Na política, assim como na vida, há certas coisas que caso tenham o precedente aberto, além de poder ser usada contra nós, é de difícil reversão. Há duas semanas atrás foi aprovada pelo senado a PL 2630/2020 pelo senado com diversas medidas restritivas, entre elas a obrigatoriedade do rastreio dos remetentes e destinatários de mensagens com mais de 1000 encaminhamentos por até 3 meses. Para defender seus negócios, as empresas de redes sociais e indexadores de conteúdo iniciaram uma ofensiva, não para aumentar a pluralidade de opiniões na internet, mas para varrer o debate político das redes.

Neste intento de autocensura, diversas páginas, tanto de direita (algumas ligadas a assessores com cargos no Palácio do Planalto), quanto as da esquerda foram censuradas. Segundo as redes sociais, estas páginas supostamente eram tocadas com auxílio de bots (programas de automação de postagens) e propagavam supostamente fake news e “discursos de ódio”. A lei ainda não está valendo, falta ser votada na câmara e ser sancionada pelo presidente para passar a vigorar, mas a sombra de uma censura oficial já foi suficiente para as redes sociais e indexadores de conteúdo iniciarem uma campanha para a supressão do debate político na internet. Mas ainda há tempo para salvar a liberdade na internet? como combater o mal das notícias falsas sem transformar o país numa ditadura?

As notícias falsas ganham a proporção que tem graças a credulidade geral perante as notícias que veem na internet. A falta de um censo critico, de um tratamento cético ao conteúdo que aparece na internet é que dão a força para que as notícias falsas façam o estrago que fazem. A falta do entendimento de como o conhecimento é formado pelas ciências, tanto as ciências humanas quanto as exatas e biológicas dão ainda mais força a elas, mesmo que o internauta tenha um grande conhecimento de fatos, mas ainda sim, sem o conhecimento básico do método poderá não conseguir discernir entre o lixo informativo e as notícias verdadeiras.

Por conta da parcialidade de todas as pessoas relacionada aos assuntos tratados, mesmo que tal notícia tenha sido publicada num grande veículo midiático, ainda sim sua qualidade pode sofrer pela parcialidade do autor. Por causa disso, recomenda-se sempre desconfiar de todas as notícias que leem por aí. Até mesmo esta pessoa que vos escreve tem suas próprias posições, mesmo não deixando a minha parcialidade afetar o conteúdo publicado (com a citação de fontes com a adição de hiperlinks clicáveis em azul), mas é sempre bom checar as informações contidas, pode até mesmo acontecer de erros não intencionais serem publicados. Por isso, uma boa pesquisa sobre o assunto pode te poupar de más interpretações de escritos e fatos verdadeiros que eventualmente, por conta de estilo de escrita ou erro do autor, possam se tornar dúbios na cabeça do leitor.

O problema é que ao invés de se combater o problema raiz, que é a falta de um ensino básico que não seja apenas “decoreba”, mas que mostre de fato como o conhecimento é construído, que instrui minimamente os alunos com as ferramentas do espírito crítico e do método científico, se aproveitam desse problema para destruir o que restou das liberdades democráticas que ainda existem no Brasil. Isso só vai resultar em um embrutecimento maior da população e do sufocamento do debate político, que só vai beneficiar aqueles que já estão no poder, justamente as pessoas que ascenderam graças às notícias falsas.

Somente com a educação, e com a criação de meios na internet que propaguem conhecimento e método de uma forma mais acessível para as grandes massas, é que podemos combater os efeitos maléficos das notícias falsas. Não é com o sufocamento do debate político que se fará esse combate, pelo contrário, somente a livre expressão de todos os atores políticos e do conhecimento é que se pode criar um ambiente político mais saudável para todos.

Leia Também:

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.