Após quase um ano e meio de pessoas perguntando “onde está o Queiroz?” finalmente a polícia encontrou o sujeito. Devemos lembrar que não existia um mandado de prisão contra ele antes de hoje, mas as circunstâncias na qual Queiroz estava sempre despertou suspeita e seu sumiço foi se tornou popularmente notório. A operação policial que levou a sua prisão revelou um fato ainda mais suspeito sobre Queiroz, que estava abrigado na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, que não fazia a defesa de Queiroz no caso.

(fonte: Estadão)

Este mandado de prisão foi expedido contra Queiroz, pois, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Queiroz estava agindo para esconder provas, coagir testemunhas e continuar no cometimento de crimes. A prisão foi pedida no Âmbito do processo do escândalo da rachadinha da ALERJ (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), na qual o então deputado estadual Flávio Bolsonaro ficava com parte do salário dos servidores de seu gabinete, sendo Queiroz o operador do esquema, que como veremos a seguir, há suspeitas de crimes maiores alimentados por ele.

Segundo dados levantados pelo MPRJ e vazados pelo The Intercept Brasil, mostram que o dinheiro coletado com este esquema no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, estava sendo usado para diversos empreendimentos de lavagem de dinheiro, como a franquia de chocolates de Flavio Bolsonaro, e o mais grave, em empreendimentos imobiliários ilegais feitos pela milícia, Escritório do Crime, em Rio das Pedras e no Morro da Muzema, no Rio de Janeiro. Foi no morro da Muzema, em prédios construídos ilegalmente por tal milícia, que 24 pessoas morreram num desabamento de uma destas construções, após chuva torrencial em 12 de abril de 2019.

O chefe da milícia Escritório do Crime, Adriano da Nóbrega, que chegou a ser condecorado por Flávio Bolsonaro, a mando do próprio Jair Bolsonaro, como admitido pelo próprio mandatário, e que já foi investigado pela execução da vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foi morto sob circunstâncias pouco esclarecidas numa operação de captura realizada pela PM do estado da Bahia. Ainda sim, a milícia ainda permanece com força nestas comunidades do Rio de Janeiro e há fortes indícios de braços políticos dela não apenas no cenário carioca e fluminense, como também no cenário político nacional.

Lembremos também, que existe uma disputa pelo aparato repressivo entre a ala lava-jatista, que é encabeçada pelo ex-ministro da justiça, Sérgio Moro, e o bolsonarismo. Um dos motivos para essa luta interna era justamente o caso da rachadinha e a investigação contra o senador Flavio Bolsonaro. Houve, inclusive, vazamento de operação policial para a Família Bolsonaro durante a campanha de 2018, feita por um policial da PF, vazamento este denunciado pelo ex-apoiador da família e suplente de Flávio Bolsonaro no senado Paulo Marinho.

A prisão de Queiroz é o começo de um longo caminho que pode desbaratar, de uma vez só, diversos esquemas criminosos que operam na política carioca e fluminense, que graças às circunstâncias políticas recentes, passaram a operar em âmbito nacional também. Tudo isso com um discurso de “combate a corrupção”, mas que agora mostra a sua real face criminosa, com fortes ligações a antigos e atuais entes ligados ao estado e ao aparato repressivo, que resolveram operar nas sombras. A prisão de Queiroz pode trazer luz a sombria ligação do submundo criminoso do Rio de Janeiro com a política nacional.

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