Os EUA são tidos como um grande exemplo de democracia, a chamada “terra da liberdade” onde o povo tem direito de escolha não apenas sobre o que irá consumir mas também pode escolher livremente seus representantes, afirmação que nunca esteve tão longe da realidade quanto hoje. Donald Trump foi eleito em 2016 após uma eleição tumultuada, onde a candidata rival, a belicista Hillary Clinton teve mais votos que Trump (65,8 milhões para Hilary contra 62,9 milhões de Trump), mas não levou devido ao fato de que as eleições estadunidenses serem indiretas por meio de colégio eleitoral, os votos de Trump foram espacialmente mais espaçados, o que permitiu sua vitória.

Agora, para deter a reeleição de Donald Trump, o Partido Democrata lançou a candidatura do ex-vice presidente Joe Biden numa candidatura que tem apoio total da principal ala da elite estadunidense, inclusive de membros do Partido Republicano, principal rival dos Democratas. Ao mesmo tempo, Donald Trump após o fiasco de sua política para lidar com a pandemia e os protestos que eclodiram após o assassinato de George Floyd pela polícia local, Trump vem radicalizando ainda mais o discurso, não apenas contra a oposição interna mas contra a China, país que a quase totalidade da elite estadunidense quer enfraquecer. 

Trump, diferentemente do que faz parecer em seus discursos, está acuado. Sua popularidade, apesar de ainda se manter no mesmo patamar do início do mandato, não é o suficiente para vencer a eleição de forma majoritária. Ele tem consciência de que só venceu em 2016 por conta das distorções que o sistema eleitoral estadunidense tem e que é uma das grandes responsáveis pelo problema de representatividade no país. Como agora, por conta da pandemia o voto pelo correio poderá se largamente utilizado pela população, podemos ver um cenário bem diferente daquele de 2016 em termos da espacialidade de votos, e Trump já começou a disparar contra a lisura do processo eleitoral, ao dizer que pode não reconhecer os resultados eleitorais caso perca.

Esse é um cenário inédito na história política dos EUA, já que normalmente a elite política estadunidense colocava para que o povo escolhesse entre dois candidatos muito parecidos entre si no que defendia, sempre foi um sistema sem pluralidade de ideias, onde a simples sombra de qualquer dissidência se formando nesse jogo de cartas marcadas já era suficiente para uma campanha de perseguição do FBI.

Estas eleições estadunidenses serão únicas na história daquele país, pois, pela primeira vez em muito tempo ela é a confrontação real entre duas forças, ainda que dentro da elite estadunidense. Diferentemente de outras, onde a escolha era entre duas embalagens com o mesmo conteúdo, agora há, de fato, dois conteúdos diferentes entre si. A única coisa que os une é a política de enfraquecimento da China, mas ambos não são bons nem para o povo estadunidense, muito menos para o resto do mundo.

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