No sábado (16) a Folha de São Paulo publicou entrevista com o Empresário e suplente do senador Flávio Bolsonaro, Paulo Marinho. Nesta entrevista Paulo Marinho anuncia que Flávio Bolsonaro foi informado sobre a deflagração de uma operação da Polícia Federal que teria como alvo Fabrício Queiroz e sua filha, para investigar o esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual e atual senador na ALERJ.

Este esquema de rachadinha feita com funcionários da ALERJ cujo o operador foi Fabrício Queiroz, teria segundo reportagem do The Intercept Brasil, financiado empreendimentos imobiliários ilegais da milícia “Escritório do Crime” no Rio de Janeiro. Segundo Marinho em sua entrevista à Folha, a informação foi vazada por um policial federal que se declarou simpatizante da candidatura Bolsonaro e que havia recomendado que os Bolsonaros exonerassem Queiroz e a sua filha dos respectivos gabinetes da ALERJ e da câmara dos deputados, onde a filha de Queiroz era assessora do então deputado federal, Jair Bolsonaro.

Essa denúncia mostra o quão integrada com o aparato repressivo a família Bolsonaro está, e que, longe de terem sido prejudicados com uma campanha de lawfare, como Bolsonaro dá a entender quando Sérgio Moro apontou sua tentativa de interferência na Polícia Federal, mas sim que alguma coisa tem nesta história toda, pois existe um claro intento de ocultação de provas e de dificultar as investigações (o que é crime).

Essa revelação, por mais que tenha sido feita somente quase dois anos após o ocorrido, o que indica, não uma honestidade do denunciante, mas algum conflito que está submerso na superfície dos fatos, mas é uma daquelas revelações esclarecedoras sobre o porquê da insistência da interferência de Bolsonaro na PF. Mas ainda isso deixa algumas perguntas em aberto, como por exemplo, qual agente que deu estas informações? Qual a posição desse agente na PF? Ele foi promovido ou teve alguma gratificação pelo governo Bolsonaro? Por que só agora Paulo Marinho resolveu falar o que sabe?

Apesar de todas estas dúvidas estarem em aberto, uma coisa é certa, um dos motivos de Bolsonaro tentar interferir na PF era para acabar com as investigações sobre o esquema da rachadinha, o que poderia levar, segundo reportagem do The Intercept, a mostrar uma ligação de cumplicidade da Famiglia Bolsonaro com o submundo das milícias cariocas.

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