Em uma jogada sensacionalista sobre o preço dos combustíveis, Bolsonaro anunciou no domingo (02) em rede social, que iria mandar um projeto de lei complementar, alterando a forma de tributação do ICMS dos combustíveis, de percentual, como é hoje, para um valor fixo por litro.

Os governadores não gostaram da medida e fizeram um abaixo assinado contra o anúncio, por conta da perda de receita que a medida acarretaria aos estados, pedindo a redução dos impostos federais sobre os combustíveis. Então Bolsonaro, num ato de desafio aos governadores declarou que se os governadores zerarem os impostos estaduais, que ele também vai zerar os impostos federais.

Bolsonaro com isso muda o que deveria ser o foco do debate dos combustíveis. Longe de ser pouco os impostos cobrados sobre ele (cerca de 44% só na gasolina), mas o que mais pesa sobre ele é a política de preços da Petrobras, que desde outubro de 2016, vêm sendo reajustados conforme a variação do preço internacional, não apenas influenciado pelo preço do petróleo (que saltou 13,8% de outubro de 2016 para cá, com pico na casa dos 80 dólares, uma diferença de 65% em relação ao preço da época da implantação da política) , como também pelo preço do dólar (que subiu 34% no mesmo período, com o pico de R$4,28 alcançado nesta semana) (fonte: investing).

Além disso, existe um programa de desmonte da Petrobras em curso desde então, chamado de “programa de desinvestimento” com a privatização de diversas subsidiárias, como a BR distribuidora, que poderia ser usada justamente para obrigar os postos a repassarem a recente baixa do preço dos combustíveis para a bomba.

É inegável que os impostos sobre os combustíveis são grandes e que uma redução dele seria benéfica a todos, porém a proposta de Bolsonaro desvia o foco da verdadeira causa do custo elevado dos combustíveis, que é a demolição da principal empresa brasileira. A Petrobras foi espionada, alvo de uma operação criminosa de lawfare contra ela, e que foi, e é usada como pretexto para seu desmonte, tendo um gigantesco impacto para a vida de todos nós.

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