O Neoliberalismo (sim, este é o termo correto e já expliquei em outra análise) é um modo de gestão do estado que foi implementado pela primeira vez durante a sangrenta ditadura de Augusto Pinochet, que junto com um grupo de economistas vindos da Universidade de Chicago chamados de “chicago boys”, implementou um choque econômico que destruiu os mecanismos de bem estar social que existiam no Chile daquela época. Como o livro “A Doutrina do Choque” (que também tem um documentário com o mesmo nome disponível no youtube) da jornalista Naomi Klein mostra, somente em uma ditadura muito dura com o povo ou numa “democracia” muito frágil é que estas ideias conseguem ser implementadas.

Não é coincidência que justamente quando as liberdades democráticas estão mais ameaçadas no Brasil que o neoliberalismo retorna com tudo, e justamente com um dos presidentes mais antidemocráticos dos períodos democráticos de nossa história (e olha que já teve muito presidente antidemocrático na primeira república e na república de 46). Agora, Bolsonaro como não pode implementar uma ditadura para se perpetuar no poder por conta do cerco feito contra ele, entrou em modo pré-campanha eleitoral de 2022. 

Porém, ele viu que se implementasse agora as medidas neoliberais exigidas dele perderia a eleição, mas uma das condições que a elite coloca para tolerá-lo é justamente ele implementar as medidas draconianas contra o povo. A última jogada da elite para pressionar Bolsonaro a implementar estas medidas neoliberais foi a saída do governo na terça (11) do secretário de privatizações e do secretário de desburocratização com Paulo Guedes dando o recado que furar o teto de gastos é pavimentar o caminho do impeachment. Isso mostra o beco sem saída na qual o neoliberalismo entrou e está levando o Brasil, onde mesmo destruindo o estado brasileiro, o risco do calote da dívida e da hiperinflação nunca estiveram tão próximos.

Isso acontece porque mesmo com os duríssimos cortes realizados contra o povo desde 2015, mas ainda o estado brasileiro não chega nem perto de gastar menos do que arrecada. Isso ocorre porque o problema não está num suposto “excesso de gastos”, muito pelo contrário, se comparado a outros países o Brasil gasta pouco em relação ao PIB, mas sim por causa de uma queda prolongada na arrecadação, causa não por poucos impostos, mas sim por uma queda da atividade econômica relacionada ao esgotamento do modelo de exportação de commodities. 

Em 2014 (como já falei em uma das primeira análises na página) houve uma queda de 75% no valor das commodities, por exemplo, o preço do petróleo brent caiu de 100 dólares no começo de 2014 para 25 dólares em 2015, levando muitos países para a bancarrota, e o Brasil não foi exceção. Como uma amostra da dependência econômica do Brasil, o preço do dólar foi de R$ 2,20 para 4 reais e a inflação disparou, chegando ao patamar de 10% ao ano.

Como falei em outro artigo recente, numa crise da dívida só existem dois caminhos, ou você corta todos os gastos públicos e direitos da população a tal ponto de jogar a economia numa grande recessão e a população na pobreza e no desemprego, ou você gera uma hiperinflação que vai levar o país a uma onda de greves que é explosiva política. A elite prefere a primeira opção, já que uma recessão aguda afeta os setores menos politizados da população, o que faz demorar uma reação política da mesma, e quando ela acontece, normalmente é um surto de raiva e violência desorganizada.

Após a ameaça de impeachment na cara dura, o governo anunciou diversos cortes, a começar pela educação que terá um corte de 18% em 2021 em relação a verba deste ano em um momento onde a educação está muito fragilizada pela paralisação causada pela pandemia. Teme-se também que após a pandemia o ministério da saúde e o SUS sofram cortes cavalares de verba, que poderá jogar a população em um nível de pobreza sem precedentes na história.

Tudo isso aprofundará ainda mais a crise na qual o Brasil já está por conta da crise de modelo econômico de 2015 aprofundado pela grande depressão causada pela pandemia global. A única forma do Brasil sair dessa crise é com um novo modelo econômico, que construa uma economia voltada para as necessidades do povo brasileiro e não para as necessidades do mercado internacional que deu provas suficientes de que já passou os seus melhores dias.

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