Bolsonaro cercado de jornalistas ao anunciar que está com COVID-19

Bolsonaro anunciou ontem (07) que estava acometido pela doença pandêmica (que se você colocar o nome dela no texto as visualizações da sua página são cortadas não importando o motivo), mas a forma como realizou o anúncio levantou suspeitas sobre a autenticidade do diagnóstico. Bolsonaro realizou este anúncio com uma entrevista a TV Brasil e a outras duas emissoras aliadas do bolsonarismo no Palácio da Alvorada, sem qualquer distanciamento entre Bolsonaro e os repórteres.

Segundo Bolsonaro, ele tomou cloroquina e azitromicina contra a doença, cujo a eficácia já foi posta em xeque por pesquisas científicas recentes, mas que pouco tempo depois de apresentar os sintomas e de ter tomado a medicação “estava bem e disposto”. Nenhum medicamento, por mais eficaz que seja não tem um efeito tão imediato ao ponto do paciente ficar disposto pouco tempo depois de ter tomado. Mesmo as formas injetáveis que têm efeito mais rápido por entrar diretamente na corrente sanguínea, ainda leva um tempo até fazer efeito no organismo. Tudo isso leva a suspeitas sobre a veracidade do anúncio e leva a pergunta, o que ele ganharia com isso?

Bolsonaro desde o início da pandemia, vem dando sucessivas declarações minimizando os efeitos da doença, chamando-a de “gripezinha” e “resfriadinho”. Ele vem agindo incessantemente para sabotar as medidas de distanciamento social ao liberar mais e mais áreas econômicas como “essenciais”, como por exemplo, igrejas, salões de beleza e barbearias (um dos motivos para que Teich pedisse demissão). 

Sua assanha contra as medidas de saúde pública continua mesmo quando acometido pela doença, como nos vetos a obrigatoriedade dos governos oferecerem água potável, leitos de UTI e prioridade na análise no auxílio emergencial. A população indígena, por ter vivido isolada em um continente que não oferecia perigos reais a sua existência por mais de 10 mil anos, acabou sem defesas contra qualquer epidemia que seja, e negar a eles qualquer auxílio pode ser considerado um ato deliberado de genocídio.

Além disso, o ato de ter dado o anúncio com uma entrevista frente-a-frente com os jornalistas (ainda que só de meios de comunicação submissos ao governo), coloca em risco os profissionais que foram fazer a cobertura a mando dos patrões. Atitudes assim levantam dúvidas sobre o seu real estado de saúde, e colocam a possibilidade de Bolsonaro ter inventado que está doente para dar fôlego a sua narrativa de que “foi só uma gripezinha, bem que avisei”.

Vindo de um ser como Bolsonaro não é possível duvidar desta hipótese, já que os exames que foi forçado por decisão judicial a passar para o jornal O Estado de São Paulo vieram com pseudônimos, o que facilmente abre brechas para dúvidas sobre sua autenticidade. O mais provável é que Bolsonaro só mude o discurso sobre a doença pandêmica se a sua saúde piorar muito, caso contrário, pode até mesmo a aumentar a ferocidade de sua briga contra as medidas de distanciamento que estavam arrefecendo por conta do cerco fechado contra ele com a prisão de Fabrício Queiroz e do desmonte do grupo paramilitar “300 de Brasília”.

A queda apenas de Bolsonaro não resolve o problema que seu governo gera com a sua irresponsabilidade ilimitada, somente com a queda de todo o governo é que podemos pensar que o estado brasileiro está salvo desta praga política que assola o Brasil, e é bom frisar, surgida com o golpe de 2016.

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