Nesta terça-feira (21) Glenn Greenwald foi denunciado pelo Ministério Público Federal junto com mais seis pessoas no caso do vazamento de conversas do ex-juiz Sérgio Moro em uma flagrante violação à constituição e a decisão liminar do ministro do STF Gilmar Mendes proferida em agosto de 2019. A acusação é de que Greenwald havia orientado um dos denunciados, Luiz Henrique Molição, a apagar mensagens.

O diálogo que está no site do G1 que segundo ele embasou a denúncia, demonstra que havia por parte da direita uma movimentação para aumentar a proporção, do que, de fato havia acontecido  e que os supostos hackers estavam com medo da perseguição judicial. Então Molição avisam a Glenn:

“Sim. A gente também queria saber a sua opinião a respeito de algo. Como, assim que você publicar os artigos, todo mundo vai excluir as conversas, todo mundo vai excluir o Telegram, a gente queria saber se você, o que você recomenda fazer. A gente tem alguns nomes separados, a gente pegar esse final de semana já puxar a conversa de todo mundo ou deixar quieto por um tempo. Porque as… tem tem pessoas que tem um número antigo, ou seja, nem tem mais o número, que dá pra puxar as conversas que tem.”

E Glenn responde:

“Sim. Olha, nós vamos, por que que vai acontecer? É que com certeza eles vão tentar acusar a gente que nós participamos na, na no hack. Eles vão tentar acusar que “nós formam” parte dessa ah… tentativa de hackear. Eles vão com certeza acusar. Então para mim, mantendo as conversas, são as provas que você só falou com a gente depois você tinha tudo. Isso é muito importante para nós como jornalistas para mostrar que nossa fonte só falou com a gente depois que ele já tinha tudo.”

Continuou dizendo que era sua obrigação defender o sigilo da fonte e que eles manteriam uma cópia da conversa, que dariam guarida se alguma coisa acontecesse, mas que se quisesse apagar as conversas que poderia. Não houve uma orientação direta, uma ordem para apagar, Glenn estava receoso até de dar conselho, o máximo que ele falou foi no sentido de “faça o que quiser”.

Essa denúncia do Ministério Público Federal é uma flagrante violação à constituição, que garante o sigilo da fonte e garante proteção ao exercício da atividade jornalística, proteção essa confirmada em liminar do ministro Gilmar Mendes. Mas não é tão incomum assim as violações à constituição, como a própria matéria do The Intercept demonstrou, essa denúncia é uma retaliação a publicação dela, como diz o ditado, o que é um peido para quem já está cagado?

Essa denúncia do Ministério Público Federal deve ser rechaçada e não pode ser aceita pela justiça, ou irá corroborar o caráter autoritário do estado brasileiro. Essa virada de ano de 2019 para 2020 está demonstrando o caráter autoritário e ditatorial da justiça brasileira e que a censura, tanto na área cultural com o caso do Porta dos Fundos, como o caso Greenwald é algo que infelizmente está na ordem do dia dos tribunais.

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