Neste domingo (03), Bolsonaro participou de mais um ato convocado para apoiá-lo em sua política sabotagem contra o isolamento social para a manutenção dos lucros de seus necroempresarios apoiadores. Nesta manifestação, Bolsonaro destilou todo o seu desprezo contra os direitos democráticos e a saúde da população, ao mesmo tempo que repórteres do jornal O Estado de São Paulo foram agredidos com o aval de Bolsonaro, o demolidor em chefe falou também que sua paciência com o STF está se esgotando e que “não irá admitir mais interferências”.

Uma manifestação absolutamente reprovável, mas que está longe de ser uma amostra de força, é na verdade, uma mostra do quão fraco e desesperado está Bolsonaro na sua corrida pela manutenção do poder em suas mãos, que vem se esvaziando cada vez mais. Isso não significa que temos que ficar tranquilos, pelo contrário, a hora de colocar Bolsonaro contra a parede e retirá-lo do poder é agora, se não as coisas poderão se tornar ainda piores do que já estão.

O primeiro fator que mostra o enfraquecimento de Bolsonaro são as pesquisas de opinião sobre seu governo, que apesar de não mostrar uma queda nos índices de ótimo ou bom, que permanecem nos mesmos 33% de antes da crise, mas há sinais de que ⅓ dos 33% que o consideravam regular, que era a turma do “não ligo” passaram a se posicionar contra o governo e o número de pessoas que querem o impeachment já se encontra em 45%, sendo que a oposição a bolsonaro sempre ficou entre 33% e 34%.

Mas não nos enganemos sobre a solidez da base bolsonarista, pois a antiga base do demolidor em chefe, que era a classe média alta, aqueles com uma renda maior mais ainda fora do grupo dos mais ricos abandonaram o barco. Por outro lado, por conta do auxílio emergencial e da necropolítica de sabotagem do distanciamento social, Bolsonaro está capitalizando essa política entre os mais pobres, principalmente entre os informais e donos de pequenos negócios, mas ainda não está solidificado este apoio.

Isso acontece, pois, apesar de assassina sua política de abertura do comércio, mas é vista por estas pessoas, a maioria delas com pouca formação e pouca noção do tamanho do problema, vê esta política como uma alternativa ao isolamento social, que para eles é o mesmo que a morte pela fome. 

Porém isso está longe de ser um apoio sólido a Bolsonaro, pois uma piora da pandemia, uma piora das condições econômicas na pós pandemia, ou uma política mais sólida de auxílio da esquerda para essa população, com a constituição de redes de apoio e auxílio, com a doação de alimentos para essa população por meio dos sindicatos e coletivos podem reverter esse apoio dado a Bolsonaro e trazer essa população para a oposição, e Bolsonaro sabe disso.

Por isso é imprescindível uma oposição que parte para ofensiva contra Bolsonaro, não apenas no campo político, mas no campo econômico com uma política assistencial agressiva, que pode ser realizada por meio dos sindicatos e coletivos, que tem capacidade para organizar uma rede de assistência social mais robusta que a realizada pelo governo e assim reverter a maré para a esquerda.

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