O demolidor em chefe, Jair Bolsonaro, com gana de demitir o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, no meio do combate à pandemia, convocou reunião interministerial ontem (06) no final da tarde para definir os rumos do governo daqui para frente. Na sua sede de satisfazer os seus patrocinadores carrascos que querem lucrar às custas da vida de milhares (talvez de milhões) de pessoas que perecerão da peste, o demolidor em chefe acabou por demolir, não os esforços de quarentena, mas seu próprio poder sobre o seu próprio (des)governo.

Claro, a portaria baixada ontem pelo ministério da saúde relaxando as regras de quarentena é resultado direto deste esforço da demolidora Bolsonaro de destruir a saúde, mas o ministro Mandetta acabou ficando no cargo, não por vontade de Bolsonaro, mas ficou muito claro que foi por determinação da cúpula militar em união com os líderes do Congresso Nacional. Nenhum político que ande ou tenha andado com o Bolsonaro é flor que se cheire e a forma como o ministro foi mantido no cargo abre um precedente perigoso, mas uma coisa é clara, Mandetta ia perder o cargo porque estava apenas fazendo o seu trabalho.

A demolidora Bolsonaro, comprometido com os empresários que financiaram a sua máquina de propaganda (leia-se fake news), estava num intento negacionista de destruir os esforços de combate a pandemia, com a propagação da ideia do isolamento vertical e da imunização por rebanho, ideia essa defendida por Boris Johnson, primeiro ministro do Reino Unido e que no momento em que este texto está sendo produzido, o premiê está internado na UTI acometido pela pestilência, lutando pela vida.

Porém, discordante do demolidor em chefe, as forças armadas vem dando contundentes provas de que está do lado da ciência nesta matéria e tanto papers da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), quanto do próprio exército, dão conta de uma situação gravíssima que pode ser causada pela pandemia e que ações mais enérgicas, como a quarentena, são inevitáveis. Ainda que a Deusa da Humanidade seja uma memória desbotada do começo de nossa estranha e atrofiada república e que tenha se perdido no tempo o significado original por trás do lema nacional em nossa bandeira, mas as ideias do velho Comte ainda ecoam no inconsciente do comando das forças armadas, para o bem ou para o mal.

O lado perverso desta intervenção militar para frear a demolidora na destruição da saúde pública e da ciência é a conclusão da morte da frágil nova república iniciada em 1988. Daqui para frente nada será como antes, a constituição de 1988 está morta, só falta enterrar. Qualquer governo que venha daqui adiante será um governo da alta cúpula do exército, tiremos de vez o cavalinho da chuva, a ideia da esquerda eleitoreira de que em 2022 iremos retornar ao poder pelas eleições foi por água abaixo (como se já não fosse ridículo antes).

Agora, está se desenhando no horizonte uma nova ditadura militar, com o centrão servindo de fachada para os desmandos dos generais. Mandetta depois deste episódio, e caso o número de mortos não seja tão grande quanto se desenha, será a figura de proa deste centrão coligado com os militares. E não nos enganemos, será uma ditadura militar impiedosa contra o povo, já que a crise que virá logo em seguida, deixará os ânimos exaltados e já se prevê a necessidade, por parte da cúpula militar, de estrangular as liberdades democráticas. Bolsonaro conseguiu conjurar uma ditadura militar, mas o monstro se volta contra ele e hoje, apesar de ainda se manter no cargo, mas já não manda mais em nada e pode ser retirado a qualquer momento.

Não podemos admitir, nem o relaxamento da quarentena, nem os desmandos da cúpula militar. É importante neste momento crítico, através da solidariedade e da organização política, reunir o povo para derrubar, não apenas o demolidor em chefe, mas toda a corja que o acompanha, inclusive os militares. Não podemos ficar cantando loas ao Mandetta, pois ele é da mesma laia de Bolsonaro, a única diferença é que ele sabe as consequências da inação diante da pandemia, e por causa disso está fazendo o seu trabalho, não faz mais que sua obrigação.

Fora Bolsonaro e toda a sua corja!

Recomendações do Ministério da Saúde (leia mais sobre a doença em https://coronavirus.saude.gov.br/ )
Recomendações do Ministério da Saúde (leia mais sobre a doença em https://coronavirus.saude.gov.br/ )

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