assassino de dois manifestantes em kenosha junto a milicia fascista

Mesmo diante da corrida eleitoral, os EUA está com uma grande escalada da tensão racial. As grandes manifestações antirracistas, longe de terem sido respondidas de forma efetiva, continuam ganhando corpo, não apenas pelo assassinato de George Floyd, mas também por outro episódio de violência policial, na qual um policial atirou sete vezes pelas costas de Jacob Blake, deixando-o paraplégico. Dessa vez, as manifestações estão escalando em termos de tamanho e violência alimentado pela própria reação do governo Trump, que elegeu os manifestantes como um perigo a ser combatido, mobilizando sua militância para combatê-la.

Essa militância trumpsta está começando a formar milícias armadas de tipo fascista e já foram responsáveis pelo assassinato de dois manifestantes em Kenosha, no Wisconsin, onde Blake sofreu a violência policial, mas também estas milícias fascistas estão agindo em outras regiões dos EUA onde estão ocorrendo as manifestações. Em  Portland, onde as manifestações antirracistas ganharam corpo também, foi convocada uma carreata trumpista, que entrou em confronto com a manifestação anti racista na qual um integrante de grupo trampista foi morto a tiros. Como essa escalada da confrontação vai repercutir na política global?

A estratégia da direita para as eleições desde 2016 é nítida, continuar a juntar as pessoas falando o que elas querem ouvir, mas deixaram de fazer promessas ou falar de supostas qualidades de administração que em tese possuem, ao invés disso, estão falando coisas negativas sobre pessoas que determinados grupos odeiam. Para que tal ódio não acabe ficando isolado em determinado grupo devido a mecânica natural da internet em criar bolhas, variados ódios e pessoas odiadas são juntadas a notícias falsas e algumas verídicas em um grande conjunto de teorias da conspiração, boa parte delas com uma estética anti sistema, mas com uma conclusão reacionária.

Essas táticas também são utilizadas pela extrema-direita brasileira e foram fundamentais para a eleição de Bolsonaro em 2018, juntamente com o golpe de estado empreendido pela força-tarefa da Lava-Jato em conjunto com o juiz Sérgio Moro. Esse tipo de discurso que aproveita os ódios correntes na sociedade para a ascensão política de um grupo que, de qualquer outra forma, não conseguiria ascender, é algo que já foi utilizado pelo fascismo na Itália (se aproveitando da frustração que os pouquíssimos ganhos que o país teve na Primeira Guerra Mundial) e pelo nazismo na Alemanha (a raiva geral causada pelo vexaminoso Tratado de Versalhes). 

É uma arma política recorrente e poderosa para agregar pessoas, mas pode trazer consequências maléficas para a sociedade e para os direitos democráticos, já que a lógica dessa tática política é a lógica da guerra e na guerra o adversário deve ser eliminado. Essa lógica já foi utilizada por Trump em 2016, ao fazer uma campanha anti imigração e agora está tentando repetir a fórmula contra as manifestações antirracistas, porém essa tática contra manifestações que contam com forte apoio popular, pode levar o país para o caos absoluto, com o aprofundamento do derramamento de sangue nas ruas.

Essa mesma tática é utilizada pelo bolsonarismo no Brasil, inclusive com a tentativa de taxar os manifestantes que pedia o “fora Bolsonaro” de terroristas, mas isso como previsto por nossa humilde página só colocou ainda mais lenha na fogueira das manifestações e 10 dias depois, o cerco se fechou contra Bolsonaro a tal ponto dele ter se mantido comportadinho por quase dois meses.

Mas Trump, como escrevi semana passada, está acuado, sabe que só venceu as eleições de 2016 por conta das distorções do sistema estadunidense de colégio eleitoral que exige um certo espalhamento geográfico dos votos para se eleger, algo que pode mudar com o aumento do índice de votos enviados pelo correio. Essas distorções do sistema eleitoral é mais um fator para alimentar a atual crise política, que está se refletindo numa crise de representação e Trump já declarou que se perder não reconhecerá o resultado das eleições, pondo em xeque todo o sistema político dos EUA.

Os eventos nos EUA mostram o estado crítico em que se encontra o sistema capitalista , longe de ser uma amostra de pujança e força, estes eventos recentes mostram o quão podre o sistema se encontra. As manifestações antirracistas só não tem um caráter de derrubada do sistema porque simplesmente não existem organizações controladas pela classe trabalhadora fortes o bastante para tomar o poder, mas o problema das milícias fascistas de Trump está colocando esta questão na ordem do dia da esquerda estadunidense e os resultados dele poderá definir os rumos, não apenas dos EUA, mas do mundo inteiro.

Leia Também:

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.