A 18 dias os petroleiros estão em greve no Brasil. Apesar de pouco noticiado, a greve é a maior desde 1995 com mais de 60% de adesão e foi iniciada quando a petrobras anunciou o fechamento da fábrica de fertilizantes nitrogenados no Paraná, com a demissão de 1000 trabalhadores, rapidamente se tornando uma grande greve contra o desmonte da Petrobras

Mas na noite de segunda (17) para terça (18) o juiz Ives Gandra Martins Filho, notório conspirador dos direitos dos trabalhadores, declarou a greve ilegal e estipulou multas que vão entre 250 mil e 500 mil reais para cada dia de greve aos sindicatos que participam. Este é um dos mais graves ataques a grande greve dos petroleiros, mas não é o único.

No dia 4 de fevereiro, ainda no começo da greve, o TST sob o controle do mesmo Ives Gandra Filho, determinou o absurdo de que 90% dos petroleiros se mantivessem em atividade durante a greve. Ou seja, na prática seria como se não existisse greve alguma. Dois dias depois, o mesmo juiz do TST determinou o bloqueio das contas dos sindicatos que participam da paralisação para sufocar financeiramente a greve. Além disso, na mesma sentença do dia 6, Ives Gandra Filho autorizou a Petrobras a contratar trabalhadores temporários para furar a greve.

Não contente com os ataques do TST a greve, a Petrobras buscou no STF liminar concedida pelo ministro Dias Toffoli no dia 12, na qual estipula multas milionárias contra os sindicatos dos petroleiros, além de validar as decisões anteriores do TST sobre a greve.

A Petrobras, como comprovado pelo vazamento dos documentos secretos da NSA obtidos por Edward Snowden, era um dos alvos preferenciais dos EUA em relação a espionagem no Brasil, espionagem essa que levaria um pouco mais tarde a operação Lava-Jato, que nada mais foi que uma operação de Lawfare contra o PT e as grandes companhias brasileiras, como a Petrobras.

Desde o golpe de 2016, sob a gestão Temer, vem sendo empreendido pelo governo um grande programa de desmonte da companhia chamado de “programa de desinvestimento”, na qual diversas subsidiárias vem sendo privatizadas, como por exemplo a BR Distribuidora, já sob gestão da demolidora Bolsonaro, que se quisesse mesmo repassar a baixa no preço dos combustíveis, como na jogada do ICMS do começo do mês, não teria privatizado está subsidiária.

Porém, o objetivo central do governo com essa política não é melhoria alguma de serviços, mas sim a completa privatização da Petrobras em pedaços, com o seu completo esvaziamento, até chegar ao momento de que a companhia esteja tão esvaziada a ponto de ser dissolvida com uma canetada.

Mesmo que você ache que a privatização é a melhor saída do universo (o que é muito longe da realidade), ainda sim o direito a greve é um direito democrático, previsto em constituição, na qual é por meio do exercício deste direito e da organização sindical que os trabalhadores têm sua voz ouvida pelo patronato. As relações de trabalho estão longe de ser igualitárias e justas, existe muito abuso por parte das empresas, e a única forma do trabalhador ter uma efetiva ação no sentido da defesa de seus direitos e da denúncia das péssimas condições de trabalho justamente o exercício da greve e da atividade sindical.

O que vem ocorrendo com os petroleiros é uma amostra de que mais este direito democrático vem sendo sistematicamente atacado, entre tantos outros direitos democráticos que vem sendo atacados de forma sistemática e contínua desde a virada do ano. Mesmo quando os magistrados são obrigados a seguir a lei ou a decisões liminares em favor dos direitos democráticos, deixam claro em suas sentenças a sua ânsia em atacá-los. Porém, enquanto houver gente na rua a lutar pelo livre exercício dos direitos democráticos ainda há uma esperança, e os petroleiros na madrugada do dia 18 já anunciaram:

A GREVE CONTINUA!

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