Como já disse na semana passada citando entrevista do senador Tasso Jereissati a Revista Época, a frente amplíssima que estava se desenhando não tinham a intenção de tirar Bolsonaro do poder, mas simplesmente “bota-lo na linha”. As últimas operações, tanto contra Fabrício Queiroz, operador do esquema de rachadinhas que por si só é ilegal mas com indícios de que esconde ainda mais ilegalidades, quanto contra a máquina de propaganda bolsolavista no âmbito do inquérito das Fake News e contra o grupo “300 de Brasília”, mostram uma política de cercamento por pinça realizado pela direita tradicional para controlar Bolsonaro.

As grandes bases de sustentação do bolsonarismo são justamente os olavistas e a máquina de propaganda e guerra cultural que controlam, setores do Exército e uma ala mais fascistizada da elite empresarial que está encarnada na figura de Paulo Guedes. Após estas operações contra Queiroz e a máquina de propaganda olavista, Bolsonaro começa a ensaiar um aprofundamento da aproximação com o centrão, além de um afastamento progressivo dele em relação ao núcleo olavista ao ensaiar colocar no lugar de Weintraub o secretário estadual de educação do Paraná, Renato Feder. Mas quais seriam as consequências políticas dessa mudança de eixo de Bolsonaro?

Como escrevi na semana passada, o olavismo coloca a necessidade de uma guerra cultural para a mudança de mentalidade da população, e assim, segundo eles, se conseguiria uma mudança política sem necessariamente participar do jogo político direto. Porém, para que isso seja feito é necessário o controle das instituições culturais e educacionais, que faz o apoio desse grupo a um político específico fica condicionado a colocação de olavistas (ou pessoas que possuam pauta reconhecidamente olavista) nos cargos chaves da cultura e educação, principalmente na secretaria da cultura e no ministério da educação.

Renato Feder, não é um aluno de Olavo de Carvalho, nem é identificado com ele, mas sim, Feder é um tecnocrata vindo de administrações de escolas privadas e já defendeu a privatização do ensino público, o que seria péssimo para os estudantes, principalmente para aqueles de baixa renda, mas excelente para as escolas particulares. 

Feder é um representante da ala fascistizada da elite, é um homem mais próximo de Paulo Guedes e do General Braga Neto, do que de Olavo de Carvalho e da “guerra cultural olavista”. Isso sem dúvida afasta Bolsonaro de Olavo de Carvalho e pode gerar mal estar na base olavista do bolsonarismo, podendo levar a queda precoce do ministro, ou pior, uma ruptura do olavismo com Bolsonaro, o que levaria a máquina de propaganda do bolsonarismo, controlada por alunos do Olavo de Carvalho, como Allan dos Santos, a se voltar contra Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, a operação contra Fabrício Queiroz, operador do esquema de rachadinha, no gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) do então deputado estadual, Flávio Bolsonaro, fragilizou o discurso de suposto “combatente contra a corrupção”, ao mostrar a ligação de Fabricio Queiroz e do então advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, com o submundo do Rio de janeiro.

Esta fragilização política causada pela operação da Polícia Civil de São Paulo e do Rio de Janeiro, afetou o bolsonarismo de tal forma, que a chamada ala militar, até então ensaiando sucessivas ameaças de golpe com o apoio de Bolsonaro, agora estão contidas e recuadas, voltado a apenas tutorar o governo na aproximação com o centrão e no afastamento do governo com relação ao olavismo.

A estratégia de pinça para controlar Bolsonaro está dando seus primeiro frutos, mas longe de ser benéfica para o povo, este controle está sendo feito para que a elite e a direita tradicional utilizem Bolsonaro como cão de guarda do regime, que aplica sem questionamentos as maldades que esta elite apronta contra o povo. 

Não é uma política para a retirada de Bolsonaro do poder, que é um governante que causa crises e arrasta a agonia do povo, mas meramente é uma política de adestramento de um cão selvagem para usá-lo mais tarde contra o povo quando este se revoltar contra o regime, ou ainda, aplicar medidas duras, de retiradas de direitos e corte de renda quando a crise econômica apertar. Em qualquer caso, o povo perde enquanto este elemento não for retirado do poder.

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