A passagem de ano entre 2019 e 2020 está recheada de atentados às liberdades democráticas. Na véspera de natal tivemos o atentado a produtora do Porta dos Fundos por conta de seu Especial de Natal, no dia 9 de janeiro, o Diário da Política já nasce noticiando a censura pela justiça do mesmo Especial de Natal do Porta, derrubado no dia seguinte. 

Além disso desde o começo do ano, o Movimento Passe Livre (MPL) já fez três manifestações contra o aumento do preço da passagem de ônibus e metrô em São Paulo, noticiadas em nossos dois resumos da semana, e as três manifestações foram duramente reprimidas pela PM, sendo que a última realizada no dia 16 nem pode sair do ponto de concentração.

Na virada do dia 16 para o dia 17, o agora ex-ministro da cultura Roberto Alvim divulgou um vídeo na qual ele parafraseia o ministro da propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, para anunciar o Prémio Nacional das Artes. Foi exonerado, mas só depois da insistência do presidente do senado David Alcolumbre de origem judaica. Se não tivesse tanta repercussão, Alvim ainda estaria no cargo.

Agora na terça-feira, o jornalista do The Intercept, Glenn Greenwald, foi indiciado pelo Ministério Público Federal como tendo colaborado e orientado a invasão a celulares de autoridades do judiciário, como o ex-juiz e agora ministro da justiça, Sérgio Moro, e o procurador do Ministério Público Federal do Paraná Deltan Dallagnol, numa clara violação a proteção que a constituição concede a atividade jornalística e a uma liminar concedida pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, confirmando essa proteção a Greenwald.

Toda essa escalada foi feita com a anuência, hora silenciosa, hora aberta, do presidente da república, Jair Bolsonaro e de seus asseclas, que desde as eleições de 2018 vem colocando claramente uma política de perseguição a toda a esquerda, como o episódio em que Bolsonaro declarou que iria “varrer do mapa os bandidos vermelhos” em alusão ao PT e a toda a esquerda, ou o episódio da quebra da placa da vereadora Marielle Franco feita com o agora governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, discursando no carro de som. (ainda teremos matéria sobre ele aqui no Diário da Política)

Essa escalada só não aconteceu de imediato porque o governo Bolsonaro estava desnorteado, parecia (de certa forma ainda parece) feito no improviso, lutava para conseguir colocar a máquina para funcionar, o principal ministro foi queimado pelo próprio chefe e exonerado somente um mês e meio após o começo do governo. Em março brigou com Rodrigo Maia, presidente da câmara por conta do pacote anti-crime de Sérgio Moro e por falta de entendimento na tramitação de outros projetos. Fora o fato de que acabou rachando com o partido de aluguel que conseguiu para se candidatar para as eleições de 2018, ficando sem partido para as eleições deste ano.

Mas até os idiotas aprendem, mesmo que na base da tentativa e erro, Bolsonaro e a direita parecem se sentir seguros para atacar frontalmente as liberdades democráticas e de que quebra criminalizar a esquerda como um todo. Bolsonaro já deu demonstrações de que deseja destruir qualquer oposição a ele, e que só não tinha feito isso ainda porque estava aprendendo, no empirismo mesmo, a controlar a máquina pública.

A importância das liberdades democráticas

Todos esses ataques não parecem suscitar na esquerda qualquer reação para por uma campanha na rua pelo Fora Bolsonaro ou Fora Jair mesmo. Ainda com todos esses ataques, poucos ainda parecem dar a devida atenção ao fato de que esses não são ataques isolados, mas partes de um grande bombardeio contra as liberdades democráticas e a esquerda. E infelizmente menos ainda se dão conta da importância das liberdades democráticas que estão sendo atacadas.

As liberdades democráticas são a camisa de força do estado que é naturalmente autoritário, principalmente no Brasil, onde o estado herdou muito genesis autoritária vinda do antigo estado colonial, já que a independência e a posterior proclamação da república foram feitas de tal forma a preservarem privilégios estabelecidos desde a chegada dos portugueses no Brasil.

É um estado e uma elite que naturaliza a truculência, o autoritarismo e o desprezo pelo seu país, principalmente pelos negros e pobres. E o estado como dizia o velho filósofo alemão Marx é o gerenciador dos negócios comuns da burguesia, e o estado brasileiro como tal carrega toda a sua carga autoritária, exploratória e truculenta tal como um estado colonial, um governo de ocupação.

Por isso é importante num país como o Brasil lutar pelas liberdades democráticas, pois quanto mais limitado o estado é no exercício de seu autoritarismo intrínseco, mais vidas são salvas, sejam elas de negros, pobres ou de opositores políticos. As liberdades democráticas no Brasil é como uma barragem que evita a tsunami de autoritarismo varrer o povo e lavar as ruas de sangue.

É um governo que tem como meta a destruição geral do Brasil e de seu povo, as liberdades democráticas claramente estão na mira de Bolsonaro para serem destruídas, é preciso impedir que o meliante demolidor continue com sua obra de destruição no governo ou não mais existirá forma de derrubá-lo sem grandes sacrifícios humanos.

A defesa das liberdades democráticas e a destituição do governo que as atacam é uma tarefa importante do momento que passamos, por conta disso é urgente levantarmos a palavra de ordem Fora Bolsonaro ou Fora Jair, o importante é que ele e sua corja saiam do governo.

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