No final do ano passado, no mercado de peixes e animais vivos de Wuhan, capital da província chinesa de Hubei, surgiu uma nova cepa do vírus corona chamada depois de COVID-19. As ações do governo chinês, que nos primeiros contágios do vírus havia ignorado completamente, considerando a notícia de seu surgimento fake news, quando tomou consciência da gravidade da situação, tomou medidas drásticas para a contenção do vírus, sendo a mais notória o isolamento de Wuhan e da província de Hubei do resto do mundo. 

Este artigo não tem como objetivo analisar a doença em si, já que para fazer uma boa análise é necessário um conhecimento minimamente aprofundado do assunto. Minha área de formação não é medicina mas em história e externalizar qualquer conclusão neste sentido seria irresponsável de minha parte. Porém como a política vai além das eleições, o COVID-19 tem consequências que vão além da doença em si, e estas consequências político-econômicas dela que iremos analisar neste artigo. 

São consequências das mais diversas, já que a China é a fábrica do mundo e quase tudo que se compra hoje em dia foi produzido no país ou possui peças chinesas entre seus componentes. Além disso, devido a este grande salto econômico do dragão chinês nos últimos 30 anos, o Brasil passou a depender fortemente das exportações de matérias primas para o gigante asiático, sendo hoje o país para o qual mais exportamos.

Não é apenas na China e no Brasil que as consequências desta nova doença são grandes, mas todo o mundo sente ou ainda vai sentir o impacto que a doença em si, e as medidas preventivas que estão sendo tomadas. Países inteiros estão se isolando, o fluxo comercial mundial está diminuindo e os investimentos, mensurados de forma mais imediata pela montanha russa das bolsas de valores, estão em suspenso, já com perspectivas de queda.

As consequência globais

A nível mundial a doença está interrompendo cada vez mais os fluxos comerciais e de pessoas, com surtos da doença em outros países como a Coreia do Sul, Japão, Irã e mais recentemente a Itália, além de paralisar a produção industrial da China, que atualmente é o maior país industrial da terra.

Isto está sendo sentido como uma grande queda generalizada nas praças financeiras do mundo todo, com números que já na ordem dos 10% desde o começo do ano. Os impactos desta paralisia mundial também já é sentida no preço das commodities que tiveram uma leve alta no meio do mês, mas que já estão com os preços abaixo dos índices do final de janeiro.

As consequências desta queda vão muito além do aprofundamento da crise capitalista, que desde 2008 vem mudando seu caráter mas nunca acabando por completo. No começo de janeiro, como noticiado em nossa humilde página, os EUA assinaram a fase um de um grande acordo comercial com a China, para evitar uma crise econômica global que se avizinhava bem no momento das eleições presidenciais nos EUA. Trump, que havia fracassado em quase todas as suas pautas externa, não poderia deixar que este fracasso contaminasse o mercado interno dos EUA, que tinha registrado recorde na geração de empregos e de crescimento, mas com sinais de que esta bonança não ia durar por mais tempo.

Agora com as bolsa do mundo inteiro em queda e a interrupção da produção na fábrica do mundo, as possibilidades de uma nova onda de crise global nunca foram tão grandes, podendo impactar nas eleições dos EUA, que registra uma forte polarização entre direita e esquerda, com Bernie Sanders possivelmente arrematando a candidatura democrata.

No restante do mundo, esta paralisia da economia poderá levar a uma nova onda de revoltas nos países dependentes de commodities, já abalados pela grande queda de 75% no preço do petróleo em 2015. Isso significa também que nem tão cedo a já combalida América Latina terá sossego, já que em sua maioria são países dependentes de commodities, e altamentes dependentes da China, que está completamente paralisada.
Esta paralisia econômica também vale para todos os países que de alguma forma são dependentes da China. A República Popular Democrática da Coreia anunciou o fechamento de suas fronteira, que sendo o país mais sancionado do planeta poderá sofrer um grande abalo econômico de consequências imprevisíveis.

As consequências para o Brasil

O Brasil, que registrou o seu primeiro caso de COVID-19 hoje (26) pode ter consequências econômicas que vão muito além da própria doença em si, já que a princípio, este é apenas o primeiro caso e não se sabe como ele irá se propagar por aqui, se ele de fato se propagar pelo país.

Nosso país é um país altamente dependente da China, sendo o nosso maior parceiro comercial segundo o ministério da economia. Mas nossa balança comercial com a China já não é mais superavitária como antes, em janeiro, registramos pela primeira vez desde 2015 déficit comercial, causado principalmente pela queda nas exportações para a China, na ordem de 8%.

Na última vez que a balança comercial registrou este tipo de déficit no Brasil, foi detonada a crise das commodities de 2015, que acelerou a intentona golpista da direita reacionária obscurantista. Agora é esta direita reacionária que está no poder, ainda que de forma frágil. Para tentar se firmar no poder, esta direita reacionária está desde a virada do ano, numa série de ataques aos direitos democráticos da população.

Isso irá acarretar numa tentativa de aprofundamento destes ataques para tentar se firmar de vez no poder e assim com eles barrar a revolta popular que surgirá do aprofundamento da atual crise. Estes ataques aos direitos democráticos do povo só poderá ser barrada com o povo na rua pedindo o fora Bolsonaro. Apenas com a destituição do atual governo é que podemos garantir o mínimo de direitos democráticos para todos neste momento de aprofundamento da crise.

Somente com a ciência e o desenvolvimento científico que o mundo poderá se livrar da ameaça do COVID-19. Até lá, para evitar as consequências perversas da crise do COVID-19 para os direitos democráticos no Brasil, o fora Bolsonaro deve estar na ordem do dia, já que as forças do obscurantismo reacionário usarão esta crise como desculpa para atacar estes direitos. O COVID-19 será vencido pela ciência médica, mas as liberdades democráticas tem que ser preservadas.

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