Assim como as manifestações de rua são precipitações que podem variar de uma garoa leve a um furacão, os políticos são como gotas d’água dentro de uma nuvem, só conseguem existir enquanto estão dentro dela, caso as condições climáticas mudem ou a gota saía da nuvem, ela imediatamente evapora e se transforma em gás. Um caso prático disso que está acontecendo é a do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que teve um pedido de impeachment aberto na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) em votação simbólica (sem objeções levantadas) realizada online.

Este processo de impeachment foi aberto com as descobertas recentes da operação que ocorreu, coincidentemente, um dia depois de Carla Zambelli comentar em entrevista na Rádio Gaúcha que ocorreriam uma série de operações que ela chamou de “Covidão”. Uma operação, que apesar das coincidências que a coloca sob suspeição, mas que aparentemente encontrou um caroço no angu e agora Witzel está mais isolado do que nunca.

O governador que conseguiu o feito de juntar opostos (PT e bolsonaristas) contra ele, e até mesmo que as pessoas se solidarizassem com a morte de um sequestrador de ônibus porque o governador resolveu comemorar-la como um pubescente gamer de jogos de tiro em primeira pessoa (FPS em sua sigla em inglês). 

Mas isso ainda é pouco perto de algumas atrocidades ocorridas em seu governo, sendo que deveria ser por elas que ele merecia um processo de impeachment, como a política de usar helicópteros como plataforma de tiro de policiais em operações contra o tráfico de drogas, o que viola os direitos humanos, já que do alto não se pode distinguir um criminoso de um cidadão comum, tanto que uma lona de oração foi alvo destes tiros partindo do helicóptero onde Witzel estava em Angra dos Reis.

Mas foi por causa de sua gana de chegar à presidência da república em 2022 que ele rompeu com o bolsonarismo, a “nuvem” que conduziu ele ao Palácio das Laranjeiras, onde em um de seus comícios em 2018, um bolsonarista quebrou uma placa em homenagem a vereadora Marielle Franco, vítima de um assassinato de cunho político naquele ano. 

Agora Bolsonaro ataca Witzel com força total, colocando até a PF para intimidá-lo, agindo para derrubá-lo, não encontra obstáculos para isso, já que Witzel é uma figura naturalmente antipática a esquerda, e sua política de fuzilamento sistemático de pobres o impede de se aproximar dela. Agora Witzel está cercado por todos os lados, não tendo mais por onde sair, paga o preço por todos os seus crimes, tantos os verdadeiros quanto os criados pela máquina bolsonarista, está a um passo da queda, e talvez a dois passos da cadeia. Witzel está caindo por causa de todos os seus defeitos, vícios e preconceitos, por causa deles, pagará um preço alto.

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