Que o Brasil nunca foi plenamente independente isso é um fato, já que a tal Independência que foi proclamada às margens do Ipiranga no dia 7 de setembro de 1822, nunca foi uma Independência de fato, Apesar de ter sido uma independência política, mas nos tornamos e economicamente dependentes da Inglaterra, E ainda por cima controlados por um membro da família real da antiga Metrópole. Essa Independência longe de ter sido Libertadora, ela foi feita apenas para que as coisas permanecessem como estavam naquela época.  

A Maior ruptura com esse modelo excludente e colonial que aconteceu no século 19, foram dois eventos que ocorreram quase na mesma época e que estão interligados entre si, abolição da escravidão e a Proclamação da República. No século 20, o Brasil experimentou um avanço tremendo em muitos aspectos da vida se comparado ao que existia antes, uma modernização sem precedentes em sua história, graças a Getúlio Vargas e a seus dois governos contraditórios (assim como quase tudo no Brasil). Toda essa modernização quase foi posta a perder pelas políticas neoliberais dos anos 90, mantidas de forma precárias sobre o governo Lula, mas que estão novamente ameaçadas graças ao projeto de destruição dos golpistas que tomaram o poder em 2016.

A história do Brasil muitas vezes acontece como o ditado popular “escrito certo por linhas tortas”, mas o que está acontecendo, não é simplesmente a escrita de um novo capítulo, mas o total a pagamento de todos os avanços que ocorreram no Brasil desde os anos 1930, e mais além. Estar ocorrendo a destruição não apenas do estado brasileiro (algo que de certa forma era previsto após o golpe de 2016),  mas também das conquistas civilizatórias do Brasil, que vem sendo sucessivamente destruídas deixando no lugar apenas terra arrasada. 

O ideal da mistura de valores de culturas e tradições religiosas diferentes para a constituição de uma cultura própria do Brasil foi substituído pelo fundamentalismo religioso de determinadas correntes Neo pentecostais e da Renovação Carismática Católica, que vem convertendo Brasil  pouco a pouco em uma teocracia Cristã fundamentalista, com perseguição a opositores políticos e ideológicos, criminalizando pensamento crítico e das ideologias que se oponham as deles. É claro que não podemos esquecer que antes disso já houve uma perseguição religiosa em marcha no Brasil desde muito tempo, principalmente contra as religiões de matriz africana, mas agora essas correntes fundamentalistas cristãs estão se apoderando do estado, das comunicações, e se conjugaram com as forças mais reacionárias dentro do aparato militar brasileiro e das forças neoliberais distribuidoras da economia nacional para criação de um estado fundamentalista na qual transforma Brasil em uma versão neoliberal Cristã da Arábia Saudita.

Cada vez mais o pensamento crítico, o conhecimento científico histórico acumulado durante anos e anos de luta contra o pensamento retrógrado que sempre persistiu entre as elites brasileiras, que pensavam (e de certa forma ainda pensam) de que a população não precisava se educar, que não precisava nem ao menos ser alfabetizada (tanto que ainda temos 8% de analfabetos no Brasil enquanto o resto do mundo desenvolvido erradicou o analfabetismo), agora enfrenta o seu maior desafio. com corte de verbas para pesquisas científicas (até mesmo para pesquisar tratamentos e curas contra covid-19), destruição gradativa das universidades públicas com o desmantelamento de mecanismos de manutenção da pouca autonomia universitária que existe, o aumento do controle ideológico do que é ensinado nas universidades e a desqualificação do conhecimento científico para o grande público, o pensamento científico no Brasil passa por um perigo, comparável apenas a destruição da Biblioteca de Alexandria no final do Império Romano e o martírio de Hipátia pelas mãos do fundamentalismo cristão.

