Após um dia de suspense depois do anúncio da demissão do Diretor-Geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, Sérgio Moro anunciou que se demitia do ministério da justiça. Na coletiva de imprensa que foi dada pelo agora ex-ministro, Moro “jogou no ventilador” diversas acusações graves contra Bolsonaro, como falsidade ideológica, ao dizer que não assinou a exoneração, e de interferência política na PF ao dizer que o objetivo de Bolsonaro com essa substituição é proteger os filhos das investidas da instituição.

Moro é um projeto de ditador que para concretizar os seus planos de controle total sobre o país, aceitou o cargo de ministro da justiça para aparelhar todo o aparato repressivo e assim obter uma base de apoio para seu projeto pessoal de poder. Mas Bolsonaro, ao querer escapar de um processo de impeachment que começou a se desenhar para o horizonte pós-pandemia, começou uma série de aproximações com a ala mais “limpinha” da política brasileira, o centrão.

Políticos de “ilibada reputação” e figurinhas carimbadas na lista de Odebrecht de repente começaram a aparecer junto com Bolsonaro. Logo, noticias de promessas de cargos importantes como a secretaria de obras contra a seca e o Banco Nordeste para este “honoráveis” senhores. Apesar de não ter saído nenhuma notícia sobre isso, mas é evidente que a fritura de Moro foi feita para atender aos interesses desse homens “inimputáveis” (lamento, só é possível descrever os caciques do centrão com sarcasmo e ironia).

Mas ao fazer a fritura de Moro, Bolsonaro acaba por perder boa parte de sua base de apoio e de pavimentar de vez o caminho do impeachment, já que boa parte de sua base de apoio só foi angariada graças a operação Lava-Jato, Bolsonaro é um produto desta operação que destruiu as bases da nova república no Brasil. 

Já se desenhava no horizonte um impeachment, onde se formaria uma coalizão do centrão com o alto generalato para um pacto político de governabilidade. Para tentar desfazer essa coalizão, Bolsonaro tenta estes acordos “republicanos” com a fina flor da moralidade pública que são os caciques do centrão. 

Moro também vai tentar desfazer essa coalizão no futuro, até para sua sobrevivência política, quem sabe até pessoal. Para isso ele está se utilizando da popularidade que tem e de sua camarilha nas forças repressivas e no Ministério Público para trazer os militares para seu lado, e parece, ao menos, que os militares entre Bolsonaro e Moro escolheu Moro.

Bolsonaro ao tentar salvar sua pele se aliando a mais fina flor que são os caciques do centrão, acabou se queimando com sua própria base de apoio, e agora está sendo uma escada para que o projeto de ditador chamado Sérgio Moro concretize seus projetos de poder. 

Justamente quando é mais necessário uma liderança para navegar nesses mares turbulentos da pandemia, estamos sem ninguém e Moro não seria esta liderança que Brasil necessita, Moro é um ditador em construção, e deve ser rechaçado tanto quanto o próprio demolidor em chefe.

Não podemos aceitar nenhum deles, nem Bolsonaro, nem Moro. Bolsonaro agora saí, a única pergunta que fica no ar é se ele será chutado a moda da casa (com um impeachment após a pandemia) ou um impeachment à moda paraguaia feito agora (também conhecido como impeachment miojo).

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