A demolidora Bolsonaro não subiu aos píncaros do poder por acaso. Se sustentando no estrago causado por quatro anos de Lava-Jato, o então deputado federal fez uma campanha baseada no reforço da segurança pública, na colocação de ministros “técnicos” e claro, na exploração da comoção causada pelo atentado fracassado contra sua vida em Juiz de Fora sem o qual ele jamais iria para o segundo turno, principalmente com 8 segundo de programa eleitoral.

Mas seu governo parece estar longe de ser um governo técnico pautado pela ética. Já se passaram um ano de funcionamento da demolidora, e tudo que tivemos nesse meio tempo foi escândalos, má gestão e trapalhadas a perder de vista. 

O caso mais recente (entre vários ainda frescos e em desenvolvimento) é o caso do ex número 2 da pasta da casa civil, Vicente Santini, que havia pego um avião da FAB para ir de Davos, na qual estava junto com a delegação brasileira no Fórum Econômico Mundial (a feirinha dos ricos) até a Índia, onde acompanhou a viagem de Bolsonaro para lá.

Bolsonaro afastou Santini alegando imoralidade no ato do funcionário, para depois ser readmitido no dia seguinte, na mesma pasta, mas para um cargo de terceiro escalão. Como é uma praxe no governo, com a repercussão talvez volte atrás na readmissão, porém ele não é a primeira pessoa que permanece (ou permaneceu) de algum jeito no governo após uma trapalhada ou escândalo que em qualquer outro seria motivo para demissão.

A começar por um elemento em plena ação, Abraham Weintraub, o demolidor da educação, acumula uma série de trapalhadas, como por exemplo, os erros na correção do Enem, que afetaram segundo o governo cerca de 6 mil estudantes, mas que segundo funcionários do MEC, que falam em condição de anonimato para o jornal Folha de São Paulo, o Inep apenas refez a correção das provas dos estudantes afetados, mas não calculou a proficiência das questões da prova com base nas correções efetuadas.

Para entender a gravidade disso, o Enem, desde 2009, quando a prova passou a substituir o vestibular nas universidades federais, adota a TRI (Teoria de Resposta ao Item), que para medir a proficiência do estudante em determinada matéria, primeiro determina se a prova foi fácil ou difícil para a média geral dos candidatos. Para isso, se avalia, quantos alunos acertaram cada item da prova, e a partir dessa quantidade de acertos se dá um peso específico para a questão. 

Questões com muitos acertos recebem peso menor que questões com menos acertos, já que o sistema entende que se a grande maioria acertou determinada questão é porque estava fácil. Isso também permite que no ato da correção se puna o chute, pois, o sistema entende que, se você errou muitas questões “fáceis” e acertou uma “difícil”, é porque você chutou, logo não recebe a pontuação por esse acerto. 

É por causa do TRI que, por exemplo, você acertando 15 questões de matemática recebe nota 705, enquanto acertando 25 questões de português você recebe só 600. E é por isso que mesmo tendo apenas 6 mil alunos com problemas na correção afeta a prova de todos, pois a taxa de acerto deles em determinadas questões podem mudar a média geral de acertos, o que mudaria a pontuação de cada questão, alterando a média de todos, ainda que em alguns poucos pontos, que podem fazer a diferença entre passar ou não num vestibular concorrido.

Além dessa lambança toda no Enem, o ministério do demolidor Weintraub está implicado em uma licitação superfaturada de 3 bilhões de reais, que iam ser usados na compra de computadores para escolas com dinheiro do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), interrompida pela CGU (Controladoria Geral da União) em dezembro do ano passado pois nas planilhas foram encontradas inconsistências, como a entrega de 30.030 computadores para uma escola com 255 alunos (uma média de mais de 117 computadores por aluno).

Porém o mais famoso caso de dupla moral de Bolsonaro foi com o laranjal do PSL, onde Gustavo Bebianno foi fritado para ser demitido, em uma grande manobra vexatória para o então braço direito de Bolsonaro, sob a sombra do laranjal. O escândalo se resume no uso de candidaturas laranjas lançadas pelo PSL – que foi o partido de aluguel usado por Bolsonaro para chegar ao planalto – que era usado para desviar o dinheiro do fundo eleitoral. 

Mas o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, foi denunciado pelo Ministério Público por fazer o mesmo esquema em Minas Gerais e até hoje está no cargo. Os acontecimentos posteriores, como a briga com Luciano Bivar e a subsequente ruptura com o PSL para fundar o Aliança pelo Brasil mostram que a briga não era por questões morais, mas sim uma briga pelo controle do partido e do fundo eleitoral e partidário dele.

Esses são alguns de vários casos que poderia escrever aqui, mas que deixam bem claro que Bolsonaro longe de lutar contra a corrupção e o mau uso do dinheiro público e nem pela colocação de técnicos para administração da coisa pública, o que faz de fato é o oposto, ele é permissivo com a corrupção, o mau uso do dinheiro público e a imoralidade. Só age para demitir alguém se for conveniente para os planos políticos dele ou se gerou um custo de relações públicas elevado demais para seu gosto. As trapalhadas, escândalos e má administração vão continuar, pois esse é um governo de destruição nacional, e a única forma de detê-lo é com a retirada do poder de Bolsonaro e de todos os seus asseclas.

ATUALIZAÇÃO 08:00h : Bolsonaro anunciou na manhã de hoje (30) via redes sociais que irá tornar sem efeito a nomeação de Santini feita na noite do dia 29, como previsto no artigo, após a repercussão negativa do caso.

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