No final de 1991 a União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas estava sendo liquidada, apesar de um referendum com ampla participação popular que havia dado a vitória para os partidários da manutenção da união destas repúblicas. Os EUA diante a este cenário, onde o adversário de maior envergadura que este país de 215 anos (na época) havia encarado, estavam em êxtase com a destruição desta república socialista. Se falava nesta época em “fim da história”, em “supremacia da democracia”, em uma nova era democrática para toda a humanidade.

Em apenas 30 anos, os EUA passaram de ser o grande vitorioso para a grande potência doente. Doente literalmente, um dos países onde a pandemia mais matou, onde o racismo ainda graceja dentro das instituições, onde o povo está mais pobre do que nunca, onde o fascismo tentou um golpe de estado na tarde de ontem (06). Ao estilo das “revoluções coloridas” que viraram moda entre os espiões dos EUA em todo o mundo, principalmente no leste da Europa, na Ásia e mais recentemente na América Latina, o Capitólio dos EUA, a casa do legislativo dos Estados Unidos da América, foi assaltado por um grupo de fascistas armados, que tentaram impedir o equivalente no Brasil a diplomação dos eleitos, principalmente do presidente eleito Joe Biden.

Tudo isso motivado por uma pessoa que tem um discurso de “defesa da democracia” e do capitalismo contra o “malvado socialismo”, mas que em seu desespero diante de uma grande derrota nas urnas, incitou em discurso um pouco antes os seus seguidores, fanatizados e armados para “pressionarem o congresso” a não ratificar a vitória de seu adversário. Numa cena que poderia ter se passado muito facilmente na Guatemala, em Honduras, no Quirguistão ou na Sérvia, invadiram o parlamento. Neste assalto ao congresso, que mais parece cena de um dos muitos golpes feitos pelos serviços secretos dos EUA ao redor do mundo, 4 trumpistas morreram e dezenas de pessoas ficaram feridas, mas quem ficou machucado mesmo foram os EUA em cenas que lembram o melancólico fim da URSS.

Isso faz pensar em algo que a história tantas vezes demonstrou que estava correta, que não existem “instituições sólidas” o que existem são pessoas e pessoas se cansam, pessoas destroem, pessoas alteram e são alteradas pelo seu meio. A tal “democracia americana” foi ferida, não por seus detratores, terroristas que fazem juras de morte aos EUA, mas sim por aqueles que dizem defender os mesmos EUA destas pessoas. Hoje, todos aqueles que condenam de forma veemente o ocorrido nos EUA eram os mesmos que apoiam golpes na Venezuela e que apoiaram golpes na Bolívia, Brasil, Ucrânia, e em vários lugares ao redor do mundo. Eles estão provando do próprio veneno que injetaram no mundo.

Mas não podemos apoiar o trumpismo, que como os atos de ontem mostraram, pretendem implementar uma ditadura de tipo fascista, não apenas nos EUA, mas em todo o mundo. Ficar contra o trumpismo e seus capachos (como Bolsonaro) é fundamental neste momento, mas sempre apontando que os EUA foram os iniciadores desta onda, ao destituir e derrubar as lideranças legítimas em quase todo o mundo.

Os eventos de ontem são um sinal de alerta para nós brasileiros, de que a via eleitoral pode (e não será) suficiente para tirar Bolsonaro do poder. Assim como Trump, Bolsonaro já fala em fraude eleitoral e poderá incitar seus seguidores a fazer o mesmo que Trump, com um diferencial perigoso, Bolsonaro pode ter o apoio do exército para fazer isso.

Os eventos de ontem (06) nos EUA não são um sinal de força da superpotência, muito pelo contrário, é um sinal de absoluta fraqueza e impotência da elite estadunidense em controlar os destinos do próprio país. Os EUA estão dando sinais contundentes de uma queda, uma degeneração comparável ao que ocorreu com a URSS em 1991.

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.