Primeiramente queria anunciar no nosso primeiro artigo publicado em nossa humilde página desde meados de outubro, que apesar das dificuldades pessoais em tocar uma página de notícias e artigos (ainda que especializado), ainda não recuei no desejo que fez esta pessoa nada excepcional a criar esta página em janeiro deste ano tão conturbado de 2020, que é o de trazer a racionalidade ao debate público, e ao menos, parar um pouco com a queda neste poço civilizacional profundo na qual o Brasil está se metendo. Após resolver boa parte dos problemas que tinha que resolver (ainda que não todos), volto mais forte e convicto do que nunca da necessidade desta página (ainda que singela, ainda que humilde).

Voltando ao tema do título, como já adiantado por nossa humilde página no começo de agosto, que em parte era o resultado de outra análise feita ainda em abril, a crise econômica detonada pela pandemia não seria facilmente resolvida, já que governos do mundo inteiro estava adquirindo grandes dívidas para pagar os esforço de combate à pandemia e a suas consequências econômicas. Diante disso, o cenário pós-pandêmico já se desenhava como um cenário potencialmente difícil também para a economia e o povo, já que uma crise da dívida pública só tem duas saídas possíveis, corte de gastos e benefícios sociais, que jogam milhões de pessoas no desemprego, na fome e na miséria, ou a emissão de moeda e uma hiperinflação subsequente, que penaliza os mais pobres também, mas como ela mexe com os assalariados, faz com que a mobilização política aumente.

Mas mesmo antes do fim da pandemia já há uma pressão inflacionária forte que poderá tornar a crise no Brasil um beco sem saída econômica. Ontem (08), o IBGE anunciou os números da inflação de novembro que foi de 0,89% no mês, um número que parece pequeno perto do que já notamos no dia a dia, mas que revelou dois fatos inquietantes. O primeiro fato revelado foi que essa inflação, que antes estava restrita aos alimentos, agora está se espalhando pelo restante da economia. O segundo são os recordes sucessivos que estão sendo batidos pelo índice, que é o mais alto desde novembro de 2015 (uma época de  inflação de dois dígitos). Mas qual será o caminho que o Brasil irá tomar neste cenário? Já é uma inflação causada por dívida pública ou só incompetência mesmo? vejamos abaixo:

O governo Bolsonaro, cuja a linha de Paulo Guedes é uma linha neoliberal atabalhoada até para uma escola de pensamento atabalhoada, teve a atitude de, no começo da crise, incentivar as exportações de commodities (como os alimentos), para cobrir o rombo financeiro que viria com a crise da pandemia. Mas o restante do mundo, diferentemente do Brasil, estava reforçando seus estoques alimentares internos, comprando tudo o que fosse possível comprar para se preparar para um fechamento completo das cadeias de produção.

Isso fragilizou os estoques no Brasil, que juntamente com a alta desenfreada do dólar num primeiro período criou um caldo perfeito para uma primeira onda inflacionária. Isso, no entanto, não foi repassado e sentido de imediato, já que houve uma queda muito abrupta da demanda na economia como um todo, o que num primeiro momento não foi sentido, mas a partir do momento que a política de afrouxamento a qualquer custo começou a fazer efeito, junto com ela, a inflação disparou nos alimentos.

Ainda não tendo uma origem na dívida, está inflação que surgiu desde agosto está penalizando de forma muito dura os mais pobres num momento que o governo está acabando com o auxílio emergencial (a única coisa que impede que miséria absoluta se espalhe ainda mais fortemente no país). Já sob pressão, Bolsonaro apenas eliminou as taxas de importação de arroz, mostrando a falta de entendimento da causa desta atual crise. Mesmo assim a inflação não recuou e agora dá sinais de estar se espalhando por toda a economia com índices mensais que lembram os tempos da inflação de dois dígitos.

Porém, o problema está longe de acabar, pelo contrário, a dívida pública poderá alcançar até 96% do PIB antes do fim do ano e por conta da demora que poderá ocorrer na aplicação da vacina, podemos ter uma ampliação dos gastos para conter a pandemia até pelo menos o fim do primeiro trimestre do ano que vem, mas sem ampliação do auxílio emergencial. Isso terá um impacto direto ainda mais forte no bolso da população, não apenas pelo fim do auxílio, mas também a uma segunda onda inflacionária, que terá lugar, já que mesmo fazendo cortes gigantescos no orçamento público, ainda sim o governo não terá condições de conter a alta da dívida, e ainda jogará milhares de pessoas direto para a miséria absoluta.

Está crise que o Brasil passa ainda é agravada pela crise das commodities, que é uma crise de esgotamento do modelo econômico nacional, que foi construída para satisfazer apenas as necessidades do mercado externo e não de nosso povo, mesmo com o fim da pandemia ela não acabará.

O Brasil, sem duvida nenhuma, passa pela pior crise de sua historia, com um governo absolutamente incompetente, até para os baixos padrões da direita, não conseguirá resolver ela pela formula tradicional, já que o problema se soma a uma crise de esgotamento de modelo econômico. Tudo isso poderia ser resolvido com vontade política, não de cortar gastos e jogar o povo na miséria, mas contendo as exportações e investindo fortemente na construção de uma economia nacional independente e sólida. Poderia, já que pela vontade do atual governo o Brasil voltaria para a sua condição de colônia, mas submetido aos EUA ou a qualquer um que agrade seu ego gigantesco e despropositado, enquanto isso, o tabelamento de preços e as prateleiras vazias poderão voltar em breve a ordem do dia.

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