Actualidad RT, 24 de Fevereiro: Nesta segunda-feira começa o julgamento para determinar se vão extraditar Julian Assange, fundador do WikiLeaks, do Reino Unido para os EUA, onde é acusado de espalhar informações confidenciais deste país em 2010. O processo tem sido amplamente criticado, descrevendo o tratamento recebido pelo ativista injusto e denunciando a deterioração de seu estado de saúde.

O julgamento é realizado no tribunal Woolwich Crown Court, no sudeste de Londres, e estima-se que dure vários dias, embora sua sentença possa ser adiada para maio ou até prolongue-se por vários anos. Assange está preso na prisão de alta segurança em Belmarsh, muito perto do tribunal.

O ativista australiano de 48 anos de idade foi inicialmente preso no Reino Unido em 2010 devido a um pedido da Suécia relacionado a um suposto delito sexual, que já foi arquivado. Posteriormente, ele se refugiou na Embaixada do Equador em Londres, onde permaneceu trancado por sete anos, até que o país sul-americano retirou seu asilo em abril de 2019 e foi novamente preso pela Polícia Britânica.

Apenas um mês depois, em maio, EUA. solicitou sua extradição. O acusam de ter cometido espionagem e conspiração para cometer invasão de computadores. Assim, considera-se que Assange conspirou com Chelsea Manning, o soldado que vazou documentos diplomáticos confidenciais do governo dos EUA, que mais tarde seria tornado público pelo WikiLeaks.

Se o pedido dos EUA prosperar, Assange poderá enfrentar o pedido de 175 anos de prisão pelas 18 acusações pelas quais ele é acusado. Todas as acusações estão relacionadas aos papéis das guerras no Iraque e Afeganistão, aos prisioneiros de Guantánamo e aos documentos diplomáticos difundidos entre 2010 e 2011, com a cooperação de renomadas mídias internacionais: o britânico The Guardian, o espanhol El País, o alemão Der Spielgel ou o estadunidense The New York Times, entre outros.

Assange recebeu apoio internacional de organizações e figuras públicas. Os prestigiados jornais The Guardian e The New York Times, ONGs como Repórteres Sem Fronteiras e Anistia Internacional, ou artistas como Roger Waters (Pink Floyd), Chrissie Hynde (The Pretenders) ou a cantora Mia mostraram publicamente seu apoio ao jornalista.

Protestos em Londres

Enquanto o julgamento começa, vários protestos ocorrem em Londres, onde é exigida a liberdade do fundador do WikiLeaks. Um deles acontece nos portões da prisão de Belmarsh, onde o ativista australiano está preso e fica ao lado do local onde o caso deve ser julgado, chefiada pelo pai de Assange, John Shipton.

Shipton disse que, se a “extradição política” de seu filho for bem-sucedida, jornalistas, editores e publicações serão expostos à mesma coisa que o ativista sofreu: “Opressão do jornalismo; a malícia implacável dirigida contra Julian Assange pelas autoridades; uma detenção arbitrária de 10 anos, conforme evidenciado pelo grupo de trabalho das Nações Unidas para detenção arbitrária; tortura, conforme testemunhado por Nils Melzer, relator especial da ONU sobre tortura “.

Na mesma opinião está a ativista Cristina Navarrete, que afirma que o caso de Julian Assange é “preocupante” não apenas pelo que significa em relação ao “ataque à liberdade de expressão”, mas também porque “estabelece um precedente muito negativo para o cidadão comum “. Além disso, o especialista argumenta que “em todas as etapas deste caso houve uma intenção política por trás, é totalmente um julgamento político” e acredita que “a justiça britânica não se mostrou muito justa”.
(tradução: Diego Andre Gregorio)

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