hoje nos EUA, na tão famosa figura dos xerifes. Numa democracia de fato, não apenas os comandantes da polícia seriam eleitos pela comunidade, mas também os juízes, mas num país onde duvidar da deidade de um magistrado pode te render uma noite no xadrez e 5 mil de indenização para a divindade já seria uma grande vitória.

Uma polícia cidadã permitiria maior representatividade da categoria junto ao governo e a sociedade, que além de criar uma polícia mais humanizada, tanto para os cidadãos quanto para os próprios policiais, evitaria que as tensões contidas nos quartéis estouraram nas ruas como acontece hoje no Ceará e já aconteceu muitas vezes. 

O dia do errado no Ceará poderia ser evitado se tivéssemos esta polícia cidadã já nas ruas, mas para a demolidora Bolsonaro que está interessada em implantar uma ditadura aberta no Brasil, uma polícia democrática, no lugar das atuais Polícias Militares autoritárias por natureza seria inaceitável, já que uma polícia cidadã e democrática é construtora da paz e a demolidora Bolsonaro necessita da guerra, principalmente contra os pobres que o presidente e seus asseclas odeiam.

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