As forças militares, que longe de terem sido purgadas dos torturadores e facínoras que a dominavam desde antes do golpe de 1964, voltou a ser uma ameaça real aos poucos direitos democráticos conquistados após a queda da nefasta ditadura Militar-Fascista. Após 30 anos, voltaram a ter um governo que podem chamar de seu, com Bolsonaro, um leal capacho das forças nefastas que dominam o que deveria ser as linhas de defesa do Brasil perante ameaças externas, cada vez mais transformam o Brasil em um conglomerados de feudos, cada um com os seus cavaleiros ladrões, que pretendem, a exemplo do Chile, se manter como uma casta privilegiada e extremamente rica jogando o povo na mais absoluta miséria e ditadura. 

Mas esse problema não é culpa apenas de Bolsonaro. O governo fraco do PT, longe de ter colocado estas forças em seus devidos lugares (longe das tropas e na cadeia), preferiu enchê-los de dinheiro, para que ficassem bonzinhos, mas os militares seguiram aquele verso do rapper “ quanto mais você tem, mais você quer” e agora estão dominando quase todos os poderes da república, estando até mesmo ameaçando o STF em público, quando o máximo órgão da justiça brasileira tenta impor algum limite mínimo as peripécias dos generais no poder.

Junto a essa camarilha de fundamentalistas cristãos e do generalato fascista está o mercado financeiro. Para atender a gula sem limites da tal “mão invisível” e aos bancos saqueadores da riqueza nacional, essa camarilha patrocina toda essa destruição citada no texto, com o fim de acabar com o que resta de estado de bem estar social no Brasil, para se apoderar de todas as riquezas de nosso país. Essa camarilha não vai sossegar até causar a completa destruição de nosso povo, já que pouco se importa com a vida humana, com o pensamento crítico ou mesmo a tal “liberdade” que dizem tanto defender. Liberalismo para eles não é a liberdade para que o povo possa definir o seu destino ou que se manifeste livremente, mas sim a liberdade de roubar o país inteiro, até o último suspiro tênue de vida.

Toda essa camarilha já mostrou que não tem qualquer consideração a vida humana (mesmo aquela que se diz “pró-vida”) na pandemia ocorrida este ano. Enquanto países como a China, que essa camarilha pinta como “ditadura perversa e mortal” só teve menos de 5 mil mortos pela doença pandêmica, no Brasil até agora, quase 130 mil morreram pela doença, sendo que a China tem uma população 7 vezes maior. Longe de fazerem qualquer política para diminuir a gravidade da doença no país com métodos que já estavam claro para todos no começo da transmissão dela, em março, o que se viu foi a sabotagem sucessiva das poucas medidas feitas por estados e municípios, que apesar de não terem a mesma estrutura da união, mas tentaram fazer alguma coisa.

Infelizmente, longe de ter combatido a pandemia, o governo federal ameaçou com prisão estes gestores que tentaram fazer algo, e por causa disso cederam a pressão e acabaram com o isolamento antes de qualquer queda no número de casos, o que jogou o país em uma situação única no mundo do chamado “platô” no gráfico de casos, que somente agora tem uma real tendência de queda.

O Brasil de 2020 é uma terra arrasada, com uma economia dependente de exportações minguantes, com uma doença mortal, que ao contrário do resto do mundo, está completamente fora de controle, com uma camarilha de fundamentalistas cristãos, militares fascistas e sacerdotes do “Deus mercado” que destroem as liberdades democráticas, o pensamento crítico, a ciência e a pesquisa científica e as condições de vida de nosso povo, jogando esta terra, que já foi o país capitalista com o maior crescimento econômico da terra (com níveis comparáveis às da URSS dos anos 1930) para uma crise sem precedentes em nossa história. 

Somente com uma luta para libertar o Brasil dessa camarilha de bandidos que dominaram ele, é que se pode recuperar o que foi perdido em tão pouco tempo. O Brasil, longe de ser um caso perdido como esses bandidos do planalto querem fazer o povo pensar, pode se tornar uma superpotência mundial, temos um povo capaz e riquezas naturais que permitem fazer isso, mas sem profundas mudanças no regime político-econômico de nossa terra, cada vez mais nos afundaremos nesta situação calamitosa. Ainda dá tempo para recuperar o Brasil, mas o tempo está se esgotando e há muito trabalho pela frente, até mesmo para mudar um pouco a nós mesmos

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