Produtos como óleo de soja têm limitação de unidades vendidas para assegurar estoques e evitar desabastecimento

O IBGE publicou hoje o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de agosto e só comprovou o que já constatamos todos os dias na prática, que a inflação está alta, principalmente a inflação referente a alimentos e bebidas. Ainda que o índice geral tenha reduzido de 0,36% em julho para 0,24% em agosto, mas no mesmo mês do ano passado foi de 0,11%. O índice de alimentos e bebidas deu um salto de 0,01% em julho para 0,78% em agosto, contribuindo para a manutenção de um índice alto mesmo com a economia em marcha lenta após a reabertura. 

O Índice de Setembro costuma ser um índice baixo, já que a atividade econômica neste período costuma também ser baixa, sendo os meses com o maior índice inflacionário dezembro e janeiro. Porém com a pandemia, meses que deveriam estar com a inflação na média como abril e maio, ficaram com um índice negativo (deflação), devido a paralisia da economia por conta das medidas de distanciamento social, portanto, o índice de agosto é o primeiro que mostra a real situação após a reabertura e como costuma ser um mês de baixa atividade econômica, o que esse índice mostra é que estamos perto de uma crise inflacionária. A única medida concreta anunciada pelo governo Bolsonaro até agora é a isenção de impostos para a importação de itens da cesta básica, o que não diminui o problema já que ele é causado justamente pelo aumento das exportações de matérias-primas e alimentos.

Como já dito na matéria de ontem, diferentemente de uma economia desenvolvida, uma economia voltada para satisfazer apenas as vontades do mercado exterior, sofre grandes ondas inflacionárias mesmo sem sofrer qualquer problema relacionado a guerras ou a destruição da produção nacional. Isso porque até mesmo o suprimento necessário para que se exerçam as atividades produtivas num país como o nosso são importados, e portanto, mesmo produtos produzidos aqui no Brasil sofrem enormes aumentos de preço com a variação do preço do dólar (que teve uma grande alta no começo da pandemia e que até agora não reduziu para os patamares anteriores), ao mesmo tempo em que os outros países importam mais produtos nossos, já que para eles ficam muito mais em conta esses mesmos produtos.

A única forma que existe para atacar este problema inflacionário a curto prazo seria com a limitação das exportações de alimentos, que apesar de ser prejudicial para balança comercial, mas permite que sobrem mais produtos no mercado interno, puxando os preços para baixo. Trazer produtos de fora em um país que é simplesmente “o celeiro do mundo” é completamente inócuo, já que estes produtos virão com os preços tão elevados quanto o preço dos produtos vendidos hoje internamente.

Essa incompetência da equipe econômica do ministro Paulo Guedes, que mesmo para os padrões neoliberais mostra-se em um patamar como poucas vezes visto na história, não conseguiu organizar direito o auxílio emergencial e o auxílio para as pequenas e médias empresas, com muitas dessas médias e pequenas empresas quebrando nesse momento  (mesmo com a reabertura), e a pretensão de cortar o auxílio pela metade para a população mesmo em um momento de alta inflacionária, com o corte abrupto do poder de compra do povo,principalmente dos mais pobres. Essa é uma pequena amostra do que o governo de destruição nacional liderado por Bolsonaro está reservando para o pós pandemia.

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