Foi divulgado hoje pelo Departamento Nacional de Estatísticas (DNE) da República Popular da China os números do PIB do primeiro trimestre de 2020, que registraram uma queda histórica de 6,8% segundo matéria da agência de notícias Nova China (Xinhua). O resultado negativo se deve as consequências do combate a pandemia surgida na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei e que hoje afeta todo o globo, atualmente já controlada dentro do país.

Como já adiantado por nossa humilde página, a pandemia está causando grandes consequências econômicas por todo o mundo, podendo causar uma crise econômica maior que a grande depressão de 1930, por conta não apenas do isolamento social em si, mas por conta de um prolongamento da crise causado pelos gastos e empréstimos necessários para combater a pandemia. Mas diferentemente de outros países, a China tinha antes do surto da doença, uma política fiscal mais robusta, o que pode diminuir o impacto da crise no país.

Isso porque a dívida externa em porcentagem do PIB da China antes da crise era de 50%, um número muito baixo se comparado a países pobres como o Brasil (77% do PIB), Argentina (86% do PIB), e até mesmo países desenvolvidos como os EUA (107% do PIB), Itália (135% do PIB) e o Japão (astronômicos 238% do PIB, ou a para cada dólar produzido os japoneses devem 2,38), o que dá fôlego para um grande plano de injeção de fundo para recuperação da economia sem necessariamente ter que fazer um duríssimo plano de austeridade logo depois.

Diferentemente do resto do mundo, que está tendo que desembolsar trilhões de dólares para reforçar os respectivos sistemas sanitários, que junto com o distanciamento social (única solução até o momento) pode levar a uma grande cascata de calotes, colapsando a economia não apenas do ocidente, mas a economia global, até mesmo parando uma economia chinesa sustentada por fortes subsídios estatais, levando o mundo para uma nova grande depressão.

Mesmo que o Brasil não adotasse medidas de distanciamento social, o nosso maior comprador de produtos brasileiros é a China, e uma retração de 6,8%, com perspectivas de estagnação para os meses seguintes é fatal para a economia brasileira, que ainda sofre os impactos da onda de desvalorização das commodities de 2015 (outra das consequências do aumento da dívida pela crise de 2008). Por isso, as criminosas falas do demolidor em chefe, Jair Bolsonaro, ao falar que “o Brasil estava decolando” é uma grossa mentira, já que de qualquer forma a crise seria sentida, ainda que não houvesse casos de infecção pelo vírus.

Os órgãos como o FMI e o Banco Mundial ainda mantém a previsão de leve crescimento da China de 1,3% para o ano de 2020, é uma previsão otimista, mas é inegável a robustez da economia chinesa, que sofre sua primeira grande crise desde a política de reforma e abertura implementada por Deng Xiaoping nos anos 1980. Toda esta robustez é resultado de uma sólida política nacional de desenvolvimento, que bem fundamentada e gerenciada, está se mostrando eficaz, mesmo numa crise sanitária gigantesca como esta.

Recomendações do Ministério da Saúde (leia mais sobre a doença em https://coronavirus.saude.gov.br/ )

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