Amanhã (15) completa dois meses que Teich pediu para sair após ver que estaria jogando sua carreira no lixo se continuasse no cargo. Desde então, o ministério da saúde está sob controle do general, ainda na ativa, Eduardo Pazuello, que vem exercendo as funções na chefia do ministério como “interino”. 

O general Pazuello não é médico, mas especialista em logística, em tese, colocado para melhorar a distribuição de equipamentos e material médico para o combate a doença pandêmica, mas segundo dados obtidos na página da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados apenas 32,67% da verba aprovada para o combate a pandemia (14,7 bilhões de 45,1 bilhões aprovados), mostrando que não sabe utilizar os recursos disponíveis enquanto o Brasil junto com os EUA concentram 40% dos casos da doença pandêmica no mundo.

Ontem (13), o ministro do STF, Gilmar Mendes, falou em uma live que o exército ao manter um general como ministro interino da saúde que “estaria se associando a um genocídio” e que tal situação não pode ser tolerada. Após a declaração, o ministro da defesa, general Fernando Azevedo, declarou que vai encaminhar uma representação à Procuradoria Geral da República contra o ministro com a anuência dos três comandantes das forças armadas. Mas será que a situação calamitosa em que está o Brasil justifica um processo por crimes contra a humanidade cometido pelas forças armadas (mais especificamente o exército) nesta pandemia? Vejamos os dados:

Segundo levantamento encomendado pela Revista Época e publicado no dia 3 de julho, o perfil médio das vítimas fatais da doença pandêmica no Brasil são majoritariamente homens pobres e pardos (nomenclatura do IBGE). Segundo os dados do levantamento, um dos fatores determinantes para a mortalidade da doença é justamente a classe social a qual pertence o infectado, sendo a mortalidade maior justamente entre os mais pobres. A única região onde o perfil racial das vítimas é diferente das demais é a região sul, onde a população é majoritariamente branca.

A população indígena tem uma taxa de mortalidade até 150% maior que a população não indígena segundo outra pesquisa publicada em junho, na qual mostra também que boa parte da alta taxa de mortalidade dos indígenas é pelas condições precárias da saúde pública oferecidas a eles, que se refletem numa clara subnotificação dos casos maior que a média (que já é bem elevada esta subnotificação). Bolsonaro ainda vetou pontos importantes de projeto de lei que oferecia prioridade para os indígenas no fornecimento de água potável, internet e leitos de UTI.

A cereja do bolo desta gestão desastrada feita pelos militares na saúde foi a tentativa feita nos primeiros dias de Pazuello de esconder dados da pandemia. Primeiramente alterando a publicação dos dados da doença que antes eram as 19h para as 22h, numa tentativa de evitar que os dados atualizados fossem publicados nos jornais da noite. Porém a Globo reagiu publicando os números no momento que eram disponibilizados, justo no momento de maior audiência da emissora.

Vendo que a tática não daria certo, o ministério da saúde mudou o método de contagem de casos e mortes, ao invés de publicar os números consolidados, passou a publicá-los por dia que aconteceram, o que obrigaria a revisitar os dados dos dias anteriores todos os dias para ter a real noção da situação. Só foi revertido por força de uma decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Tudo isso mostra uma gestão, cuja a incompetência é criminosa, já que o ministério fez vários procedimentos que iam contra o consenso científico. Vendo os resultados desastrosos dessa incompetência, o ministro tentou esconder os dados para não mostrar a dimensão real da tragédia. O perfil das vítimas deixa claro que a doença, apesar de ter se espalhado muito entre a população, os mais pobres, negros e indígenas são os que mais morrem por conta dela, e sim, a inação do governo em acudir esta população mais vulnerável é uma atitude genocida dele, como o ministério da saúde passou a ter essa atitude displicente justamente com um militar da ativa no comando dele, logo a instituição também deve responder por isso. 

Não é mais possível tolerar o governo Bolsonaro e os militares que o cercam e o apoiam. Isso deixa claro que as forças armadas e a máquina pública terá que passar por uma limpeza no pós bolsonarismo, caso contrário, os ataques feitos pelo bolsonarismo contra os direitos democráticos e o estado brasileiro serão de difícil reversão e o povo continuará a sofrer a suas consequências.

Leia Também:

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.