Como já previsto por nossa página, a economia voltou e o dragão da inflação voltou junto com ela. Isso acontece justamente por conta da forma na qual economia brasileira está fundamentada, uma economia voltada para satisfazer apenas as vontades do mercado exterior, que quando sofre com uma crise ela acaba se refletindo nos preços do dia a dia.  Diferentemente de uma economia desenvolvida, uma economia com esse tipo de mecânica sofre grandes ondas inflacionárias mesmo sem sofrer qualquer problema relacionado a guerras ou a destruição da produção nacional. 

No começo da pandemia houve uma grande desvalorização do dólar pela queda no preço das matérias-primas, mas diferentemente de 2015, quando o real se desvalorizou mais de 50%, dessa vez não houve uma grande inflação inicial, pelo contrário, ocorreu até mesmo uma pequena deflação. Isso porque a economia durante estes seis meses ficou praticamente paralisada, mas agora com a retomada da economia, mais uma vez, a dependência econômica do Brasil vem mostrando o seu lado mais perverso com a subida excessiva no preço dos alimentos, logo no momento em que o governo já está retirando os subsídios para a população que perdeu renda durante a fase crítica da pandemia .

Outro motivo pelo qual a inflação explodiu no Brasil é a retomada econômica na China e a oportunidade que o governo chinês está aproveitando para repor os estoques de matérias-primas, prejudicados pela paralisia Econômica no começo do ano. Aproveitando os baixos custos das matérias-primas neste momento de pandemia e de paralisia em diversas economias, principalmente economias atrasadas e dos Estados unidos, a China vem fazendo uma grande aquisição de matérias-primas para repor os estoques e também para ter uma retomada econômica mais forte. Com matérias-primas mais baratas em uma economia industrial, as empresas conseguem fazer a retomada da produção sem grande encarecimento de seu custo, o que possibilita uma retomada econômica mais intensa.

Isso poderia ser benéfico para a economia brasileira médio prazo, se o Brasil tivesse uma política social mais robusta, já que a nossa economia dependente da exportação de commodities e dos dólares obtidos pela venda dessas matéria-prima para exterior. Não é a primeira vez que uma alta no consumo de matérias-primas na China causaria um aquecimento econômico no Brasil, isso já aconteceu no Boom econômico entre 2003 e 2013 causado justamente pelo Boom das commodities que ocorreram devido ao aumento da produção de bens industrializados e do aumento do consumo na China. Entretanto a curto prazo a tendência é que essa elevação na demanda chinesa cause inflação acelerada no Brasil, que impacta justamente sobre o preço dos alimentos em um momento de dificuldade econômica para todos e desmonte do pouco aparato de estado de bem-estar social estabelecido no país.  

Esse tipo de economia dependente da exportação de matérias-primas, é uma economia que gera menos emprego do que uma altamente industrializada, o que acaba aumentando ainda mais as desigualdades sociais, pobreza e os efeitos nefastos desta inflação na população de uma forma geral. Junta-se a isso a precarização dos direitos dos trabalhadores que ocorreram a partir do golpe de 2016 E o total descaso do governo em relação às consequências da pandemia, o que acaba aprofundando ainda mais a crise na qual o Brasil está passando.

A única reação que o governo Teve até agora em relação a essa súbita escalada de preços foi o próprio Bolsonaro pedindo “patriotismo” aos donos de supermercados, mas nenhuma medida concreta foi feito para resolver esta situação que é extremamente maléfica para o povo, e pode levar o Brasil a uma situação de calamidade ainda maior do que já se encontra. 

A única solução para esse tipo de situação é uma mudança no modelo econômico do Brasil, que desde 2015 se encontra esgotado, por conta da crise das commodities. Esse tipo de modelo econômico não traz um desenvolvimento efetivo para o país ou para o seu povo, apenas traz ganhos de curto prazo que não são distribuídos entre a população, o que pode ser explosivo na atual situação calamitosa pelo qual o país passa. Infelizmente, as atuais forças que estão no poder não querem romper com este modelo econômico, muito pelo contrário, são as linhas de defesa de um modelo econômico excludente, retrógrado e sem futuro na qual o Brasil está inserido.

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