Numa surpreendente reviravolta da história, o autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó perdeu a presidência da Assembleia Nacional da Venezuela, para o também oposicionista, Luiz Parra. Com essa derrota Guaidó perdeu a única base “legal” para a sua “presidência” da Venezuela e assim, agora só tem oficialmente o cargo de deputado.

A imprensa direitista ligada aos interesses norte-americanos espalha a versão de que Juan Guaidó foi impedido de entrar no congresso, e que o congresso estava esvaziado. Entretanto o quorum no momento da votação era de 151 parlamentares, e que pelas regras da Assembleia Nacional da Venezuela, para se eleger o novo presidente da casa basta maioria simples dos presentes (50%+1 ou 76 votos).

Mas a um ano atrás, Guaidó era aclamado como presidente, reconhecido por mais de 50 países, sua queda foi colossal a tal ponto de rachar a oposição, fazendo parte dela buscar um acordo com o governo legalmente estabelecido de Maduro. O que faz a gente se perguntar, como que isso aconteceu?

Para entendermos essa queda  colossal temos que ver o que aconteceu de um ano pra cá, não apenas os fatos conhecidos como o fracasso da tentativa de envio de uma suposta “ajuda humanitária” para a Venezuela, que quase causou um confronto regional e a tentativa de golpe de estado no dia 30 de abril, fracassada também, mas os outros acontecimentos que foram escondidos pela grande mídia porque simplesmente não era conveniente para o império. 

Logo após o fracasso da tentativa burlesca de golpe de estado no último dia de abril, Juan Guaidó, que em qualquer outro lugar do planeta teria sido preso sob a alçada de algo do gênero “lei de segurança nacional “, permaneceu livre dentro da Venezuela, mas sem qualquer poder de fato dentro dela e isso começa trazer rachas internos e escândalos dos mais variados gêneros. 

A começar pelo aparecimento de fotos do próprio Guaidó com membros de uma milícia paramilitar narcotraficante de Colômbia, fotos essa datadas do dia da fracassada tentativa de envio de suposta “ajuda humanitária ” para lá. Isso começou por trazer desgaste a imagem de Guaidó, o que infelizmente não foi o suficiente para sua prisão, mas como diz o ditado, nada é tão ruim que não possa piorar.

Em Junho, surgiram denúncias de que varias figuras da oposição venezuelana estariam desviando dinheiro de “ajuda humanitária” e verbas que eram do tesouro venezuelano, mas bloqueados pelas sanções norte-americanas para o “governo” autoproclamado da Venezuela, estariam sendo usados por esses elementos para uma verdadeira vida de luxo na Colombia, em hotéis caríssimos, boates de luxo, e lojas de grife. 

Toda essa situação do governo paralelo que não se tornava oficial criou uma divisão interna dentro da oposição venezuelana, de um lado, o grupo político de Guaidó e Leopoldo Lopes do Voluntad Popular, que tinham a sua disposição, bens de embaixadas em vários países que se alinharam com os EUA contra Maduro e verba de transações do governo venezuelano que era desviado para esse agrupamento pelas sanções impostas pelos EUA, que permitiam eles disfrutarem das benécias do poder sem ter que tomar decisões complicadas, ou preocupação com o povo.

E do outro lado, a ala majoritária da oposição que durante esse período viram seu poder e protagonismo se esvair todo para o Voluntad Popular, juntamente com a série de escândalos que sacudiu o “governo” autoproclamado. Isso fez com que eles buscassem um acordo com o PSUV e o governo de Maduro para a instauração de uma normalidade institucional, retirando Guaidó ao término de seu mandato, no dia 5 de janeiro.

O autoproclamado, no espírito das autoproclamações, se autoproclamou presidente da Assembleia Nacional, na redação de um jornal opositor, onde se encontrava mais jornalistas do que deputados, não foi para a Assembleia Nacional na hora determinada e já no transcurso dos trabalho tentou ingressar pulando a cerca para se dizer “vítima de um golpe parlamentar”.  Mas afinal, o que é a doideira de se autoproclamar presidente do congresso, se você já se autoproclamou presidente da república.

A imprensa direitista alardeia de que a Venezuela é uma ditadura, tão ditatorial ao ponto da pessoa que se autoproclamou presidente da república, tentou um golpe de estado subornando soldados, libertando um elemento condenado por diversos crimes, e que estava em prisão domiciliar, estar livre até hoje.

Nem preciso falar que em qualquer outro país da face da terra, ele seria preso e condenado, mas agora é apenas um derrotado, que luta para que seus pares de golpismo o levem a sério. Mais uma vitória para o valente povo da Venezuela.

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.